Sistema Nervoso e Sistema Endócrino

Sistema Nervoso , Sistema Endócrino e Sistema Genital





Emoções



A teoria de James-Lange
Em nosso cotidiano geralmente dizemos que choramos porque estamos tristes, xingamos porque estamos zangados, trememos porque estamos com medo. Desta forma, segundo o senso comum, primeiro vem a consciência da emoção, e somente depois é que notamos as respostas fisiológicas.

Para o filósofo americano William James (1842-1910), há um equívoco neste modo de pensar. James sugeriu a seguinte interrogação: nós fugimos de um urso porque sentimos medo ou sentimos medo porque fugimos? A resposta óbvia do senso comum – fugimos porque sentimos medo – estava errada e James preconizou o contrário – sentimos medo porque fugimos.

O modo mais natural de pensarmos é que a percepção mental de certos fatos estimula a emoção consciente e que tal consciência dá origem à expressão corporal. A tese de James, pelo contrário, sustenta que as mudanças corporais decorrem diretamente da percepção do estímulo, e que a sensação destas mudanças no momento em que acontecem é a emoção.

De acordo com James a emoção é concebida como a tomada de consciência das modificações fisiológicas que são provocadas por determinados eventos. Desta forma, “nós nos sentimos tristes porque choramos, zangados porque brigamos, e assustados porque trememos.” (James, 1884). A idéia de James também foi proposta simultaneamente pelo fisiologista Dinamarquês Carl Lange (1834-1900) e ficou conhecida como teoria “James-Lange”.



Teorias Sobre o Papel das Estruturas Cerebrais
na Formação das Emoções



Comparação das teorias sobre as emoções de James-Lange e Cannon-Bard.
De acordo com a teoria de James-Lange (flexas vermelhas), o homem percebe o animal ameaçador e reage com manifestações físicas (neurovegetativas). Como consequência de tal reação física desprazerosa, ele desenvolve medo. Na teoria Cannon-Bard (flexas azuis), o estímulo ameaçador conduz, primeiro, ao sentimento de medo, o qual, então, causa a reação física.
No final do século passado, William James propôs que um indivíduo, após perceber um estímulo que, de alguma forma o afeta, sofre alterações fisiológicas perturbadoras, como palpitações, falta de ar, angústia, etc. E é precisamente o reconhecimento desses sintomas (pelo cérebro) que gera a emoção. Em outras palavras, as sensações físicas são a emoção. Em 1929, Walter Cannon refutou a teoria de James e apresentou uma outra, a qual, por sua vez, foi pouco depois modificada por Phillip Bard.


Em resumo, é a seguinte a teoria Cannon-Bard : quando o indivíduo se encontra diante de um acontecimento que, de alguma forma, o afeta, o impulso nervoso atinge inicialmente o tálamo e aí, a mensagem se divide. Uma parte vai para a córtex cerebral, onde origina experiências subjetivas de medo, raiva, tristeza, alegria, etc. A outra se dirige para o hipotálamo, o qual determina as alterações neurovegetativas periféricas (sintomas). Ou seja, por esta teoria, as reações fisiológicas e a experiência emocional são simultâneas. O erro essencial da teoria Cannon-Bard foi considerar a existência de um "centro" inicial (o tálamo) para a emoção.

O Circuito de Papez


Papez acreditava que a experiência da emoção era primariamente determinada pelo cortex cingulado, e secundariamente por outras áreas corticais. Pensava-se que expressão emocional era governada pelo hipotálamo. O giro cingulado se projeta ao hipocampo, e o hipocampo se projeta ao hipotálamo pelo caminho do feixe de axônios chamado fórnix. Impulsos hipotalâmicos alcançam o córtex via relé no núcleo talâmico anterior.

Mais recentemente, Paul MacLean, aceitando, em sua essência, a proposta de Papez, criou a denominação sistema límbico e acrescentou novas estruturas ao sistema: as córtices órbitofrontal e médiofrontal (área pré-frontal), o giro parahipocampal, e importantes grupamentos subcorticais : amigdala, núcleo mediano do tálamo, área septal, núcleos basais do prosencéfalo (região mais anterior do cérebro), e formações do tronco cerebral (veja na próxima página "As Estruturas do Sistema Límbico")
Mas logo, em 1937, o neuroanatomista James Papez demonstraria que a emoção não é função de centros cerebrais específicos e sim de um circuito, envolvendo quatro estruturas básicas, interconectadas por feixes nervosos : o hipotálamo com seus corpos mamilares, o núcleo anterior do tálamo, o giro cingulado e o hipocampo.(veja figura ao lado). Este circuito, o circuito de Papez, atuando harmonicamente, é responsável pelo mecanismo de elaboração das funções centrais das emoções (afetos), bem como de suas expressões periféricas (sintomas).




O Circuito de Papez
Descrito por James Papez em 1937, o circuito de Papez é uma dos principais vias do sistema límbico, e está intimamente envolvido no controle cortical das emoções. O circuito de Papez desempenha um importante papel no armazenamento da memória. Papez descobriu tal circuito injetando o vírus da raiva no hipocampo de um gato, acompanhando a sua posterior progressão pelo cérebro.

A via inicial descrita por Papez foi a seguinte: “Hipocampo – Fornix – Corpo Mamilar – Trato Mamilar – Núcleo Talâmico Anterior – Cápsula Interna – Giro Cingulato – Cíngulo – Giro Parahipocampal – Córtex entorrinal – Hipocampo.” O fisiologista sugeriu que os estados de emoção são expressos através da ação das diversas estruturas do circuito sobre o hipotálamo, e que tais emoções são vivenciadas através da ação destas mesmas estruturas sobre o córtex.

Depois destas observações, novos achados em neuroanatomia e nas funções cerebrais demonstraram que na verdade este circuito é ainda maior. De fato, ele inclui o córtex pré-frontal, a amígdala e o septo, além de outras áreas

Na superfície medial do cérebro dos mamíferos, o sistema límbico é a unidade responsável pelas emoções. É uma região constituída de neurônios, células que formam uma massa cinzenta denominada de lobo límbico.

Originou-se a partir da emergência dos mamíferos mais antigos. Através do sistema nervoso autônomo, ele comanda certos comportamentos necessários à sobrevivência de todos os mamíferos, interferindo positiva ou negativamente no funcionamento visceral e na regulamentação metabólica de todo o organismo.

Componentes do sistema límbico
Quanto às estruturas cerebrais na formação das emoções, são algumas das partes mais importantes do sistema límbico:

Amígdala: A destruição experimental das amígdalas (são duas, uma para cada um dos hemisférios cerebrais) faz com que o animal se torne dócil, sexualmente indiscriminativo, afetivamente descaracterizado e indiferente às situações de risco. O estímulo elétrico dessas estruturas provoca crises de violenta agressividade. Em humanos, a lesão da amígdala faz, entre outras coisas, com que o indivíduo perca o sentido afetivo da percepção de uma informação vinda de fora, como a visão de uma pessoa conhecida. Ele sabe quem está vendo mas não sabe se gosta ou desgosta da pessoa em questão. Localizada na profundidade de cada lobo temporal anterior, funciona de modo íntimo com o hipotálamo. É o centro identificador de perigo, gerando medo e ansiedade e colocando o animal em situação de alerta, apontando-se para fugir ou lutar.
Hipocampo: Envolvido com os fenômenos da memória de longa duração. Quando ambos os hipocampos (direito e esquerdo) são destruídos, nada mais é gravado na memória. Um hipocampo intacto possibilita ao animal comparar as condições de uma ameaça atual com experiências passadas similares, permitindo-lhe, assim, escolher qual a melhor opção a ser tomada para garantir sua preservação.
Tálamo: São lesões ou estimulações do dorso medial e dos núcleos anteriores que estão correlacionadas com as reações da reatividade emocional do homem e dos animais. A importância dos núcleos na regulação do comportamento emocional possivelmente decorre, não de uma atividade própria, mas das conexões com outras estruturas do sistema límbico. O núcleo dorso-medial conecta com as estruturas corticais da área pré-frontal e com o hipotálamo. Os núcleos anteriores ligam-se aos corpos mamilares no hipotálamo(e através destes, via fornix, com o hipocampo) e ao giro cingulado.
Hipotálamo: É parte mais importante do sistema límbico. Além de seus papéis no controlo do comportamento, essas áreas também controlam várias condições internas do corpo, como a temperatura, o impulso para comer e beber, etc. Essas funções internas são em conjunto denominadas funções vegetativas do encéfalo, e seu controlo está relacionado com o comportamento. Ele mantém vias de comunicação com todos níveis do sistema límbico. O hipotálamo desempenha, ainda, um papel nas emoções. Especificamente, as partes laterais parecem envolvidas com o prazer e a raiva, enquanto que a porção mediana parece mais ligada à aversão, ao desprazer e a tendência ao riso (gargalhada) incontrolavel. De um modo geral, contudo, a participação do hipotálamo é menor na gênese do que na expressão(manifestações sintomáticas) dos estados emocionais. Quando os sintomas físicos da emoção aparecem, a ameaça que produzem, retorna, via hipotálamo, aos centros límbicos e, destes, aos núcleos pré-frontais, aumentando, por um mecanismo de feed-back negativo, a ansiedade, podendo até chegar a gerar um estado de pânico. O Conhecimento desse fenômeno tem, como veremos adiante, importante sentido prático, dos pontos de vista clínico e terapêutico.
Giro cingulado: Situado na face medial do cérebro entre o sulco singulado e o corpo caloso, que é um feixe nervoso que liga os 2 hemisférios cerebrais. Há ainda muito por conhecer a respeito desse giro, mas sabe-se que a sua porção frontal coordena odores, e visões com memórias agradáveis de emoções anteriores. Esta região participa ainda, da reação emocional à dor e da regulação do comportamentto agressivo. A ablação do giro cingulado (cingulectomia) em animais selvagens, domestica-os totalmente. A simples secção de um feixe desse giro (cingulomia), interrompendo a comunicação neural do circuito de Papez, reduz o nível de depressão e de ansiedade pré-existentes.
Tronco cerebral: Região responsável pelas reações emocionais. Na verdade, apenas respostas reflexas de alguns vertebrados, como répteis e os anfíbios. As estruturas envolvidas são a formação reticular e o locus cérulus, uma massa concentrada de neurônios secretores de norepinefrina. É importante assinalar que, até mesmo em humanos, essas primitivas estruturas continuam participando, não só dos mecanismos de alerta, vitais para a sobrevivência, mas também da manutenção do ciclo vigília-sono.
Área tegmental ventral: Grupo de neurônios localizados em uma parte do tronco cerebral. Uma parte dele secreta dopamina. A descarga espontânea ou a estimulação elétrica dos neurônios da região dopaminérgica mesolímbica produzem sensações de prazer, algumas delas similares ao orgasmo. Indivíduos que apresentam, por defeito genético, redução no número de receptores das células neurais dessa área, tornam-se incapazes de se sentirem recompensados pelas satisfações comuns da vida e buscam alternativas "prazeirosas" atípicas e nocivas como, por exemplo, alcoolismo, cocainomania, compulsividade por alimentos doces e pelo jogo desenfreado.
Septo: Situado à frente do tálamo, por cima do hipotálamo. A estimulação de diferentes partes desse septo pode causar muitos efeitos comportamentais distintos. Anteriormente ao tálamo, situa-se a área septal , onde estão localizados os centros do orgasmo (quatro para mulher e um para o homem). Certamente por isto, esta região se relaciona com as sensações de prazer, mormente aquelas associadas às experiências sexuais.
Área pré-frontal: Não faz parte do Lobo límbico tradicional, mas suas intensas conexões com o tálamo, amígdala e outras sub-corticais, explicam o importante papel que desempenha na expressão dos estados afetivos. Está classicamente dividido em três áreas funcionais e anatómicas: a área dorsolateral, a área orbitofrontal e a área cingulada anterior.A área dorsolateral está relacionada com o raciocinio, permite a integração de percepções temporalmente descontinuas em componentes de acção dirigidos a um objectivo. A área orbitofrontal representa um interface entre os dominio afectivo/ emocional e a tomada de decisões centradas nos dominios pessoal e social. A área dorsolateral, funciona como um "secretário de direcção" da área dorsolateral, ao dirigir a atenção. Tem um papel igualmente importante na motivação do comportamento. As três áreas contribuem para o que se designa de "Funções Executivas". Quando o córtex pré-frontal é lesado , o indivíduo perde o senso de suas responsabilidades sociais (lesões orbitofrontais), bem como a capacidade de concentração e de abstração (lesões dorsolaterais). Em alguns casos, a pessoa, conquanto mantendo intactas a consciência e algumas funções cognitivas, como a linguagem, já não consegue resolver problemas, mesmo os mais elementares. Quando se praticava a lobotomia pré-frontal para tratamento de certos distúrbios psiquiátricos, os pacientes entravam em estado de "tamponamento afetivo", não mais evidenciando quaisquer sinais de alegria, tristeza, esperança ou desesperança. Em suas palavras ou atitudes não mais se vislumbravam quaisquer resquícios de afetividade.
O Sistema Nervoso

O SNC recebe, analisa e integra informações. É o local onde ocorre a tomada de decisões e o envio de ordens. O SNP carrega informações dos órgãos sensoriais para o sistema nervoso central e do sistema nervoso central para os órgãos efetores (músculos e glândulas).



O Sistema Nervoso Central

O SNC divide-se em encéfalo e medula. O encéfalo corresponde ao telencéfalo (hemisférios cerebrais), diencéfalo (tálamo e hipotálamo), cerebelo, e tronco cefálico, que se divide em: BULBO, situado caudalmente; MESENCÉFALO, situado cranialmente; e PONTE, situada entre ambos.



No SNC, existem as chamadas substâncias cinzenta e branca. A substância cinzenta é formada pelos corpos dos neurônios e a branca, por seus prolongamentos. Com exceção do bulbo e da medula, a substância cinzenta ocorre mais externamente e a substância branca, mais internamente.

Os órgãos do SNC são protegidos por estruturas esqueléticas (caixa craniana, protegendo o encéfalo; e coluna vertebral, protegendo a medula - também denominada raque) e por membranas denominadas meninges, situadas sob a proteção esquelética: dura-máter (a externa), aracnóide (a do meio) e pia-máter (a interna). Entre as meninges aracnóide e pia-máter há um espaço preenchido por um líquido denominado líquido cefalorraquidiano ou líquor.





O TELENCÉFALO

O encéfalo humano contém cerca de 35 bilhões de neurônios e pesa aproximadamente 1,4 kg. O telencéfalo ou cérebro é dividido em dois hemisférios cerebrais bastante desenvolvidos. Nestes, situam-se as sedes da memória e dos nervos sensitivos e motores. Entre os hemisférios, estão os VENTRÍCULOS CEREBRAIS (ventrículos laterais e terceiro ventrículo); contamos ainda com um quarto ventrículo, localizado mais abaixo, ao nível do tronco encefálico. São reservatórios do LÍQUIDO CÉFALO-RAQUIDIANO, (LÍQÜOR), participando na nutrição, proteção e excreção do sistema nervoso.

Em seu desenvolvimento, o córtex ganha diversos sulcos para permitir que o cérebro esteja suficientemente compacto para caber na calota craniana, que não acompanha o seu crescimento. Por isso, no cérebro adulto, apenas 1/3 de sua superfície fica "exposta", o restante permanece por entre os sulcos.



O córtex cerebral está dividido em mais de quarenta áreas funcionalmente distintas, sendo a maioria pertencente ao chamado neocórtex.



Cada uma das áreas do córtex cerebral controla uma atividade específica.

1. hipocampo: região do córtex que está dobrada sobre si e possui apenas três camadas celulares; localiza-se medialmente ao ventrículo lateral.

2. córtex olfativo: localizado ventral e lateralmente ao hipocampo; apresenta duas ou três camadas celulares.

3. neocórtex: córtex mais complexo; separa-se do córtex olfativo mediante um sulco chamado fissura rinal; apresenta muitas camadas celulares e várias áreas sensoriais e motoras. As áreas motoras estão intimamente envolvidas com o controle do movimento voluntário.





Imagem: McCRONE, JOHN. Como o cérebro funciona. Série Mais Ciência. São Paulo, Publifolha, 2002.



A região superficial do telencéfalo, que acomoda bilhões de corpos celulares de neurônios (substância cinzenta), constitui o córtex cerebral, formado a partir da fusão das partes superficiais telencefálicas e diencefálicas. O córtex recobre um grande centro medular branco, formado por fibras axonais (substância branca). Em meio a este centro branco (nas profundezas do telencéfalo), há agrupamentos de corpos celulares neuronais que formam os núcleos (gânglios) da base ou núcleos (gânglios) basais - CAUDATO, PUTAMEN, GLOBO PÁLIDO e NÚCLEO SUBTALÂMICO, envolvidos em conjunto, no controle do movimento. Parece que os gânglios da base participam também de um grande número de circuitos paralelos, sendo apenas alguns poucos de função motora. Outros circuitos estão envolvidos em certos aspectos da memória e da função cognitiva.





Imagem: BEAR, M.F., CONNORS, B.W. & PARADISO, M.A. Neurociências – Desvendando o Sistema Nervoso. Porto Alegre 2ª ed, Artmed Editora, 2002.







Algumas das funções mais específicas dos gânglios basais relacionadas aos movimentos são:

1. núcleo caudato: controla movimentos intencionais grosseiros do corpo (isso ocorre a nível sub-consciente e consciente) e auxilia no controle global dos movimentos do corpo.

2. putamen: funciona em conjunto com o núcleo caudato no controle de movimentos intensionais grosseiros. Ambos os núcleos funcionam em associação com o córtex motor, para controlar diversos padrões de movimento.

3. globo pálido: provavelmente controla a posição das principais partes do corpo, quando uma pessoa inicia um movimento complexo, Isto é, se uma pessoa deseja executar uma função precisa com uma de suas mãos, deve primeiro colocar seu corpo numa posição apropriada e, então, contrair a musculatura do braço. Acredita-se que essas funções sejam iniciadas, principalmente, pelo globo pálido.

4. núcleo subtalâmico e áreas associadas: controlam possivelmente os movimentos da marcha e talvez outros tipos de motilidade grosseira do corpo.

