EXPERIMENTO DO CACHORRO

Deixe-me dar um exemplo do tipo de histórias que temos em nosso banco de dados, sobre um cachorro que sabe quando seu dono está chegando em casa. Essa é de uma pessoa no Havaí: “Meu cachorro Debby sempre fica esperando na porta uma meia hora antes de meu pai chegar em casa do trabalho. Como meu pai estava no exército, ele tinha um horário de trabalho muito irregular. Não fazia diferença se meu pai ligava antes, e uma época eu achei que o cachorro reagia à chamada telefónica, mas isso obviamente não era o caso, porque às vezes meu pai dizia que estava vindo para casa mais cedo, mas tinha que ficar até mais tarde. Às vezes ele nem telefonava. O cachorro nunca se enganava, portanto eu eliminei a teoria do telefone. Minha mãe foi a primeira pessoa que notou esse comportamento. Ela estava sempre preparando o jantar quando o cachorro ia para a porta. Se o cachorro não fosse até a porta, nós sabíamos que papai ia chegar mais tarde. Se ele chegasse tarde, o cachorro mesmo assim o esperava, mas só quando ele já estivesse no caminho de casa”.

Temos agora em nosso banco de dados cerca de 580 relatos de cachorros que fazem isso, e cerca de 300 relatos de gatos que fazem isso, com esse tipo de qualidades. O cético de carteirinha irá dizer “bem, é apenas uma rotina”, mas na maioria dos casos não é uma rotina (se fosse as pessoas nem notariam). O próximo argumento do cético de carteirinha é “bom, o que deve acontecer é que as pessoas da casa sabem quando o dono está vindo e com isso seu estado emocional muda, e o animal capta essa mudança através de deixas sutis”. Bem, é claro que isso é possível se as pessoas realmente prevêem que alguém está vindo para casa, seu estado emocional pode mudar, elas podem ficar excitadas ou talvez deprimidas e o animal pode captar essa mudança emocional e reagir a ela. Mas, em muitos dos casos, as pessoas na casa não sabem quando a outra está vindo para casa, é o animal que lhes diz, e não elas que dizem ao animal.

Quando eu estava discutindo esse assunto com Nicholas Humphrey, meu amigo cético disse: “bem, tudo isso ainda não elimina a possibilidade de que eles ouvem o barulho do motor do carro, um motor de carro familiar a 30, 40 quilômetros de distância”, e eu disse: “isso é obviamente impossível”. E ele: “pelo contrário, apenas demonstra como a audição dos cachorros é aguçada”. Foi essa discussão que levou à ideia de fazer um experimento. Eu disse: “OK, e se eles vierem para casa de táxi, ou no carro de um amigo, ou de trem, ou de bicicleta da estação em uma bicicleta emprestada, para que não haja sons familiares?” E ele disse: “nesse caso, o cachorro não reagiria”, e desde a publicação deste livro eu já descobri muitos cachorros, gatos e outros animais que fazem isso.

Telefonamos para pessoas escolhidas aleatoriamente usando técnicas padronizadas de amostragem e perguntamos se elas tinham animais. Dos donos de animais, havia mais donos de cachorros do que de gatos na maior parte das localidades. Perguntávamos: então “seu animal parece saber previamente quando um membro da família está vindo para casa?” Aproximadamente 50% dos donos de cachorro em todas as localidades disseram que sim - em Los Angeles foram mais de 60% - e podemos ver através desses resultados que os gatos em todas as localidades fazem isso menos que os cachorros.

Nos primeiros experimentos que foram feitos, pedíamos às pessoas que anotassem em um caderno o comportamento do cachorro, mas os céticos disseram: “bem, assim você tem uma tendência subjetiva”. Portanto, agora nós fazemos uma fita de vídeo de todos os experimentos. Temos uma câmera de vídeo em tripé, apontando para o lugar onde o cachorro ou o gato esperam pela pessoa que vem para casa. Há um controle de tempo na câmera e ela fica funcionando por horas. Então, temos horas de filme que irão mostrar se o cachorro ou o gato vão até a janela, e por quanto tempo ficam lá, um registro objetivo e perfeito. O que vou lhes mostrar é um vídeo de um desses experimentos que foi feito com um cachorro com que trabalhei principalmente na Inglaterra. O cachorro chama-se JT e o nome de sua dona é Pam. Quando Pam sai, ela deixa JT com seus pais, que vivem no apartamento ao lado do dela. Eles observaram há muitos anos que JT sempre ia para a janela quando Pam estava a caminho de casa, ou quase sempre. Esse experimento foi filmado profissionalmente pela televisão estatal austríaca, e foi filmado com duas câmeras, para que pudéssemos ver o cachorro e a pessoa que estava na rua ao mesmo tempo. E foi combinado que eles escolhessem as horas de sua vinda para casa de maneira aleatória, que nem ela mesma soubesse previamente, que ninguém soubesse previamente; e ela viria para casa de táxi, para eliminar a possibilidade de sons de carros familiares. Esse, portanto, é um experimento que foi realizado dentro dessas condições.

Na vida real, Pam não vem para casa em horas escolhidas aleatoriamente, e que ela própria desconheça previamente. Quando está no trabalho, ou quando sai para fazer compras ou visitar amigos, ela vem para casa em vários momentos diferentes, e nós monitoramos regularmente as horas em que ela volta, mais de 200 experimentos foram monitorados, temos dezenas deles em vídeo. O cachorro nem sempre reage, cerca de 85% das vezes JT realmente espera por ela quando ela está vindo para casa, cerca de 15% ele não o faz. Analisamos as ocasiões em que ele não faz, a maioria das vezes ocorreu quando a cadela do apartamento vizinho estava no cio. Isso mostra que JT pode se distrair. Isso também ocorreu algumas vezes quando havia visitas na casa ou outro cachorro, e algumas vezes sem nenhum motivo. De qualquer forma, JT normalmente reage quando Pam decide que vai para casa. No filme vê-se que ele não começa a reagir quando ela entra no táxi, e sim quando ela estava pronta para ir para casa. Na vida real ele não reage quando ela entra no carro para ir para casa, e sim quando ela começa a se despedir dos amigos e pensando “bem, vou-me embora”. Ele parece captar essa intenção dela. É bem verdade que JT vai até a janela ocasionalmente quando Pam não está a caminho de casa, normalmente porque vai latir para um gato que passa na rua ou está olhando alguma coisa que está acontecendo do lado de fora. Nesses gráficos incluímos todos esses casos, embora fique claro no vídeo que ele não está esperando, mas como os céticos dizem que, se você usar evidência seletiva isso demonstra que você inventou a coisa toda, não fizemos nenhuma seleção aqui. Às vezes há uns trechos barulhentos, quando ele vai até a janela de qualquer maneira, mas podemos ver que isso é a média de 12 ocasiões diferentes quando ela estava fora por mais de 3 horas. O tempo que ele está esperando na janela é maior quando ela está no caminho de casa do que quando ela não está. Vemos um pequeno aumento antes de ela ir para casa que, a meu ver, tem relação com esse efeito antecipatório.