Evidências indicam que a via motora direta funciona para facilitar a iniciação de movimentos voluntários por meio dos gânglios da base. Essa via origina-se com uma conexão excitatória do córtex para as células do putamen. Estas células estabelecem sinapses inibitórias em neurônios do globo pálido, que, por sua vez, faz conexões inibitórias com células do tálamo (núcleo ventrolateral - VL). A conexão do tálamo com a área motora do córtex é excitatória. Ela facilita o disparo de células relacionadas a movimentos na área motora do córtex. Portanto, a conseqüência funcional da ativação cortical do putâmen é a excitação da área motora do córtex pelo núcleo ventrolateral do tálamo.



Imagem: BEAR, M.F., CONNORS, B.W. & PARADISO, M.A. Neurociências – Desvendando o Sistema Nervoso. Porto Alegre 2ª ed, Artmed Editora, 2002.



O DIENCÉFALO (tálamo e hipotálamo)



Todas as mensagens sensoriais, com exceção das provenientes dos receptores do olfato, passam pelo tálamo antes de atingir o córtex cerebral. Esta é uma região de substância cinzenta localizada entre o tronco encefálico e o cérebro. O tálamo atua como estação retransmissora de impulsos nervosos para o córtex cerebral. Ele é responsável pela condução dos impulsos às regiões apropriadas do cérebro onde eles devem ser processados. O tálamo também está relacionado com alterações no comportamento emocional; que decorre, não só da própria atividade, mas também de conexões com outras estruturas do sistema límbico (que regula as emoções).



O hipotálamo, também constituído por substância cinzenta, é o principal centro integrador das atividades dos órgãos viscerais, sendo um dos principais responsáveis pela homeostase corporal. Ele faz ligação entre o sistema nervoso e o sistema endócrino, atuando na ativação de diversas glândulas endócrinas. É o hipotálamo que controla a temperatura corporal, regula o apetite e o balanço de água no corpo, o sono e está envolvido na emoção e no comportamento sexual. Tem amplas conexões com as demais áreas do prosencéfalo e com o mesencéfalo. Aceita-se que o hipotálamo desempenha, ainda, um papel nas emoções. Especificamente, as partes laterais parecem envolvidas com o prazer e a raiva, enquanto que a porção mediana parece mais ligada à aversão, ao desprazer e à tendência ao riso (gargalhada) incontrolável. De um modo geral, contudo, a participação do hipotálamo é menor na gênese (“criação”) do que na expressão (manifestações sintomáticas) dos estados emocionais.





O TRONCO ENCEFÁLICO

O tronco encefálico interpõe-se entre a medula e o diencéfalo, situando-se ventralmente ao cerebelo. Possui três funções gerais; (1) recebe informações sensitivas de estruturas cranianas e controla os músculos da cabeça; (2) contém circuitos nervosos que transmitem informações da medula espinhal até outras regiões encefálicas e, em direção contrária, do encéfalo para a medula espinhal (lado esquerdo do cérebro controla os movimentos do lado direito do corpo; lado direito de cérebro controla os movimentos do lado esquerdo do corpo); (3) regula a atenção, função esta que é mediada pela formação reticular (agregação mais ou menos difusa de neurônios de tamanhos e tipos diferentes, separados por uma rede de fibras nervosas que ocupa a parte central do tronco encefálico). Além destas 3 funções gerais, as várias divisões do tronco encefálico desempenham funções motoras e sensitivas específicas.



Na constituição do tronco encefálico entram corpos de neurônios que se agrupam em núcleos e fibras nervosas, que, por sua vez, se agrupam em feixes denominados tractos, fascículos ou lemniscos. Estes elementos da estrutura interna do tronco encefálico podem estar relacionados com relevos ou depressões de sua superfície. Muitos dos núcleos do tronco encefálico recebem ou emitem fibras nervosas que entram na constituição dos nervos cranianos. Dos 12 pares de nervos cranianos, 10 fazem conexão no tronco encefálico.



Imagem: ATLAS INTERATIVO DE ANATOMIA HUMANA. Artmed Editora.

O CEREBELO

Situado atrás do cérebro está o cerebelo, que é primariamente um centro para o controle dos movimentos iniciados pelo córtex motor (possui extensivas conexões com o cérebro e a medula espinhal). Como o cérebro, também está dividido em dois hemisférios. Porém, ao contrário dos hemisférios cerebrais, o lado esquerdo do cerebelo está relacionado com os movimentos do lado esquerdo do corpo, enquanto o lado direito, com os movimentos do lado direito do corpo.

O cerebelo recebe informações do córtex motor e dos gânglios basais de todos os estímulos enviados aos músculos. A partir das informações do córtex motor sobre os movimentos musculares que pretende executar e de informações proprioceptivas que recebe diretamente do corpo (articulações, músculos, áreas de pressão do corpo, aparelho vestibular e olhos), avalia o movimento realmente executado. Após a comparação entre desempenho e aquilo que se teve em vista realizar, estímulos corretivos são enviados de volta ao córtex para que o desempenho real seja igual ao pretendido. Dessa forma, o cerebelo relaciona-se com os ajustes dos movimentos, equilíbrio, postura e tônus muscular.



Algumas estruturas do encéfalo e suas funções

Córtex Cerebral

Funções:

Pensamento
Movimento voluntário
Linguagem
Julgamento
Percepção



A palavra córtex vem do latim para "casca". Isto porque o córtex é a camada mais externa do cérebro. A espessura do córtex cerebral varia de 2 a 6 mm. O lado esquerdo e direito do córtex cerebral são ligados por um feixe grosso de fibras nervosas chamado de corpo caloso. Os lobos são as principais divisões físicas do córtex cerebral. O lobo frontal é responsável pelo planejamento consciente e pelo controle motor. O lobo temporal tem centros importantes de memória e audição. O lobo parietal lida com os sentidos corporal e espacial. o lobo occipital direciona a visão.




Cerebelo

Funções:

Movimento
Equilíbrio
Postura
Tônus muscular


A palavra cerebelo vem do latim para "pequeno cérebro”. O cerebelo fica localizado ao lado do tronco encefálico. É parecido com o córtex cerebral em alguns aspectos: o cerebelo é dividido em hemisférios e tem um córtex que recobre estes hemisférios.




Tronco Encefálico

Funções:

Respiração
Ritmo dos batimentos cardíacos
Pressão Arterial
Mesencéfalo

Funções:

Visão
Audição
Movimento dos Olhos
Movimento do corpo

O Tronco Encefálico é uma área do encéfalo que fica entre o tálamo e a medula espinhal. Possui várias estruturas como o bulbo, o mesencéfalo e a ponte. Algumas destas áreas são responsáveis pelas funções básicas para a manutenção da vida como a respiração, o batimento cardíaco e a pressão arterial.

Bulbo: recebe informações de vários órgãos do corpo, controlando as funções autônomas (a chamada vida vegetativa): batimento cardíaco, respiração, pressão do sangue, reflexos de salivação, tosse, espirro e o ato de engolir.

Ponte: Participa de algumas atividades do bulbo, interferindo no controle da respiração, além de ser um centro de transmissão de impulsos para o cerebelo. Serve ainda de passagem para as fibras nervosas que ligam o cérebro à medula.




Tálamo

Funções:

Integração Sensorial
Integração Motora
O tálamo recebe informações sensoriais do corpo e as passa para o córtex cerebral. O córtex cerebral envia informações motoras para o tálamo que posteriormente são distribuídas pelo corpo. Participa, juntamente com o tronco encefálico, do sistema reticular, que é encarregado de “filtrar” mensagens que se dirigem às partes conscientes do cérebro.




Sistema Límbico

Funções:

Comportamento Emocional
Memória
Aprendizado
Emoções
Vida vegetativa (digestão, circulação, excreção etc.)


O Sistema Límbico é um grupo de estruturas que inclui hipotálamo, tálamo, amígdala, hipocampo, os corpos mamilares e o giro do cíngulo. Todas estas áreas são muito importantes para a emoção e reações emocionais. O hipocampo também é importante para a memória e o aprendizado.


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Clique para consultar na Bioloja:

Apresentação: Sistema Nervoso 1: Neurônios, Sinapses, Neurotransmissores e Glia

Apresentação: Sistema Nervoso 2: Embriogênese, SN Central e SN Periférico

Apresentação: Fármacos do SNA

Apresentação: Tranqüilizantes e Sedativos

Transparências: Sistema Nervoso



Neurociências: Desvendando o Sistema Nervoso MARK F. BEAR & BARRY W. CONNORS & MICHAEL A. PARADISO - Artmed

Como o Cérebro Funciona JOHN MCCRONE
Tratado de Fisiologia Médica ARTHUR C. GUYTON & JOHN E. HALL

Fisiologia Humana e Mecanismos das Doenças ARTHUR C. GUYTON & JOHN E. HALL

Fisiologia Humana ARTHUR C. GUYTON
Atlas de Fisiologia Humana de Netter JOHN T. HANSEN & BRUCE M. KOEPPEN

Anatomia e Fisiologia Humana STANLEY W. JACOB & CLARICE ASHWORTH FRANCONE & WALTER J. LOSSOW








Artigos sobre a ação dos Feromonios

Nesta página você encontra links para matérias sobre Feromônios e algumas traduções de artigos internacionais, todos organizados pela ordem cronológica das publicações, com os mais recentes no topo. Boa leitura.

Dica: Os links em azul apontam para sites externos, e os links de cor verde para conteúdo que está dentro do nosso site.