JT está obviamente esperando por ela principalmente quando ela está no caminho de casa. O que é claro nesses gráficos é que JT não vai para a janela com mais frequência quanto mais tempo ela estiver fora. Ele obviamente está muito mais na janela aqui, quando ela está no caminho de volta, do que nos períodos correspondentes aqui. Esses efeitos têm uma enorme significância estatística. Vários tipos de análise mostram significâncias que vão mais além da escala de meu computador. Esses efeitos são do tipo p é menor que .00001.

Esses resultados foram amplamente publicados na Grã-Bretanha, nos jornais, e - é claro - foram criticados pelos céticos, que estão sempre prontos para dizer que nada semelhante poderia ocorrer. Um dos céticos mais ativos na Grã-Bretanha, cujo nome é Richard Wiseman, disse que eu não tinha usado procedimentos adequados, não os tinha registrado de forma adequada, etc. Eu fiz também muitos experimentos com horas de retorno aleatórias. Pam tem umpager em seu bolso que eu ativei por telefone de Londres e ela vem para casa em momentos verdadeiramente aleatórios, usando um desses pagers da telecom. De qualquer forma, ele criticou os detalhes, então eu disse: “Tudo bem, por que você mesmo não faz o experimento? Eu organizo tudo para que você possa fazê-lo com o mesmo cachorro. Emprestamos uma câmera de vídeo, Pam irá onde você quiser, o seu ajudante ficará observando-a”. Na verdade, então, o próprio Wiseman filmou o cachorro e ficou no apartamento dos pais da Pam, enquanto seu ajudante ia com a Pam para pubs, ou outros lugares, até que em um momento determinado aleatoriamente fosse decidido que eles voltariam para casa. Eles checavam o tempo todo para garantir que não haveria chamadas telefônicas secretas, nenhum meio de comunicação invisível, nenhuma fraude ou trapaça.

Wiseman é um mágico, e ele é um desses céticos que está sempre afirmando que tudo pode ser feito por trapaça ou ilusionismo. Bem, ele mesmo esteve lá, e eles estavam se protegendo de tudo, e ele realizou três experimentos com Pam na casa de seus pais, e esses foram os resultados dos três experimentos que ele fez, usando todos seus controles rigorosíssimos, seu próprio procedimento aleatório, e outras coisas mais (os resultados são exatamente iguais aos outros; o público ri). Portanto, esses resultados são sólidos, mesmo com um cético, que ao fazer o experimento na verdade não quer que ele dê certo. Atualmente realizo uma série de experimentos em Santa Cruz, Califórnia, com um tipo de periquito italiano que mostra o mesmo tipo de reação: eles guincham quando o dono está vindo para casa, e obtemos quase o mesmo tipo de gráficos, mostrando que os guinchos vão aumentando de intensidade quando o dono está a caminho de casa em horas aleatórias.

Um cão e um ser humano, quando formam uma união entre eles, são parte de um grupo social. Os cães são animais intensamente sociais, eles descendem dos lobos que têm uma vida social intensa. Portanto, eu acho que o que ocorre quando uma pessoa sai de casa, é que ela ainda continua conectada pelo campo mórfico da família, do qual o cão é parte. O campo mórfico se estica, por assim dizer, mas eles ainda estão ligados por esse campo mórfico, e é devido a essa conexão contínua invisível que a informação pode viajar, as intenções da pessoa podem afetar o cachorro em casa.

Portanto, eu interpreto tudo isso em termos de campos mórfícos. É claro, outras pessoas podem querer interpretá-lo em termos de outras coisas, e pode ser que isso esteja relacionado com a não-localidade quântica, ninguém sabe. Existem na física quântica, fenômenos não-locais misteriosos, sistemas que foram conectados como parte do mesmo sistema, e quando são separados retêm essa conexão não-local e não separável à distância. Bem, uma pessoa e um cachorro, que estiveram conectados por terem vivido juntos como companheiros, quando se separam podem ter uma conexão não-local semelhante. Mas ninguém sabe se essa não-localidade quântica se estende aos fenômenos macroscópicos ou não.


MEMÓRIA COLETIVA

Acho que esses campos têm uma espécie de memória, essa é minha ideia de ressonância mórfíca, o que significa que cada tipo de campo mórfico tem uma memória de sistemas passados semelhantes, por meio de um processo de ressonância através do espaço e do tempo. Os campos são locais, estão dentro e ao redor do sistema que eles organizam, mas sistemas semelhantes têm uma influência não-local através do espaço e do tempo, oriunda da ressonância mórfíca, que dá uma memória coletiva para cada espécie. Não tenho tempo de explicar os detalhes da teoria da ressonância mórfíca, a não ser para dizer que cada espécie neste planeta teria uma memória coletiva. Todos os ratos extrairiam memórias da memória coletiva de ratos anteriores. Se ratos aprenderem um novo truque no laboratório, outros ratos em outros locais deveriam ser capazes de aprender o mesmo truque mais rapidamente. Haja evidência, que eu discuti em meus livros, de que isso realmente ocorre.

No reino humano, se as pessoas aprendem uma nova habilidade, como windsurf, ou andar de skate, ou programação de computador, o fato de que muitas pessoas já aprenderam a mesma coisa deveria fazer com que fosse mais fácil para os outros aprenderem. Bem, essa é uma teoria que, claramente, é muito polêmica, e eu a descrevi em detalhe em meus livros A new science of life e A presença do passado. Já houve um número considerável de testes experimentais, e quando um número grande de pessoas está envolvida, eles dão resultados positivos; com uma amostra pequena (20, 30 pessoas) aprendendo algo novo, os resultados são às vezes positivos e às vezes não significativos. Esses efeitos são relativamente pequenos e difíceis de detectar no contexto de variações individuais. Mas há certos tipos de evidência que surgiram espontaneamente, que são relevantes aqui, e um deles está relacionado com testes de QI. Como vocês sabem, os testes padrão de QI vêm sendo ministrados por muitos anos para medir a inteligência e esses mesmos testes são aplicados ano após ano. Foram feitos estudos para examinar a contagem de testes de QI no decorrer do tempo; quando examinamos o desempenho absoluto nesses testes - e aqui estamos falando de testes feitos por milhões de pessoas - os testes mostram um efeito muito interessante que foi descoberto pela primeira vez por James Flynn, e portanto é chamado de Efeito Flynn: há um aumento misterioso e inesperado nas porcentagens do QI com o correr do tempo. Aqui temos um gráfico mostrando resultados de testes de QI, tirado de um número recente da revista Scientific American. As porcentagens aumentaram uns três por cento a cada década, não só nos Estados Unidos, mas também na Inglaterra, na Alemanha e na França. Por que o QI é uma questão polêmica na psicologia, tem havido muita discussão sobre a razão pela qual isso aconteceu: melhor nutrição, escolas melhores, mais experiência com os testes, e assim por diante. Mas nenhuma dessas teorias foi capaz de explicar mais do que uma fração desse efeito. O próprio Flynn, após 10 anos pensando sobre isso, e testando todas essas explicações, chegou à conclusão que o efeito é desconcertante, não há explicação para ele na ciência convencional. No entanto, é apenas o tipo de efeito que seria de se esperar com a ressonância mórfíca. Não é porque as pessoas estão realmente ficando mais inteligentes, mas o que está acontecendo é que elas simplesmente estão mais eficientes quando fazem os testes de QI, e eu acho que isso ocorre porque milhões de pessoas já fizeram os mesmos testes.


CRISTAIS

Se você fizer um novo cristal que nunca existiu antes, não poderia existir um campo mórfico para esse cristal. Essa teoria se aplica também a moléculas. Se você a cristalizar repetidamente, o campo mórfico ficará mais forte, e ficaria mais fácil para a substância se cristalizar. Na verdade isso é um fato bem conhecido dos químicos, que os novos compostos se cristalizam com mais facilidade com o passar do tempo nos vários laboratórios. A explicação desses químicos é que isso ocorre porque fragmentos dos cristais anteriores são levados de um laboratório para o outro, nas barbas de químicos migrantes, ou que foram transportados da atmosfera como partículas invisíveis de poeira. Mas eu estou sugerindo que isso poderia ser um efeito da ressonância mórfica e essa é uma das áreas em que ela pode ser testada. Na química existem também outras áreas onde ela pode ser testada.


O UNIVERSO E OS ANJOS

Átomos, moléculas, cristais, organelas, células, tecidos, órgãos, organismos, sociedades, ecossistemas, sistemas planetários, sistemas solares, galáxias: cada uma dessas entidades estaria associada a um campo mórfogenético específico. São eles que fazem com que um sistema seja um sistema, isto é, uma totalidade articulada e não um mero ajuntamento de partes.

Se, através da teoria de Gaya, estamos passando a enxergar a Terra como um organismo vivo, então será que a Terra pensa? Será que ela poderia ser consciente? E o Sol? Todas as religiões tradicionais tratam o Sol como sendo consciente. É um deus (Hélios), na religião grega. Mitra, na Pérsia. Surya, na Índia, onde seus devotos o saúdam pela manhã, através de um exercício de yoga chamado Surya namaskar. Portanto, estas são tradições que existem em todas as partes, mas, é claro, para nós, com uma estrutura científica, o Sol é apenas uma grande explosão nuclear do tipo que ocorre o tempo todo emitindo radiação.

O Sol, sabemos hoje em dia, tem uma série incrível de mutações de ressonância elétrica e magnética ocorrendo em seu interior: ciclos de onze anos, explosões de manchas solares, dinâmica caótica, freqüências ressonantes. Atualmente sistemas estão monitorando, com um detalhamento anteriormente considerado impossível, essas incríveis mudanças eletromagnéticas - minuciosas e complexas - que estão ocorrendo no Sol. Bem, se padrões elétricos complexos são uma interface suficiente para a consciência e o cérebro humano, por que é que o Sol não poderia tê-los também? Por que o Sol não poderia pensar? E se o Sol é consciente, por que não as estrelas? E se as estrelas são conscientes, por que não as galáxias? Essas últimas teriam uma consciência de um tipo muito mais inclusivo do que a das estrelas que elas contêm. E se galáxias, por que não os grupos de galaxias? Então teríamos uma idéia de níveis hierárquicos de consciência por todo o universo. É claro, na tradição ocidental, como em todas as tradições, temos uma idéia exatamente desse tipo. A idéia das hierarquias dos anjos na Idade Média não era a de seres com asas - isso era apenas uma maneira bastante ingênua de representá-los. Eles eram compreendidos tradicionalmente como níveis de consciência além do humano. Havia nove níveis, dos quais três ou mais eram relacionados com as estrelas e com a organização de corpos celestiais. Eles eram as inteligências das estrelas e dos planetas, os três níveis intermediários dos anjos. Portanto, já existe a tradição no ocidente sobre uma consciência super-humana.


Referência: Site de Rupert Sheldrake;
O Renascimento da Natureza: o Reflorescimento da Ciência e de Deus; Rupert Sheldrake - Ed. Cultrix;
Caos, Criatividade e o Retorno do Sagrado: Triálogos nas Fronteiras do Ocidente; Ralph Abraham, Terence McKenna e Rupert Sheldrake - Ed. Cultrix/Pensamento;
A revolução da consciência - novas descobertas sobre a mente no século XXI; Francisco Di Biase e Richard Amoroso - Ed. Vozes;
(1994). Seven experiments that could change the world. Londres, Fourth Estate;
(l998). The sense of being stared at: experiments in schools. Journal of the Society for PsychicalResearch, 62, p. 311-323;
(1998). Experimenter effects in scientific research: how widely are they neglected? Journal of Scientific Exploration, 12, p. 73-78;
(1999). The sense of being stared at confirmed by simple experiments. Biology Forum, 92, p. 53-76;
(1999). Dogs that know when their owners are coming home. Londres, Hutchinson;
(1999). How widely is blind assessment used in scientific research? Alternative Therapies, 5, p. 88-90.

RESSONÂNCIA MÓRFICA

Não é de hoje que vemos a vanguarda pensante da ciência mantendo uma estreita relação com o misticismo, podemos citar cientistas como Da Vinci, Newton e Thomas Edison, e até mesmo Einstein mantinha em sua escrivaninha um exemplar de A Doutrina Secreta, de Helena Blavatsky. Depois da publicação de O Tao da Física, de Fritjof Capra, uma nova tendência onde a ciência se aliava à sabedoria oculta se popularizou.

Capra cita Carlos Castañeda em seu primeiro livro e indica a ligação entre cérebro e coração:

"Olhe cada caminho com cuidado e atenção. Experimente-o quantas vezes julgar necessárias... Depois faça a si mesmo uma pergunta: este caminho possui coração? Em caso afirmativo, o caminho é bom. Caso contrário, este caminho não possui importância alguma."

Cada vez mais aquela verve tradicional da ciência, que vê o universo como um aglomerado de coisas separadas, com relações puramente mecânicas (ao invés de uma visão integradora das coisas), está caindo.