G1: Suor masculino funciona como um afrodisíaco
Feromônio encontrado no suor dos homens (androstadienone) aumenta níveis de hormônio em mulheres. É a primeira vez que o efeito é comprovado por cientistas.

Leia a notícia completa no site G1

Folha: Lésbica reage como homem a feromônios femininos
Lésbicas são mais versáteis que homossexuais masculinos quando se trata de reconhecer o cheiros de parceiros ...

Leia a notícia completa na Folha Online

WebMD: Feromônios - Participantes em sua vida sexual
74% das pessoas que testaram um feromônios comercial chamado de Athena, desenvolvido pelo Dr. Cutler, experimentaram um aumento de abraços, beijos e relações sexuais.

Leia a tradução na íntegra

CNN: Estudo comprova que os humanos também reagem aos feromônios
Mas agora, pesquisadores na Universidade de Chicago afirmam que eles têm a primeira prova de que os humanos produzem e reagem aos feromônios.

Leia a tradução na íntegra

Artigo: Feromônio no suor do homem influi na saúde feminina
Matéria muito interessante publicada na Folha de São Paulo em 1989 sobre o início dos estudos científicos que comprovaram a existência dos feromônios no ser humano.

Leia o artigo na íntegra

Mais informações sobre Feromônios
Wikipedia: Feromônios
A palavra feromônio foi cunhada pelos cientistas Peter Karlson e Adolf Butenandt por volta de 1959 a partir do grego antigo féro "transportar" e órmon, particípio presente de órmao "excitar". Portanto, o termo já indica que se tratam de substâncias que provocam excitação ou estímulo.

Leia mais no Wikipedia

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O septum, que fica logo á frente do tálamo possui áreas que parecem ser vincula-

das á sensação de prazer, principalmente o orgasmo.



Aárea tegmental ventral do tronco cerebral (logo abauixo do tálamo) consiste

em vias dopaminpergicas que parecem ser responsáveis pela sensação de prazer.

Pessoas com dano nessa área tendem a ter dificuldade em obter prazer na vida e,

frrequentemente tornam-se aditos ao alcool, drogas, doces e jogo




Os ganglios basais (incluindo o nucleo caudato, o putamen, o globo pálido e a

substância nigra) situa-se ao lado do sistema límbico e são intimamente conecta

dos ao cérebro acima deles. Eles são responsáveis pelos comportamentos repe-

titivos, experiências de recompensa e focalização da atenção.

Fisiologia do Sono

O sono não é um estado que ocorre passivamente, mas sim, um estado que é ativamente gerado por regiões específicas do cérebro. Todas as funções do cérebro e do organismo em geral estão influenciadas pela alternância da vigília com o sono, sendo que este, restaura as condições que existiam no princípio da vigília precedente. O objetivo final do sono não é prover um período de repouso; ao contrário do que acontece durante a anestesia geral, no sono, aumenta-se de forma notável a freqüência de descargas dos neurônios, maiores do que os observados em vigília tranqüila.
No decorrer de uma noite de sono, os sistemas e funções fisiológicas sofrem alterações acompanhando os ciclos ultradianos. A cada momento do sono (REM e NREM) as respostas do organismo serão diferentes, as quais citaremos as principais:

Funções Cardiovasculares

A pressão arterial diminui durante o sono chegando a seu mínimo no sono NREM. Durante o sono pesado a pressão arterial sofre variações de até 40 mmHg, sendo que quando o indivíduo acorda o valor da pressão volta aos níveis normais. A freqüência cardíaca também diminui nesta fase de sono.

Funções Endócrinas

A conexão hipotálamo-hipófise é responsável pela união entre processos endócrinos e o sono, uma vez que a secreção de muitos hormônios obedece ao ciclo sono-vigília e pode ocorrer em momentos específicos do sono.

Vejamos alguns exemplos:

hormônios secretados em momentos específicos do sono:
O hormônio do crescimento (GH) é secretado principalmente no estágio 4 do sono NREM. Exercícios físicos podem estimular a secreção de GH diminuída por problemas neste período. A renina está associada ao ciclo REM e NREM.


Sono
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Sono (do latim somnu, com o mesmo significado) é um estado ordinário de consciência, complementar ao da vigília (ou estado desperto), em que há repouso normal e periódico, caracterizado, tanto no ser humano como nos outros animais superiores, pela suspensão temporária da atividade perceptivo-sensorial e motora voluntária.

Ao dizer-se complementar, em conjugação com ordinário, quer-se significar tão somente que, na maioria dos indivíduos (com destaque, aqui, para os humanos), tais estados de consciência alternam-se, complementando-se ordinária, periódica e regularmente.

O estado de sono é caracterizado por um padrão de ondas cerebrais típico, essencialmente diferente do padrão do estado de vigília, bem como do verificado nos demais estados de consciência. Dormir, nesta acepção, significa passar do estado de vigília para o estado de sono.

No ser humano, o ciclo do sono é formado por cinco estágios e dura cerca de noventa minutos (podendo chegar a 120 minutos). Ele se repete durante quatro ou cinco vezes durante o sono.

Do que se tem registro na literatura especializada, o período mais longo que uma pessoa já conseguiu ficar sem dormir foi de onze dias. Por curiosidade, Napoleão Bonaparte e Margaret Thatcher dormiam quatro horas por noite; já Albert Einstein precisava de dez horas de sono.[carece de fontes?]

Índice
[esconder]

1 Introdução
2 O Sono REM
3 O Sono NREM
4 O ciclo do sono
5 Factores Ambientais que Interferem no Sono
6 Referências mitológicas
7 Dicas de como dormir melhor
8 O dia do sono
9 Ver também
10 Referências
11 Ligações externas


[editar] Introdução




Uma criança adormecida

Pode definir-se sono como "um período de repouso para o corpo e a mente, durante o qual a volição e a consciência estão em inatividade parcial ou completa" [1]. Já FRIEDMAN (1995, 1827), define sono como "sendo o desencadear deliberado de uma alteração ou redução do estado consciente, que dura, em média 8 horas (...) tendo início sensivelmente à mesma hora, em cada período de 24 horas, e (...) resultando, geralmente, em sensação de energia física, psíquica e intelectual restabelecida".
Existem, pois, várias definições do sono apresentadas por diferentes autores, e, no geral, complementam-se umas às outras.
De acordo com FONTAINE, BRIGGS e POPE-SMITH (2001), o sono é importante para a recuperação da saúde em situação de doença, enquanto a privação deste pode afetar a regeneração celular assim como a total recuperação da função imunitária.
O sono divide-se em dois estágios fisiologicamente distintos:



REM (Rapid Eye Movement ou "Movimento Rápido dos Olhos"); e


NREM (Non Rapid Eye Movement ou "Movimento Não Rápido dos Olhos").
[editar] O Sono REM
O sono REM, caracteriza-se por uma intensa atividade registrada no Eletroencefalograma (EEG) seguida por flacidez, paralisia funcional, dos músculos esqueléticos. Nesta fase, a atividade cerebral é semelhante à do estado de vigília. Deste modo, o sono REM é também denominado por vários autores como sono paradoxal, podendo mesmo falar-se em estado dissociativo.
Nesta fase do sono, a atividade onírica é intensa, sendo sobretudo sonhos envolvendo situações emocionalmente muito fortes.
É durante essa fase que é feita integração da atividade cotidiana, isto é, a separação do comum do importante. Este representa 20 a 25% do tempo total de sono e surge em intervalos de sessenta a noventa minutos. É essencial para o bem-estar físico e psicológico do indivíduo.

[editar] O Sono NREM
O sono NREM (ou não-REM) ocupa cerca de 75% do tempo do sono e divide-se em quatro períodos distintos conhecidos como estágios 1, 2, 3 e 4.

Estágio 1:
Começa com uma sonolência. Dura aproximadamente cinco minutos. A pessoa adormece. É caracterizado por um EEG semelhante ao do estado de vigília. Esse estágio tem uma duração de um a dois minutos, estando o indivíduo facilmente despertável. Predominam sensações de vagueio, pensamentos incertos, mioclonias das mãos e dos pés, lenta contração e dilatação pupilar. Nessa fase, a atividade onírica está sempre relacionada com acontecimentos vividos recentemente.

Estágio 2:
Caracteriza-se por a pessoa já dormir, porém não profundamente. Dura cerca de cinco a quinze minutos. O eletroencefalograma mostra freqüências de ondas mais lentas, aparecendo o complexo K. Nessa fase, os despertares por estimulação táctil, fala ou movimentos corporais são mais difíceis do que no anterior estágio. Aqui a atividade onírica já pode surgir sob a forma de sonho com uma história integrada.

Estágio 3:
Tem muitas semelhanças com o estágio 4, daí serem quase sempre associados em termos bibliográficos quando são caracterizados. Nessas fases, os estímulos necessários para acordar são maiores. Do estágio 3 para o estágio 4, há uma progressão da dificuldade de despertar. Esse estágio tem a duração de cerca de quinze a vinte minutos.

Estágio 4:
São quarenta minutos de sono profundo. É muito difícil acordar alguém nessa fase de sono. Depois, a pessoa retorna ao terceiro estágio (por cinco minutos) e ao segundo estágio (por mais quinze minutos). Entra, então, no sono REM.

Este estágio NREM do sono caracteriza-se pela secreção do hormônio do crescimento em grandes quantidades, promovendo a síntese protéica, o crescimento e reparação tecidular, inibindo, assim, o catabolismo[2]. O sono NREM tem, pois, um papel anabólico, sendo essencialmente um período de conservação e recuperação de energia física.