Dentro dessa linha, uma inovadora teoria traz luz àquelas perguntas sem respostas sobre coincidências intrigantes, ligações que não podemos explicar e até mesmo, telepatia. Seria mesmo simples coincidência que você ligue para alguém no exato momento que a pessoa pensou em você, ou aquela pessoa que parece sempre saber o que você está pensando ?

Tudo isso se encaixa quando entendemos a teoria da Ressonância Mórfica, elaborada pelo biólogo Rupert Sheldrake, que publicou seu primeiro livro chamado A New Science of Life (Uma Nova Ciência da Vida ) em 1981; além de causar muita polêmica, sua obra foi recebida de maneira ambivalente , enquanto alguns encontravam respostas incríveis, outros a achavam uma grande besteira.

Ele sabia que suas idéias não seriam aceitas facilmente pela comunidade científica, pois mesmo durante a universidade quando lhe ocorreu pela primeira vez a hipótese dos campos mórficos, teve uma boa recepção por parte dos filósofos de mente aberta, mas virou motivo de gozação entre seus colegas biólogos.

Cada vez que dizia alguma coisa do tipo "eu preciso telefonar", eles retrucavam com um "telefonar para quê? comunique-se por ressonância mórfica". Apesar de ser uma brincadeira, refletia bem a insegurança tradicionalista diante de algo diferente da visão de mundo da maioria.

Visão essa que reduzia a atividade dos organismos vivos à mera interação físico-química entre moléculas e fazia do DNA uma resposta para todos os mistérios da vida.

A teoria de Sheldrake

De acordo com o cientista, cada corpo presente no universo teria seu próprio campo mórfico, eles atuam como campos magnéticos mas atravessam tempo/espaço e por isso não perdem intensidade com o aumento da distância.

Esses campos moldam a forma e o comportamento de todos os sistemas do mundo material, mais que isso, é ele que faz com que um sistema seja um sistema e não um amontoado de partes. Outra semelhança com campos magnéticos seria o fato de não podermos percebê-lo diretamente, mas somente através de seus efeitos.

Presentes em tudo, de átomos a galáxias, esses campos se distribuem através do tempo/espaço conectando todos os sistemas individuais que tenham associações entre si.

Origem dos Campos Mórficos

O conceito de campos morfogenéticos foi criado nos anos 20, para explicar como células iguais crescem e se transformam em partes diferentes de um organismo, como orelhas, mãos, etc, omissão que permanece na ciência reducionista.

Segundo este conceito, o DNA não contém uma memória genética ou um mapa de crescimento para essas células e sim a capacidade de sintonizar campos mórficos já existentes, onde estão registradas nossas impressões de acontecimentos passados. Ele conecta os campos mórficos da sua espécie e, assim, tem à sua disposição a memória coletiva de todo o grupo, onde colhe informações para seu desenvolvimento.

No século 19, Helena Blavatsky já descrevia sob o nome de akasha ou luz astral, a idéia de uma essência espiritual do mundo físico que carregava modelos pré-definidos das espécies. Ao elaborar sua teoria, Sheldrake apenas ampliou o campo de atuação dessa funcionalidade para todas as áreas da natureza.



Rupert Sheldrake

Ressonância Mórfica

Para que esses campos individuais se fundam num todo, é necessário que haja uma interação entre eles. A Ressonância Mórfica cumpre o papel de comunicador, transmitindo informação, conhecimento, vivências e sugere como organizar a energia. Através dessa conexão torna-se possível que o conhecimento adquirido por um grupo seja agregado e compartilhado à consciência coletiva de toda a espécie, mesmo que não haja uma comunicação pelos meios convencionais entre eles. Segue um exemplo fictício:

"Em duas ilhas tropicais, habitadas pela mesma espécie de macaco, mas sem qualquer contato perceptível entre si. Depois de várias tentativas e erros, um esperto símio da ilha "A" descobre uma maneira engenhosa de quebrar cocos, que lhe permite aproveitar melhor a água e a polpa. Ninguém jamais havia quebrado cocos dessa forma.

Por imitação, o procedimento rapidamente se difunde entre os seus companheiros e logo uma população crítica de 99 macacos domina a nova metodologia. Quando o centésimo símio da ilha "A" aprende a técnica recém-descoberta, os macacos da ilha "B" começam espontaneamente a quebrar cocos da mesma maneira. Não houve nenhuma comunicação convencional entre as duas populações: o conhecimento simplesmente se incorporou aos hábitos da espécie. "

A ressonância entre os campos mórficos dos macacos acima, fez com que a nova técnica chegasse ao outro grupo, sem que qualquer meio usual de transmissão de informações fosse utilizado.

A diferença entre esse meio e a telepatia é que esta é uma atividade intencional, focada entre dois ou mais indivíduos, enquanto a ressonância mórfica é um processo de disseminação.

Mais um exemplo impressionante

"Quando uma nova substância química é sintetizada em laboratório, não existe nenhum precedente que determine a maneira exata de como ela deverá cristalizar-se. Dependendo das características da molécula, várias formas de cristalização são possíveis.

Por acaso ou pela intervenção de fatores puramente circunstanciais, uma dessas possibilidades se efetiva e a substância segue um padrão determinado de cristalização. Uma vez que isso ocorra, porém, um novo campo mórfico passa a existir.

A partir de então, a ressonância mórfica gerada pelos primeiros cristais faz com que a ocorrência do mesmo padrão de cristalização se torne mais provável em qualquer laboratório do mundo. E quanto mais vezes ele se efetivar, maior será a probabilidade de que aconteça novamente em experimentos futuros".

Outro experimento interessante feito pelo próprio cientista mostrou que uma figura oculta numa ilustração torna-se mais fácil de perceber depois de ter sido percebida por várias pessoas. Em duas ocasiões, os pesquisadores mostraram duas ilustrações a pessoas que não conheciam suas respectivas "soluções".

Entre uma enquete e outra, a figura 2 e sua "resposta" foram transmitidas pela TV. Verificou-se que o índice de acerto na segunda mostra subiu 76% para a ilustração 2, contra apenas 9% para a 1.

Para participar de experimentos como esse, acesse :
http://www.mercurialis.com/ciencia/sheldrake/introduccion.html

"Experimentos em psicologia mostram que é mais fácil aprender o que outras pessoas já aprenderam", informa Sheldrake.

Caso seja comprovada a transmissão dos conteúdos mentais de pessoa a pessoa, teremos grandes progressos no campo da educação.

Segundo Sheldrake, métodos educacionais que realcem o processo de ressonância mórfica podem levar a uma notável aceleração do aprendizado.

Também na psicologia, teorias que enfatizam a coletividade e dimensões transpessoais receberiam um notável reforço, em contraposição ao modelo reducionista de Sigmund Freud.



"A ressonância mórfica tende a reforçar qualquer padrão repetitivo, seja ele bom ou mal, por isso, cada um de nós é mais responsável do que imagina. Pois nossas ações podem influenciar os outros e serem repetidas", avisa Rupert.

Aqui, Sheldrake reafirma o conceito no qual, segundo a tradição esotérica, o reino animal evolui em almas coletivas, onde ficam registradas as experiências de cada indivíduo. Nos humanos cada um processa suas próprias experiências, e apesar de haver um inconsciente coletivo, as almas estão tão individualizadas que quase não sentimos mais a presença dos campos, sensibilidade que permanece ainda muito forte nos animais, como podemos comprovar nos experimentos relatados em seu livro "Cães Sabem Quando Seus Donos Estão Chegando", da Ed. Objetiva.

A boa notícia é que assim que houver um número suficiente de pessoas sintonizadas com a energia da Nova Era, educadas nas novas formas de viver e trabalhar, e principalmente, sensíveis ao que está registrado nos campos mórficos a respeito do nosso processo civilizador e das experiências acumuladas, a mudança deve ser repentina, assim como após o centésimo macaco toda uma espécie de macacos mudou, um relâmpago cultural global deverá assolar a humanidade no momento da conscientização do último humano dentro da quantidade considerada suficiente. Estaremos colhendo os resultados das vivências que plantamos na memória coletiva, perpetuando o ciclo cármico.

Os meios de comunicação convencionais devem contribuir para a estruturação da nova ordem apenas numa segunda fase, pois o princípio está se dando através desse meio oculto de propagação de informação chamado Ressonância Mórfica

Site Oficial : www.sheldrake.org

Livros em português:

O Renascimento da Natureza: o Reflorescimento da Ciência e de Deus, de Rupert Sheldrake, Ed. Cultrix.

Caos, Criatividade e o Retorno do Sagrado: Triálogos nas Fronteiras do Ocidente, de Ralph Abraham, Terence McKenna e Rupert Sheldrake, Ed. Cultrix/Pensamento.

Sete Experimentos que Podem Mudar o Mundo: Um Guia Faça-Você-Mesmo da Ciência Revolucionária, de Rupert Sheldrake.

Cães Sabem Quando Seus Donos Estão Chegando : Rupert Sheldrake, Ed. Objetiva.

A Presenca do Pasado: Os hábitos da Natureza, Instituto Piaget, Lisboa, 1995.

Livros em inglês:

A New Science of Life: the Hipothesis of Morphic Resonance, de Rupert Sheldrake.

The Presence of the Past: Morphic Resonance and the Habits of Nature, de Rupert Sheldrake.

Natural Grace: Dialogues on Creation, Darkness and the Soul in Spirituality and Science, de Matthew Fox e Rupert Sheldrake.

The Physics of Angels: Exploring the Realm where Science and Spirit Meet, de Matthew Fox e Rupert Sheldrake.

Fonte : Eletronic Brasil (www.eletronicbrasil.com.br).








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Carlos Cardoso Aveline


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O texto a seguir corresponde ao capítulo 17
da obra “A Vida Secreta da Natureza - Uma
Iniciação à Ecologia Profunda”, de Carlos
Cardoso Aveline, Ed. Bodigaya, Porto Alegre,
terceira edição, 2007, 156 pp. Para saber mais
sobre o livro, visite www.bodigaya.com.br .
O título original do texto é “A Ciência Exata
Descobre a Ecologia Profunda”.


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Só a verdade pode ser a autoridade; ela não exige

nada de ninguém, mas convida a um exame atento.


Robert Crosbie [1]


O meio ambiente em que vivemos não é um vale ou montanha, nem uma zona rural ou cidade. Tampouco é um continente, ou o planeta Terra: o universo inteiro é o nosso ambiente natural. As galáxias navegam conosco na mesma onda de vida.


Em nossa pequena casa planetária – uma esfera achatada nos pólos, com 12.700 quilômetros de diâmetro –, a Lua regula as marés, influencia a vida das plantas e faz oscilar as emoções humanas. O Sol define o rumo do nosso planeta e manda a energia vital que anima cada árvore, pé de alface, folha de grama, pássaro, peixe ou ser humano. O caráter e a consciência de cada um de nós também são influenciados o tempo todo não só pelo Sol, mas por cada um dos planetas do Sistema Solar e por outras forças cósmicas cuja ação ainda não foi identificada ou descrita pela ciência convencional. O céu inteiro imprime sua marca na vida de cada ser humano que nasce e influencia os acontecimentos individuais e coletivos, tanto no plano material como nas dimensões sutis.


A ciência que descrevia o universo como um aglomerado de coisas separadas, relacionadas mecanicamente entre si, faliu. A vanguarda pensante da ciência tem uma visão integradora das coisas, e isto não é de agora. A ciência teve um breve sonho mecanicista durante a Revolução Industrial, mas já acorda de novo para a realidade. Leonardo da Vinci, Paracelso, Francis Bacon, Isaac Newton, Thomas Edison e inúmeros outros foram cientistas e místicos ao mesmo tempo. Já no século vinte, Albert Einstein mantinha sempre em sua escrivaninha um exemplar de “A Doutrina Secreta”, de Helena Blavatsky.


Mas foi a partir de 1975, com a publicação de “O Tao da Física”, de Fritjof Capra, que uma nova visão da ciência como aliada da sabedoria oculta se impôs como tendência e se popularizou. Capra abre seu livro citando Carlos Castaneda, para dizer que a física moderna é um caminho que deve ser percorrido com o coração:


“Olhe cada caminho com cuidado e atenção. Experimente-o quantas vezes julgar necessárias... Depois faça a si mesmo uma pergunta: este caminho possui coração? Em caso afirmativo, o caminho é bom. Caso contrário, este caminho não possui importância alguma”.


A seguir, Capra faz um estudo comparado do misticismo oriental e da física moderna, mostrando que, com linguagens diferentes, ambos falam da unidade de todas as coisas, da necessidade de transcender a dualidade e o espaço-tempo, e ambos buscam, de modo similar, compreender a relação entre o vazio e a forma.


Em 1980, outro físico, David Bohm, publicou a obra “A Totalidade e a Ordem Implícita” (publicada no Brasil como “A Totalidade e a Ordem Implicada”), em que faz uma reflexão sobre o processo periódico de exteriorização e interiorização do universo, por um lado, e de cada coisa que existe nele, por outro. Em 1981, o biólogo inglês Rupert Sheldrake lançou um livro polêmico radicalizando, em termos científicos, o conceito de campos morfogenéticos e estabelecendo uma base experimental para que se demonstre a existência da luz astral ou o akasha da tradição esotérica.