[editar] O ciclo do sono
Um ciclo do sono dura cerca de noventa minutos, ocorrendo quatro a cinco ciclos num período de sono noturno. Segundo LAVIE (1998, 45), o número de ciclos por noite depende do tempo do sono, acrescentando, ainda, que "o sono de uma pessoa jovem é, habitualmente, composto por quatro ou cinco desses ciclos, com tendência à redução com o avançar da idade". No entanto, o padrão comum varia entre quatro a cinco ciclos.

Durante o sono, o indivíduo passa, geralmente por ciclos repetitivos, começando pelo estágio 1 do sono NREM, progredindo até o estágio 4, regride para o estágio 2, e entra em sono REM. Volta de novo ao estágio 2 e assim se repete novamente todo o ciclo.

Nos primeiros ciclos do sono, os períodos de NREM (mais concretamente o estágio 3 e 4) têm uma duração maior que o REM. À medida que o sono vai progredindo, os estágios 3 e 4 começam a encurtar e o período REM começa a aumentar. Na primeira parte do sono predomina o REM, sendo os períodos REM mais duradouros na segunda metade.

[editar] Factores Ambientais que Interferem no Sono
Segundo Phipps (1995) o sono é uma das muitas ocorrências biológicas que tem lugar à mesma hora, cada 24 horas. Este é marcado por uma intensa atividade cerebral e pela ocorrência de determinadas funções que são muito importantes para o organismo.

A necessidade diária de sono varia, não só de indivíduo para indivíduo (variação inter-individual), como também no mesmo indivíduo (variação intra-individual) de dia para dia. Existem vários factores que contribuem para a alteração do padrão de sono, nomeadamente factores físicos, sócio-culturais, psicológicos, ambientais, etc. Segundo um estudo efetuado por DLIN e colaboradores (citados por THELAN, 1996), dentro do ambiente temos então:

Ruído:
O ruído pode ser visto como um perigo ambiental que cria desconforto e pode interferir com o sono e repouso do doente, uma vez que activa o sistema nervoso simpático cuja estimulação é responsável pelo estado de vigília ou alerta do indivíduo.

Luz:
Muitas são as pessoas que apresentam um nível de sensibilidade elevado à luz, sendo por isso facilmente perturbadas durante o sono mesmo que seja uma luz de pouca intensidade.

Temperatura:
É importante que possa existir um maior controle sobre a temperatura do ambiente externo, e que este controle seja feito de forma cuidadosa. Tendo em conta que a temperatura corporal atinge o seu pico ao final da tarde ou princípio da noite e depois vai baixando progressivamente atingindo o ponto mais baixo ao início da manhã, uma diminuição ou um aumento da temperatura ambiente faz, geralmente, acordar a pessoa ou cria-lhe um certo desconforto que o impossibilita de dormir.

Também podem ocorrer "sensações" de fuga ou luta durante os últimos estágios do sono NREM, como ouvir o som do despertador tocando, o choro do bebê ou um chamado pelo seu nome.

Fonte: Corpo e Saúde, Seleções do Reader's Digest

[Referências mitológicas
[carece de fontes?]

Segundo mitologias gregas, o deus Hipnos seria a própria personificação do sono, e Oniro, a do sonho.

Dicas de como dormir melhor
[carece de fontes?]

Procure dormir e despertar sempre nos mesmos horários para facilitar o seu relógio interno (relógio biológico).
Evite bebidas alcoólicas.
Bebidas que contenham cafeína, tais como café, chá preto e chá mate, devem ser evitados antes de dormir, bem como refrigerantes (especialmente os cafeinados, tais como refrigerantes de cola).
Não fume.
O quarto de dormir deve ser silencioso, escuro e com temperatura amena.
Desligue a TV antes de se deitar e, de preferência, assista a televisão meia hora ou uma hora antes de ir para a cama.
A alimentação antes de dormir deve ser leve e de fácil digestão.
A atividade física facilita o sono se for feita regularmente pelo menos 4 horas antes de dormir.
Não tome remédios sem orientação médica.
Se você tem mais de 12 anos, evite dormir mais que 9 horas por dia, pois quanto mais horas de sono nessa idade, mais intensas são as trocas químicas realizadas no nosso corpo, e que se durarem por muito tempo poderão prejudicar seu dia com mal-estar, e pode até mesmo provocar enjôos.
"sono"

O SISTEMA NERVOSO



O Sistema Nervoso divide-se em Sistema Nervoso Central e Periférico. O Sistema Nervoso Central é formado pelo encéfalo e pela medula. O encéfalo divide-se em cérebro, cerebelo e tronco encefálico. O cérebro é formado pelo telencéfalo e pelo diencéfalo. O tronco encefálico divide-se em mesencéfalo, ponte e bulbo. O Sistema Nervoso Periférico é formado pelos nervos espinhais e cranianos, gânglios e receptores.

Os nervos são estruturas especializadas em conduzir impulsos para o Sistema Nervoso Central ( impulsos aferentes ) e para o Sistema Nervoso Periférico ( impulsos eferentes ). São formados por células altamente especializadas, os neurônios, possuindo um corpo celular com projeções denominadas dendritos e um prolongamento principal, o axônio. O impulso nervoso propaga-se no sentido dendrito-axônio.

Os gânglios são aglomerados de corpos de neurônios encontrados no Sistema Nervoso Periférico. Receptores são estruturas que se encontram nas terminações dos neurônios e que captam informações do ambiente levando-as ao SNC através dos nervos.



ORGANIZAÇÃO DO SISTEMA NERVOSO; FUNÇÕES BÁSICAS DAS SINAPSES E DAS SUBSTÂNCIAS TRANSMISSORAS.







O Sistema Nervoso controla os funções do nosso organismo. É através dele que recebemos informações do meio, muitas vezes nos recordamos dessas informações e até mesmo respondemos de maneira específica interagindo assim com o meio que nos envolve de forma precisa e altamente elaborada.

Os impulsos nervosos seguem através dos neurônios em sentido anterógrado, indo no sentido do dendrito para o axônio. O axônio, por sua vez, leva esse impulso aos dendritos do neurônio subseqüente ou a uma célula efetuadora como por exemplo uma célula muscular.

Entre um neurônio e outro existe um espaço denominado sinapse. A sinapse estabelece a ligação funcional entre dois neurônios, sendo importante para a modulação dos impulsos que aí seguem, além de ser considerada o ponto de união entre esses neurônios. Poder-se-ia considerar a sinapse como uma união mais funcional que física entre neurônios uma vez que a ligação física fica relegada a um plano aparentemente "virtual". As sinapses atuam de forma seletiva na transmissão do impulso nervoso, além de direcionar cada um desses impulsos para o local de atuação.

Cabe ressaltar que a árvore dendrítica de um neurônio pode receber diversas conexões sinápticas enquanto o axônio transmite o impulso de uma maneira centralizada.

O axônio possui ramificações que se propagam a várias regiões do sistema nervoso periférico em direção aos efetuadores, além de propagar o impulso aos dendritos do neurônio seguinte.

Os neurônios do Sistema Nervoso podem ser divididos de acordo com sua função, que pode ser sensitiva, integradora ou motora.

Os neurônios sensitivos recebem informações provenientes dos receptores e as levam aos neurônios integradores ou de associação, localizados no córtex cerebral.

Os neurônios de associação selecionam as informações sensitivas e elaboram a resposta, a qual deve seguir pelos neurônios motores ou efetuadores. A maior parte das informações sensitivas que têm acesso ao nosso sistema nervoso não é utilizada na elaboração de uma resposta. Grande parte das informações restantes são armazenadas para poderem depois ser reutilizadas nos processos de pensamento ou de resposta através do processo conhecido como memória. A maior parte deste armazenamento ocorre no córtex cerebral.

A função do sistema nervoso central pode ser classificada de acordo com três níveis principais. São eles o nível da medula espinhal, o nível cerebral inferior e o nível cerebral superior ou cortical.

O nível da medula espinhal está relacionado não apenas com a transmissão de impulsos do centro para a periferia e desta para o centro mas também com a realização de reflexos motores em resposta a um determinado estímulo.

O nível cerebral inferior está relacionado com a grande maioria das atividades subconscientes.

O nível cerebral superior armazena a grande maioria da nossa memória e é o responsável pelos complexos processos mentais que envolvem o pensamento. Costuma-se dizer que é o córtex que abre o mundo para nossa mente. É importante ressaltar que o córtex não funciona por si, dependendo por exemplo do estímulo da formação reticular para a manutenção do estado de vigília.

Quanto às sinapses, elas podem ser classificadas em químicas e elétricas. Quase todas as sinapses utilizadas pelo sistema nervoso central no ser humano são sinapses químicas.

Nas sinapses químicas o neurônio secreta uma substância conhecida como neurotransmissor, o qual age sobre proteínas receptoras na membrana do próximo neurônio para excitar o neurônio, inibi-lo ou modificar a sua sensibilidade de algum outro modo. Entre os neurotransmissores mais conhecidos temos a acetilcolina, noradrenalina, serotonina, histamina, ácido gama-aminobutírico ( GABA ) e glutamato.