O conceito de campos morfogenéticos (do grego morfo, forma, e gênese, origem) foi criado na década de vinte por biólogos de visão holística. Para Sheldrake, os campos morfogenéticos são semelhantes aos campos eletromagnéticos e gravitacionais conhecidos pela física, mas possuem algumas características extraordinárias:


“Como os campos conhecidos da física, eles conectam coisas similares através do espaço, embora aparentemente não haja nada entre elas; mas, além disso, eles conectam coisas através do tempo.”[2]


Esta é, precisamente, a característica central do akasha oriental, o éter universal, ou a essência espiritual do mundo físico, que Helena Blavatsky descreveu no século dezenove. Por outro lado, o enfoque de Sheldrake tem uma correspondência perfeita também com a idéia de ordem implícita do físico David Bohm. Assim, a ciência moderna vai redescobrindo, em cada um dos seus campos, elementos da sabedoria milenar.


Nos anos vinte, o conceito de campos morfogenéticos foi criado em função do crescimento e das formas adotadas pelos seres vivos, e permitiu explicar, por exemplo, que um embrião humano dispõe – para orientar-se em seu crescimento – de campos morfogenéticos que servirão de molde para a orelha, o braço, etc., cumprindo a função de arquétipos registrados no akasha ou luz astral. O DNA das nossas células não contém em si a memória genética, mas permite “sintonizar” com o campo morfogenético de uma maneira que é geneticarnente determinada, assim como a antena de um aparelho de televisão permite sintonizar com determinadas ondas emitidas pelas estações.


Mas Sheldrake tomou este conceito, limitado ao estudo do crescimento dos seres orgânicos, e o ampliou radicalmente, chamando-o de campo mórfico e aplicando-o a todas as áreas da natureza. Sua hipótese da causação formativa sugere que “os sistemas auto-organizadores, em todos os níveis – inclusive as moléculas, os cristais, os tecidos, organismos e sociedades de organismos –, são organizados por campos mórficos”.[3]


Esses campos mórficos podem ser considerados por um estudioso da tradição esotérica como uma espécie de estantes virtuais do akasha ou luz astral, onde “tudo está escrito” segundo os místicos. A memória humana, de acordo com este ponto de vista, não se localiza no cérebro físico. O cérebro é que sintoniza com os campos mórficos onde estão registradas as nossas impressões dos acontecimentos passados. Há pontos de coincidência enormes desta hipótese com as idéias de inconsciente coletivo e de “arquétipo” na obra de Carl Jung, que também se baseia na tradição esotérica.


“Deste ponto de vista”, escreve Sheldrake, “substâncias como a penicilina cristalizam-se do modo específico como fazem não porque são governadas por leis matemáticas permanentes, mas porque, antes, já se tinham cristalizado desta maneira; estão seguindo hábitos através da repetição.” Realmente, novas substâncias químicas sintetizadas pela primeira vez são normalmente difíceis de cristalizar, e passam a formar cristais mais facilmente à medida que a cristalização se repete. Essa incidência do passado sobre o presente é chamada por Sheldrake de ressonância mórfica. A ressonância causa “a influência do semelhante sobre o semelhante através do tempo e do espaço”, e não diminui com a distância física. Ela não transfere energia, mas sim informação, sugerindo como organizar a energia.


A hipótese de Sheldrake permite entender que os processos regulares da natureza são governados em alguns casos por hábitos herdados através da ressonância mórfica, e não apenas pelas leis eternas. Assim, os organismos vivos herdam não só genes mas também campos mórficos, ou auras. “Os genes são transferidos materialmente por seus ancestrais, e permitem produzir certos tipos de moléculas de proteínas; os campos mórficos são herdados de um modo não material, por ressonância mórfica, não apenas de ancestrais diretos, mas também de outros membros da espécie. O organismo sintoniza os campos mórficos da sua espécie e, desse modo, tem à sua disposição uma memória coletiva ou de grupo onde colhe informações para seu desenvolvimento” [4].


Aqui, Sheldrake continua incluindo em seu trabalho a idéia teosófica de akasha ou luz astral – a contrapartida sutil do mundo natural –, o livro da vida em que ficam registrados os fatos já ocorridos e onde também estão as sementes de fatos futuros. No reino animal, o carma de experiências acumuladas é predominantemente coletivo, enquanto no reino humano as almas já estão individualizadas e, embora haja um inconsciente coletivo, cada uma processa, fundamentalmente, as suas próprias experiências.


O conceito de campo mórfico corresponde também à idéia de aura. É na aura ou envelope áurico, segundo Helena Blavatsky, que se armazenam os resíduos do passado e as possibilidades para o futuro. Há, deste modo, uma clara ressonância mórfica entre as várias encarnações da mesma alma humana. É por esta ressonância que, em alguns casos, ocorre a lembrança de vidas passadas: a pessoa foca a consciência diretamente em um nível profundo do seu próprio campo mórfico e lê, no akasha ou luz astral, os registros de uma vida anterior, ou capta relances dela. A tentativa deliberada e artificial de conhecer vidas anteriores é enganosa, porque assim captamos apenas campos mórficos ilusórios.


O ponto de vista de Sheldrake permite explicar, também, as mudanças qualitativas de comportamento. Quando houver um número suficiente de pessoas sintonizadas com a energia da lei universal, e já estiver registrado no campo mórfico do nosso processo civilizatório um número suficiente de experiências acumuladas para que emerja uma civilização baseada na ética, a mudança de atitudes coletivas pode ser súbita, como no episódio famoso do “centésimo macaco”.


Conta-se que cientistas observaram o surgimento do hábito de alguns macacos lavarem na água da praia, antes de comerem, as batatas que ganhavam como ração. O exemplo dos pioneiros foi sendo seguido, aos poucos, por mais indivíduos. Quando o número de macacos que lavavam as batatas chegou a certo ponto – supostamente ao “centésimo macaco” – os macacos de outras ilhas distantes passaram a ter o mesmo comportamento inovador e mais inteligente.


A hipótese do campo mórfico e a idéia do akasha permitem explicar este fato. Assim, também, quando um número suficiente de pessoas houver adotado novas formas de viver e de trabalhar sintonizadas com o princípio da fraternidade universal, a transformação do cenário mundial pode ser muito rápida, ocorrendo como uma espécie de relâmpago cultural global – o ponto ômega de Teilhard de Chardin, a iluminação súbita da tradição zen.


A mudança de mentalidade já ocorre hoje em progressão geométrica, como uma bola de neve, embora deva passar necessariamente por estágios purificadores antes de se mostrar como uma primavera e um renascimento da ética da Fraternidade. Os meios de comunicação social serão usados possivelmente como instrumento físico desta propagação, mas a mudança fundamental se dá dentro do processo oculto que pode ser chamado tanto de campo mórfico como de luz astral, de akasha ou até de evolução cármica.


É verdade que estes vários conceitos não são iguais entre si. Eles mostram aspectos diferentes do mesmo processo complexo que ocorre em quatro dimensões e não nas três dimensões físicas conhecidas – comprimento, largura e espessura. O espaço astral tem quatro dimensões, e suas características não podem ser descritas verbalmente com exatidão.


De acordo com o conceito de evolução cármica, o carma positivo das novas atitudes, afinadas com a era de fraternidade universal que se aproxima, precisa amadurecer para que o todo da experiência humana seja transferido da velha “maneira de funcionar” para a nova forma de organização.


A experiência humana não avança ao acaso, mas evolui de maneiras determinadas, cuja estrutura é dada pelos campos mórficos. Estes campos garantem a vigência da lei do carma e do equilíbrio (ação e reação). É o registro das ações na luz astral ou akasha que permite e provoca as reações cármicas correspondentes. A ressonância mórfica é, assim, instrumento da lei do carma, pela qual todos os seres colhem o que plantam e tudo o que ocorre é registrado, produzindo os efeitos correspondentes no tempo adequado.


Sheldrake não fala de ocultismo nem de sabedoria eterna em seus textos científicos destinados a discutir a hipótese dos campos mórficos. Mas pessoalmente é um estudioso de teosofia e das tradições místicas, e, mesmo mantendo uma linguagem científica, ele afirmou em um artigo:


“Alguns aspectos desta hipótese lembram elementos de vários sistemas ocultos e tradicionais, como o conceito de corpo etérico, a idéia das almas-grupo de espécies animais, e a doutrina dos registros akáshicos. No entanto, esta hipótese é levantada em termos estritamente científicos, e como tal terá que ser julgada por testes empíricos.”[5] Realmente, a correspondência do campo mórfico com a aura sutil dos objetos e organismos vivos é notável.


Não há dúvida de que as teorias de Rupert Sheldrake e David Bohm são perfeitamente compatíveis uma com a outra. Em um diálogo com Bohm, a filósofa Renée Weber perguntou qual era, então, a diferença entre os dois enfoques.


“A diferença principal é que a ordem implícita é mais geral”, respondeu Bohm. “Deve-se considerar a ordem implícita como uma esfera além do tempo, uma totalidade a partir da qual cada momento é projetado na ordem explícita” – ou seja, no mundo visível. “Para cada momento projetado na ordem explícita”, afirma Bohm, “haverá outro movimento em que este momento será injetado ou ‘introjetado’ na ordem implícita.” [6]


Para Bohm, a cada momento de expansão segue um momento de retração. Esta é a lei do carma: a cada ação, há uma reação correspondente no sentido oposto. E assim se dá a pulsação de toda vida no universo. A cada dia, uma noite. Depois de cada vida física, um descanso longo antes da próxima encarnação. Depois de cada dia de trabalho, uma noite de sono. Depois de cada inspiração, uma expiração. O coração humano se expande e contrai a cada momento. E os elétrons, explica Bohm, também pulsam, embora sua vibração seja tão rápida que é impossível detectar convencionalmente este movimento. A teoria da ordem implícita estimula uma reflexão sobre as relações misteriosas entre o oculto e o manifesto, o reino espiritual e o reino material e humano. Já o enfoque mórfico de Rupert Sheldrake, mais prático, mostra a relação entre o mundo físico e a luz astral. As diferenças entre os dois pontos de vista são poucas, porque a teoria de Sheldrake, aparentemente limitada, pode ser levada às últimas conseqüências, explicando a formação e o descanso periódico dos universos, que são criados por ressonância mórfica. A principal diferença entre os enfoques de Bohm e Sheldrake parece estar no estilo e na formação dos dois pesquisadores, um físico e o outro biólogo.


De qualquer modo, livre dos dogmas materialistas, a ciência moderna está descobrindo a luz astral. É esta contraparte sutil e oculta, ou “implícita”, do mundo físico que orienta o trabalho de Fritjof Capra ao desenvolver, em seu livro “A Teia da Vida”, os conceitos de ecologia profunda e de visão sistêmica da vida. [7] A palavra akasha significa luz, ou éter, em sânscrito. Para Helena Blavatsky, é a substância primordial do universo. Eliphas Levi usou a expressão luz astral, que vem da cabala e corresponde ao nível mais denso da Alma do Mundo na tradição esotérica.


“Tem havido uma variedade infinita de nomes para expressar a mesma coisa”, escreveu Blavatsky em “Ísis Sem Véu”, obra publicada em 1877. “O caos dos antigos, o fogo sagrado do zoroastrismo, o fogo de Hermes, o Rá egípcio, a sarça ardente de Moisés, a luz sideral dos rosacruzes, os vapores do oráculo de Delfos, o akasha dos adeptos hindus, a luz astral de Eliphas Levi, a aura nervosa e o fluido dos magnetizadores, a força psíquica do sr. Crookes, o magnetismo atmosférico de alguns naturalistas (...) são apenas nomes diferentes dados a diversas manifestações externas da mesma causa misteriosa que a tudo permeia”, disse a escritora russa. [8]


Podemos incluir nesta relação, agora, a ordem implícita de David Bohm e o campo mórfico de Rupert Sheldrake. A compreensão deste tema, no entanto, não deve ser meramente intelectual. O caminho da ciência pode de agora em diante voltar a ser percorrido com o coração, como propõe Capra. Nas palavras do teosofista G. de Purucker, “é impossível compreender a sabedoria oculta sem perceber que a ética atravessa como um cordão de ouro todas as doutrinas da filosofia esotérica”.[9]


A conduta ética brota naturalmente quando buscamos a verdade, e quando percebemos a lei da unidade e da reciprocidade. Assim vemos como operam os campos mórficos e a luz astral.


Já existe, pois, uma corrente na ciência moderna que não só reconcilia a pesquisa científica com busca espiritual e uma compreensão filosófica do meio ambiente, mas também contribui para que o ser humano seja cada dia um pouco melhor – cada dia um pouco mais verdadeiro.



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Clonagem e Luz Astral


As experiências de clonagem de animais como ovelhas e macacos são, aparentemente, mais uma comprovação do conceito de campo mórfico criado por Rupert Sheldrake. Há várias décadas, Harold Saxton-Burr fez uma experiência para demonstrar que cada célula animal contém todas as informações genéticas do organismo a que pertence. Ele transplantou células especializadas no crescimento dos olhos de uma salamandra, colocando-as na cauda desse animal anfíbio. No novo ambiente eletromagnético, as células desativaram os genes das funções anteriores e ativaram os genes do crescimento da cauda, adaptando-se perfeitamente.