As sinapses elétricas são conhecidas por apresentarem canais elétricos que transmitem a eletricidade diretamente de uma célula à outra. Ao contrário das sinapses elétricas, as sinapses químicas conduzem o impulso em sentido único.

O neurônio que secreta o transmissor é chamado de neurônio pré-sináptico enquanto o neurônio sobre o qual age o transmissor é chamado de neurônio pós-sináptico.

O neurônio pré-sináptico possui terminações pré-sinápticas ou botões pré-sinápticos que possuem em seu interior duas estruturas importantes: as vesículas de transmissor e as mitocôndrias. A terminação pré-sináptica está separada do soma neural pós-sináptico, o qual possui proteínas receptoras, através da fenda sináptica.

Quando a onda de despolarização que caracteriza o impulso chega à terminação pré-sináptica, esta faz com que as vesículas transmissoras liberem o neurotransmissor na fenda sináptica, o qual irá agir sobre as proteínas receptoras do neurônio pós-sináptico alterando a permeabilidade da membrana, o que leva à excitação ou inibição do neurônio pós-sináptico dependendo da característica do receptor.

Nas proximidades da membrana pré-sináptica, diferentemente das outras regiões da membrana do neurônio pré-sináptico, encontra-se uma grande quantidade de íons cálcio no meio extracelular. A chegada da onda de despolarização faz com que grande quantidade de íons cálcio passem para o interior da célula nessa região, e a quantidade de íons cálcio que para o meio intracelular nesse momento está diretamente relacionada com a quantidade de neurotransmissor a ser liberado.

A substância transmissora age sobre o neurônio pós-sináptico de duas maneiras diferentes: através de um componente de fixação do neurônio pós-sináptico que se projeta na fenda sináptica e se liga ao neurotransmissor da terminação pré-sináptica, ou através de um componente ionóforo que pode ser um canal iônico ou um ativador do tipo "segundo-mensageiro".

Há vários tipos de sistemas de "segundos-mensageiros", entre os quais a utilização de um grupo de proteínas denominadas proteínas G, a ativação de monofosfato cíclico de adenosina ( AMP ), a ativação de monofosfato cíclico de guanosina ( GMP ), a ativação de uma ou mais enzimas celulares e a ativação da transcrição gênica.

Depois que uma substância transmissora é liberada numa sinapse, essa substância deve ser removida. Isso ocorre, por exemplo, por meio de uma enzima específica.

Com relação ao efeito da excitação sináptica sobre a membrana pós-sináptica, deve ser considerado o conceito de Potencial Pós-Sináptico Excitatório ou PPSE.

A liberação de um neurotransmissor aumenta a permeabilidade da membrana aos íons sódio. A entrada desses íons na membrana pós-sináptica diminui a negatividade das cargas no interior do neurônio pós-sináptico. Esse aumento de cargas positivas no interior do neurônio pós-sináptico e conseqüente diminuição da negatividade denomina-se Potencial Pós-Sináptico Excitatório.

Quando o potencial pós-sináptico excitatório sobe suficientemente, atinge um ponto no qual este inicia um potencial de ação no neurônio. Esse ponto é conhecido como o limiar da excitabilidade. Esse potencial de ação começa no segmento inicial do axônio que abandona o soma neuronal, devido ao fato de que o soma possui poucos canais de sódio voltagem-dependentes enquanto o axônio possui quantidade maior desses canais.

Assim, o PPSE pode formar o potencial de ação no axônio com muito mais facilidade que no soma. As sinapses inibitórias sobre a membrana pós-sináptica trouxeram o conceito de Potencial Pós-Sináptico Inibitório ou PPSI.

Se, por um lado, as sinapses excitatórias abrem os canais de sódio, por outro as sinapses inibitórias abrem os canais de cloreto. A entrada de íons cloreto e saída de íons potássio produzem uma hiperpolarização da membrana pós-sináptica, o que torna mais difícil ainda de ser atingido o limiar de excitação. Na ausência de uma sinapse inibitória, os íons cloreto encontram-se em maior quantidade no exterior devido à quantidade de cargas negativas no interior da célula.

Existe um outro tipo de inibição conhecido como inibição pré-sináptica, onde cargas negativas cancelam as cargas positivas no próprio terminal pré-sináptico. Na maioria dos casos, a substância inibitória liberada é o GABA.

A formação de um potencial de ação depende de alguns fatores, como a somação espacial, ou seja, a quantidade de área estimulada, a somação temporal, desde que os estímulos ocorram em intervalos de tempo suficientemente rápidos e a facilitação dos neurônios, no caso daqueles que se encontram próximos do limiar de disparo.

O estado excitatório de um neurônio é definido como o grau somado dos impulsos excitatórios ao neurônio. Se houver maior excitação que inibição, o neurônio está em um estado excitado. Se houver maior inibição, o neurônio está em um estado inibitório.













EMBRIOLOGIA DO SISTEMA NERVOSO:



O Sistema Nervoso origina-se de um espessamento do ectoderma situado acima da notocorda denominado placa neural. A placa neural cresce e surge um sulco longitudinal, o sulco neural ao lado do qual aparecem as duas pregas neurais que se unem para formar o tubo neural.

De cada lado do tubo neural interpondo-se entre este e o ectoderma embrionário forma-se uma crista neural, que irá dar origem aos elementos sensitivos do Sistema Nervoso Periférico como os nervos cranianos, espinhais e viscerais e os gânglios autônomos, cranianos e espinhais.

Durante o fechamento do tubo neural, persistem dois orifícios em suas extremidades superior e inferior: o neuróporo rostral e o neuróporo caudal.

A parte cranial do tubo neural sofre uma dilatação que origina o encéfalo primitivo ou arquencéfalo. A parte caudal não passa por nenhuma dilatação significativa e origina a medula no adulto, que corresponde à medula primitiva do embrião.

O encéfalo primitivo ou arquencéfalo dá origem às três vesículas encefálicas primárias ou prosencéfalo, mesencéfalo e rombencéfalo. O prosencéfalo dá origem ao telencéfalo e ao diencéfalo. O mesencéfalo continua com a mesma denominação e o rombencéfalo origina o metencéfalo e o mielencéfalo. O metencéfalo origina o cerebelo e a ponte. O mielencéfalo origina o bulbo.

O sistema nervoso também pode ser dividido segundo a sua segmentação ou metameria em sistema nervoso segmentar, constituído pela medula e tronco encefálico, e sistema nervoso supra-segmentar, formado pelo cérebro e cerebelo.

O encéfalo primitivo compreende a região do tubo neural cefálica ao quarto par de somitos. A porção do tubo neural caudal ao quarto par de somitos corresponde à medula.

Durante seu desenvolvimento o tubo neural sofre algumas dobras denominadas flexuras cefálica, cervical e pontina. A flexura cefálica ocorre ventralmente ao nível do mesencéfalo e a flexura cervical ventralmente entre o rombencéfalo e a medula espinhal. A flexura pontina ocorre dorsalmente na futura linha de divisão entre o metencéfalo e o mielencéfalo.



TELENCÉFALO:



O telencéfalo é formado pelos hemisférios cerebrais e por comissuras que se situam próximo ao plano mediano: o corpo caloso, a lâmina terminal, a comissura anterior,o fórnix e a comissura posterior ou comissura epitalâmica. Divide-se em lobos frontal, temporal, parietal, occipital e, mais internamente, o lobo da insula.

Os dois hemisférios cerebrais são parcialmente separados pela fissura longitudinal do cérebro, sendo que sua união ocorre ao nível das comissuras telencefálicas. A superfície do telencéfalo é dividida em três faces: supero lateral, convexa, medial, plana, e inferior com característica irregular. Os pólos cerebrais são o pólo frontal, temporal e occipital.

O telencéfalo possui sulcos que delimitam giros. A localização dos sulcos e giros é variável. Entretanto, alguns são mais comuns e sua identificação facilita o estudo do telencéfalo em suas diferentes regiões. O sulco central ou sulco de Rolando localiza-se superiormente e de maneira perpendicular à fissura longitudinal e divide os lobos frontal e parietal. O sulco lateral ou sulco de Sylvius divide os lobos frontal, parietal e occipital superiormente do lobo temporal inferiormente. Junto com o sulco central, o sulco lateral delimita o lobo frontal.

Anteriormente e paralelo ao sulco central encontra-se o sulco pré central que delimita com o sulco central o giro pré central. Posteriormente e paralelo ao sulco central encontra-se o sulco pós central delimitando com este o giro pós central.

Partindo em sentido perpendicular ao sulco pré central e seguindo em direção ao pólo frontal localiza-se o sulco frontal superior. Acima deste sulco está o giro frontal superior. Abaixo do sulco frontal superior está o sulco frontal inferior. Entre os sulcos frontal superior e inferior encontra-se o giro frontal médio. Abaixo do sulco frontal inferior localiza-se o giro frontal inferior.

O sulco lateral divide-se em partes anterior, ascendente e posterior, sendo a última uma continuação do próprio sulco lateral. As partes anterior e ascendente do sulco lateral dividem o giro frontal inferior em três porções: orbital, triangular e opercular, respectivamente, em sentido antero-posterior.

O giro frontal inferior esquerdo também é conhecido como giro de Broca, centro cortical da palavra falada.

O assoalho da parte interna do sulco lateral, pertencente ao lobo temporal, possui os giros temporais transversos, sendo o giro temporal transverso anterior o centro cortical da audição.

Inferiormente e paralelo ao sulco lateral situa-se o sulco temporal superior. Entre os sulcos lateral e temporal superior encontra-se o giro temporal superior. Abaixo do sulco temporal superior está o sulco temporal inferior. Entre os sulcos temporal superior e inferior encontra-se o giro temporal médio e abaixo do sulco temporal inferior está localizado o giro temporal inferior, limitado inferiormente pelo sulco occipito temporal.

Perpendicularmente ao sulco pós central e seguindo em direção ao pólo occipital situa-se o sulco intraparietal, que divide o lobo parietal em lóbulo parietal superior e inferior. O lóbulo parietal inferior divide-se em giro supra marginal e angular.

A separação do lobo occipital dos demais lobos não é muito definida. Traça-se uma linha imaginária que vai do sulco parieto occipital, na face medial do cérebro, até a incisura pré occipital. No meio dessa linha imaginária e partindo perpendicularmente em direção à terminação do sulco lateral traça-se outra linha imaginária, a qual delimitará o lobo temporal do lobo parietal.

Inferiormente e medialmente ao sulco occipitotemporal encontra-se o sulco colateral, que delimita com este o giro occipitotemporal lateral. Medialmente ao sulco colateral localiza-se o sulco calcarino, na face medial do cérebro correspondendo ao lobo occipital. O sulco calcarino continua-se infero-medialmente no sulco do hipocampo. Entre o sulco calcarino e o sulco colateral está o giro occipitotemporal medial. Entre o sulco do hipocampo e o sulco colateral está localizado o giro parahipocampal, que se continua anteriormente no úncus.

Na face medial do cérebro encontra-se uma estrutura branca e arqueada que une os dois hemisférios. É o corpo caloso, a maior das comissuras inter-hemisféricas. A parte posterior do corpo caloso denomina-se esplênio, a porção média constitui o tronco do corpo caloso, anteriormente ao tronco encontra-se o joelho e, inferiormente ao joelho, o rostro do corpo caloso. O rostro do corpo caloso continua-se inferiormente na lâmina terminal, esta delimitando anteriormente o diencéfalo.

Inferiormente ao corpo caloso encontra-se o fórnix que, juntamente com a cápsula interna, une o córtex aos centros subcorticais através de suas fibras de projeção. Acima da cápsula interna as fibras de projeção recebem em conjunto o nome de coroa radiada. O fórnix possui duas pernas, posteriormente, que partem do hipocampo e se unem no plano mediano do cérebro, separando-se novamente em sua porção anterior para formar as colunas direita e esquerda do fórnix. Estas, por sua vez, terminam nos corpos mamilares que fazem parte do hipotálamo, estrutura do diencéfalo.

O fórnix possui importância significativa no conhecido circuito de Papez, relacionado com o sistema límbico. No local da união das duas pernas do fórnix para formar o corpo do fórnix, há cruzamento de fibras que passam de um lado a outro. Essa região é denominada comissura do fórnix.

Entre o fórnix e o corpo caloso há uma lâmina dupla de tecido nervoso que separa os dois ventrículos laterais denominada septo pelúcido. A lâmina dupla que constitui o septo pelúcido delimita a cavidade do septo pelúcido.

As comissuras telencefálicas são estruturas que unem um lado ao outro do telencéfalo. São todas visíveis em um corte sagital mediano. A comissura anterior está entre a lâmina terminal e o quiasma óptico. A comissura posterior localiza-se no epitálamo.

Acompanhando o corpo caloso em seu trajeto encontra-se o sulco do corpo caloso. Superiormente ao sulco do corpo caloso e em sentido quase paralelo está o sulco do cíngulo que, juntamente com o sulco do corpo caloso, delimita o giro do cíngulo. O giro do cíngulo estreita-se posteriormente para formar o istmo do giro do cíngulo, o qual se liga ao giro parahipocampal localizado abaixo do diencéfalo. Esses três giros são importantes pois fazem parte do sistema límbico, relacionado principalmente com o comportamento emocional.

O sulco do cíngulo ascende anteriormente para formar o sulco para-central e, posteriormente, forma um outro ramo ascendente, o ramo marginal, e continua-se posteriormente para formar o sulco subparietal. Entre o sulco para-central e o sulco marginal localiza-se o lóbulo para-central. O lóbulo para-central é dividido superiormente pelo sulco central que atinge a face medial do cérebro e o divide em duas regiões. A região do lóbulo para-central anterior ao sulco central está relacionada com a motricidade do membro inferior e a região posterior ao sulco central está relacionada com a sensibilidade do membro inferior.

Anteriormente ao lóbulo para-central encontra-se a parte medial do giro frontal superior. Posteriormente ao sulco marginal encontra-se o sulco parietooccipital, o qual delimita com o sulco marginal uma região denominada pré cúneos e divide o lobo parietal do occipital. No lobo occipital encontra-se o sulco calcarino, nos lábios do qual está localizado o centro cortical da visão. O sulco calcarino e o sulco parieto-occipital delimitam uma área denominada cúneos.









DIENCÉFALO:



O diencéfalo é formado pelo hipotálamo, tálamo, subtálamo e epitálamo. O hipotálamo compreende também o quiasma óptico, o túber cinéreo, o infundíbulo e os corpos mamilares. O sulco hipotalâmico separa o hipotálamo do tálamo, que se situa logo acima. O sulco hipotalâmico estende-se do forame interventricular ao aqueduto cerebral. O subtálamo está na região de transição entre o diencéfalo e o mesencéfalo. O epitálamo é formado pela comissura posterior, pela glândula pineal e pela comissura das habênulas.

Anteriormente, o diencéfalo é limitado pela lâmina terminal. Estão relacionados com o hipotálamo diversos aspectos da sensibilidade, regulação da homeostase interna do organismo utilizando-se para isso do sistema nervoso autônomo além de necessidades de manutenção da vida e da espécie como a sede, a fome e o sexo. Além do comportamento emocional, auxilia na regulação da temperatura corpórea através do centro termo-regulador, é extremamente importante no mecanismo do sono e da vigília, na regulação da ingestão de alimentos e de água, na diurese e no sistema endócrino.

O tálamo possui núcleos que se dividem em cinco grupos: anterior, posterior, mediano, medial e lateral. O grupo anterior compreende núcleos situados no tubérculo anterior do tálamo. O grupo posterior compreende o pulvinar e os corpos geniculados medial e lateral. O grupo mediano compreende núcleos localizados próximo ao plano sagital mediano, na aderência intertalâmica ou na substância cinzenta periventricular. O grupo medial compreende núcleos situados dentro da lâmina medular interna.

Funcionalmente, o tálamo relaciona-se com a sensibilidade, motricidade, comportamento emocional e com a ativação do córtex, envolvendo o sistema ativador reticular ascendente. O subtálamo tem como núcleo principal o núcleo subtalâmico e possui em comum com o mesencéfalo o núcleo rubro, a substância negra e a formação reticular. O epitálamo está em sua maior parte relacionado com o sistema límbico e possui uma porção endócrina formada pela glândula pineal ou epífise.



ESTRUTURA E FUNÇÕES DO HIPOTÁLAMO:



O hipotálamo está localizado nas paredes laterais do terceiro ventrículo e sua porção inferior constitui o assoalho da porção anterior do diencéfalo. Está relacionado com o controle dos mecanismos homeostáticos e viscerais, neuroendócrino e do sistema nervoso vegetativo ou autônomo participando também dos fenômenos emocionais.

É formado principalmente por substância cinzenta que se agrupa em núcleos, apresentando também fibras mielínicas que estabelecem diversos tipos de conexões, das quais muitas não foram ainda elucidadas. Por suas características estruturais é considerado por alguns autores como sendo a extensão anterior da formação reticular.

Superiormente é limitado pelo sulco hipotalâmico, o qual prolonga-se do aqueduto cerebral aos forames interventriculares. Acima do sulco hipotalâmico encontra-se o tálamo, anteriormente, e o epitálamo, posteriormente.

Cada lado do hipotálamo é dividido pelo fórnix em área lateral e área medial. A área medial apresenta os principais núcleos hipotalâmicos enquanto a área lateral é percorrida por fibras que constituem o feixe prosencefálico medial.

Inferiormente, o hipotálamo apresenta algumas estruturas facilmente identificáveis que são o quiasma óptico, o túber cinéreo, o infundíbulo e os corpos mamilares. Em função dessas estruturas, o hipotálamo é dividido em supra-óptico, tuberal e mamilar.

O hipotálamo supra-óptico compreende as regiões do quiasma óptico e as paredes laterais do terceiro ventrículo imediatamente acima até o sulco hipotalâmico. Possui os núcleos supra-óptico, supraquiasmático e paraventricular.

O hipotálamo tuberal compreende o túber cinéreo, o infundíbulo e as regiões acima nas paredes do terceiro ventrículo até o sulco hipotalâmico. Possui os núcleos ventromedial, dorsomedial e arqueado ou infundibular.

O hipotálamo mamilar é formado pelos corpos mamilares e pelas paredes laterais do terceiro ventrículo acima dos corpos mamilares até o sulco hipotalâmico. Possui os núcleos mamilares e o núcleo posterior.

Como controlador do sistema nervoso autônomo, o hipotálamo recebe todos os impulsos viscerais aferentes a partir do núcleo do tracto solitário.