A clonagem que levou ao nascimento da ovelha Dolly, anunciada em fevereiro de 1997 pelo Instituto Roslin, da Escócia, foi feita a partir do núcleo de uma célula da mama de uma ovelha adulta, transplantado para um óvulo não-fecundado de outra ovelha, cujo núcleo havia sido retirado. Do ponto de vista esotérico, esse núcleo de célula serviu de ponto de apoio, ou funil, através do qual a forma arquetípica da ovelha adulta, presente na luz astral ou campo mórfico, foi “precipitada” ou “condensada” – como o vapor que se transforma em água –, transferindo-se para o plano físico. Outra imagem, usada por Sheldrake, é a de um aparelho de rádio, que capta ondas eletromagnéticas no ar e as condensa em forma de energia sonora. O núcleo da célula, que carrega todo o DNA do indivíduo, dá a forma particular como aquele ser sintoniza o mundo astral, absorve energia vital e evolui dentro de certo formato físico.


O mesmo processo ocorre no reino vegetal: a árvore não está presente em cada semente sua, mas a semente tem o poder de focar e dirigir a energia vital do mundo sutil, de modo que ela venha para o mundo físico. Guardadas as proporções, os vegetais que são reproduzidos por estaca – pequeno ramo que, plantado, reproduzirá a árvore ou arbusto de onde foi arrancado – oferecem um processo semelhante. Em ambos os casos, fica comprovado o antigo axioma hermético segundo o qual “o todo está contido em cada uma das suas partes”.

NOTAS:


[1] “The Friendly Philosopher”, Robert Crosbie, Theosophy Company, 1945, 416 pp., ver p. 91.


[2] “The Hypothesis of Formative Causation”, artigo de Rupert Sheldrake na revista The American Theosophist, outono de 1982, p. 357. O titulo do livro lançado em 1981 é A New Science of Life.

[3] “O Renascimento da Natureza”, de Rupert Sheldrake, Ed. Cultrix, 1993, 236 pp.; ver p. 116.
[4] “O Renascimento da Natureza”, p. 117.
[5] “The Hypothesis of Formative Causation”, The American Theosophist, outono de 1982, p. 360.
[6] “Diálogos com Cientistas e Sábios”, Renée Weber, Ed. Cultrix. 1988, 302 pp.; ver p. 123. Este livro contém diversos diálogos com Bohm e Sheldrake. Veja também “A Totalidade e a Ordem Implicada”, de David Bohm, Ed. Cultrix, 292 pp.
[7] “The Web of Life”, Fritjof Capra, Anchor Books, Doubleday, Nova York/Londres, 347 pp., 1996. Veja também os outros livros de Capra, especialmente “O Tao da Física” e “O Ponto de Mutação”, da Ed. Cultrix.


[8] “Ísis Sem Véu”, de H. P. Blavatsky, obra em quatro volumes, ed. Pensamento. Ver volume I, p. 20.


[9] “Occult Glossary, A Compendium of Oriental and Theosophical Terms”, G. de Purucker, Theosophical University Press, Pasadena, California, 1972, item “Ethics”, p. 46.



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Para saber mais sobre o livro “A Vida Secreta da Natureza”, de Carlos Cardoso Aveline, visite o site da editora Bodigaya: www.bodigaya.com.br .


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Campo morfogenético

Campo morfogenético
Origem: Wikipédia


Em evolução, campo morfogenético é o nome dado a um campo hipotético que explica a emergência simultânea da mesma função adaptativa em populações biológicas não-contígüas.

A hipótese dos campos morfogenéticos foi formulada por Rupert Sheldrake.

Segundo o holismo, os campos morfogenéticos são a memória coletiva a qual recorre cada membro da espécie e para a qual cada um deles contribui.

“Morfo vem da palavra grega morphe que significa forma. O campos morfogenéticos são campos de forma; campos padrões ou estruturas de ordem. Estes campos organizam não só os campos de organismos vivos mas também de cristais e moléculas. Cada tipo de molécula, cada proteína por exemplo, tem o seu próprio campo mórfico -a hemoglobina , um campo de insulina, etc. De um mesmo modo cada tipo de cristal, cada tipo de organismo, cada tipo de instinto ou padrão de comportamento tem seu campo mórfico. Estes campos são os que ordenam a natureza. Há muitos tipos de campos porque há muitos tipos de coisas e padrões dentro da natureza..."

Os campos morfogenéticos ou campos mórficos são campos que levam informações, não energia , e são utilizáveis através do espaço e do tempo sem perda alguma de intensidade depois tido sido criado. Eles são campos não físicos que exercem influência sobre sistemas que apresentam algum tipo de organização inerente. "

Os campos morfogenéticos agem sobre a matéria impondo padrões restritivos em processos de energia cujos resultados são incertos ou probabilísticos. Os Campos Mórficos funcionam modificando eventos probabilísticos . Quase toda a natureza é inerentemente caótica. Não é rigidamente determinada. Os Campos Mórficos funcionam modificando a probabilidade de eventos puramente aleatórios. Em vez de um grande aleatoriedade, de algum modo eles enfocam isto, de forma que certas coisas acontecem em vez de outras. É deste modo como eu acredito que eles funcionam.

“Campos mórficos são laços afetivos entre pessoas, grupos de animais - como bandos de pássaros, cães, gatos, peixes - e entre pessoas e animais. Não é uma coisa fisiológica, mas afetiva. São afinidades que surgem entre os animais e as pessoas com quem eles convivem. Essas afinidades é que são responsáveis pela comunicação.”

Um campo morfogenético não é uma estrutura inalterável mas que muda ao mesmo tempo, que muda o sistema com o qual esta associado. O campo morfogenetico de uma samambaia tem a mesma estrutura que o os campos morfogenético de samambaias anteriores do mesmo tipo. Os campos morfogenéticos de todos os sistemas passados se fazem presentes para sistemas semelhantes e influenciam neles de forma acumulativa através do espaço e o tempo.

A palavra chave aqui é " hábito ", sendo o fator que origina os campos morfogenéticos . Através dos hábitos os campos morfogenéticos vão variando sua estrutura dando causa deste modo às mudanças estruturais dos sistemas aos que estão associados.
Uma das primeiras experiências levadas a cabo por Sheldrake foi a dos ratos no laboratório. Foi recapturado do tempo em que ele começou a considerar os campos morfogeneticos. Consiste em ensinar a um grupo de ratos uma certa aprendizagem, por exemplo, sair de um labirinto, em certo lugar, por exemplo, Londres, para logo observar a habilidade de outros ratos em outro lugar então, por exemplo, Nova Iorque, deixar o labirinto. Esta experiência já foi levada a cabo em numerosas ocasiões dando resultados muito positivos.

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