A porção anterior do hipotálamo controla principalmente o sistema nervoso parassimpático, realizando, entre outras funções, o controle no que se refere à prevenção do aumento da temperatura, causando vasodilatação e sudorese, enquanto a porção posterior controla predominantemente o sistema nervoso simpático, atuando de forma a manter a temperatura do organismo constante provocando vasoconstrição quando necessário.

Quanto aos impulsos eferentes que agem sobre o sistema nervoso autônomo, estes realizam sua ação sobre os neurônios pré-ganglionares da medula espinhal.

Em casos de invasão por bactérias, o organismo inicia um processo inflamatório que termina por liberar interleucina I na circulação, a qual irá agir como pirógeno endógeno no centro termo-regulador do hipotálamo causando o fenômeno da febre ou hipertermia neurogênica.

A estimulação do hipotálamo posterior causa a conhecida síndrome do lutar ou fugir ( to fight ou to flight ) desencadeada por intensa liberação de noradrenalina na circulação.

Também é reconhecido que existem no hipotálamo áreas de recompensa e de punição, sendo que o indivíduo procura sempre estimular as áreas de recompensa e se esquivar da estimulação nas áreas de punição.

Uma estimulação do núcleo ventromedial causa sensação de saciedade enquanto a destruição do núcleo ventromedial causa hiperfagia e obesidade. O centro da fome localiza-se no hipotálamo lateral, assim como o centro da sede. Entre as principais conexões do hipotálamo, destacam-se aquelas com o sistema límbico:

- Hipocampo: liga-se pelo fórnix aos núcleos mamilares, de onde os impulsos seguem ao núcleo anterior do tálamo através do fascículo mamilo-talâmico.

- Área Septal: liga-se ao hipotálamo através do feixe prosencefálico medial, o qual se estende à formação reticular no tegmento do mesencéfalo.

A área pré-frontal mantém conexões com o hipotálamo diretamente ou através do núcleo dorsomedial do tálamo.

O hipotálamo também possui conexões eferentes com a hipófise para o controle do sistema endócrino. A hipófise, também conhecida como pituitária ou glândula de Vesálius, é dividida em adenohipófise, anterior, e neurohipófise, posterior. A adenohipófise origina-se do ectoderma oral a partir da bolsa de Rahtke e a neurohipófise origina-se do neuroectoderma.

A adenohipófise armazena hormônios hipotalâmicos como o hormônio luteinizante, LH, o hormônio folículo-estimulante, FSH, a prolactina que induz a produção de leite pelas glândulas mamárias e vários hormônios de crescimento. Essas substâncias passam do hipotálamo à adenohipófise através do sistema porta hipofisário.

A neurohipófise armazena hormônios hipotalâmicos como o hormônio anti-diurético, ADH ou vasopressina, e a ocitocina que auxilia nas contrações uterinas durante o parto e na estimulação das células mioepiteliais das glândulas mamárias. A ligação funcional entre o hipotálamo e a neurohipófise é feita pelo tracto hipotálamo-hipofisário.



SUBTÁLAMO:



O subtálamo é uma região de transição entre o diencéfalo e o mesencéfalo. Apresenta como principal formação exclusiva o núcleo subtalâmico que se liga ao globo pálido através do circuito pálido-subtálamo-palidal, o qual está relacionado com a regulação da motricidade somática.

Estruturas encontradas no subtálamo como o núcleo rubro, a substância negra e a formação reticular são provenientes do mesencéfalo e caracterizam a zona incerta do subtálamo. A zona incerta recebe fibras do córtex motor e estabelece conexões em relação aos impulsos vestibulares e visuais.



EPITÁLAMO:



O epitálamo está localizado na região póstero-superior do diencéfalo e apresenta formações endócrinas e não endócrinas.

A principal formação endócrina é a glândula pineal ou epífise e as não endócrinas são a comissura posterior, através da qual passam fibras que ligam a área pré-tectal ao núcleo de Edinger-Westphal, relacionado com o reflexo consensual, o trígono das habênulas, que contém os núcleos habenulares, a comissura das habênulas e as estrias medulares, que recebem fibras da área septal levando-as aos núcleos habenulares, de onde o impulso segue aos núcleos interpedunculares do mesencéfalo através do fascículo retroflexo estabelecendo, posteriormente, conexões com a formação reticular.

A função secretora da glândula pineal foi evidenciada em 1958 por Lerner et al quando ficou constatado que os pinealócitos, células parenquimatosas ricas em serotonina, são capazes de transformar a serotonina em melatonina, o principal hormônio secretado pela pineal, em função da liberação de noradrenalina pelas fibras do sistema nervoso simpático. As duas principais funções ligadas à pineal são a regulação dos ritmos circadianos e a inibição do desenvolvimento das gônadas.

Durante a escala evolutiva, os peixes, anfíbios e alguns répteis desenvolveram uma pineal sensitiva, a qual recebe raios luminosos diretamente através do crânio. Nos mamíferos, em especial o homem, a pineal também estabelece ligação com os impulsos visuais através de conexões da retina com o núcleo supraquiasmático e deste com a glândula. Dessa forma, os impulsos visuais regulam os níveis de melatonina na circulação. Durante o dia o nível de melatonina no sangue circulante é baixo, aumentando várias vezes durante a noite.

A ação inibidora da pineal sobre o desenvolvimento das gônadas foi comprovada em animais pinealectomizados que entravam em puberdade precoce e em seres humanos cegos, os quais também apresentaram desenvolvimento precoce das gônadas.

Quanto ao fluxo sanguíneo, a pineal é uma das estruturas mais vascularizadas do organismo. Outra característica importante da glândula pineal é a ausência da barreira hemoencefálica, provavelmente devido à existência de fenestrações no endotélio vascular, o que não ocorre nos demais capilares do cérebro.



ESTRUTURA E FUNÇÕES DO TÁLAMO:



Localizado acima do sulco hipotalâmico, o tálamo é constituído de duas massas ovóides com uma extremidade anterior pontuda, o tubérculo anterior do tálamo e, posteriormente, o pulvinar ou tálamo dorsal.

Os dois tálamos são unidos pela aderência intertalâmica. A região anterior recebe fibras do fascículo mamilo-talâmico. A porção posterior compreende o pulvinar, o corpo geniculado medial e o corpo geniculado lateral. As fibras tálamo-corticais e córtico-talâmicas juntas constituem as radiações talâmicas que formam grande parte da cápsula interna.

De um modo geral, todos os impulsos sensitivos passam para o tálamo antes de chegar ao córtex, fazendo exceção os impulsos olfatórios. O tálamo também está relacionado com a motricidade, com o comportamento emocional e com a ativação do córtex através de suas conexões com o Sistema Ativador Reticular Ascendente.



TRONCO ENCEFÁLICO:



O tronco encefálico é constituído pelo mesencéfalo, ponte e bulbo. O mesencéfalo possui uma parte anterior, o tegmento do mesencéfalo, e uma parte posterior, o tecto do mesencéfalo. Posteriormente ao tecto do mesencéfalo encontram-se os corpos quadrigêmeos ou colículos superiores e inferiores. O tegmento e o tecto do mesencéfalo são separados pelo aqueduto cerebral.

Anteriormente ao tegmento encontra-se a base do mesencéfalo, na qual se localizam os dois pedúnculos cerebrais de onde saem as fibras do nervo oculomotor. Entre os dois pedúnculos cerebrais encontra-se a fossa interpeduncular onde se localiza a substância perfurada posterior, região onde passam vasos de pequeno calibre.

O mesencéfalo possui substância cinzenta, substância branca e a formação reticular. A substância cinzenta divide-se em núcleos de nervos cranianos e substância cinzenta própria do mesencéfalo. Os núcleos de nervos cranianos estão relacionados com o terceiro, quarto e quinto pares de nervos cranianos. A substância cinzenta própria do mesencéfalo possui o núcleo rubro e a substância negra como constituintes principais. A substância branca possui fibras longitudinais e transversais. As fibras longitudinais dividem-se em vias ascendentes, descendentes e de associação.

A ponte, em sua porção posterior, possui características semelhantes às do mesencéfalo e do bulbo. Entretanto, sua porção anterior é bastante característica, apresentando fibras transversais. A ponte possui substância cinzenta, substância branca e formação reticular. Sua parte posterior forma, juntamente com o bulbo, o assoalho do quarto ventrículo.

Na parte mediana da porção anterior da ponte encontra-se o sulco basilar, por onde passa a artéria basilar. Inferiormente, a ponte é limitada pelo sulco bulbo-pontino. É também a ponte que converge a cada lado posteriormente para formar os pedúnculos cerebelares médios. A substância cinzenta divide-se em núcleos de nervos cranianos e substância cinzenta própria da ponte. Os núcleos de nervos cranianos compreendem o quinto, sexto, sétimo e oitavo pares de nervos cranianos. A substância branca possui fibras longitudinais e transversais. As fibras longitudinais dividem-se em vias ascendentes, descendentes e de associação.

O bulbo limita-se inferiormente à altura do forame magno e ântero-superiormente através do sulco bulbo-pontino. Possui em sua porção anterior a fissura mediana anterior, a qual delimita com o sulco lateral anterior a cada lado duas eminências denominadas pirâmides, pelas quais segue do córtex motor em direção à medula as vias descendentes piramidais.

As pirâmides continuam-se inferiormente no funículo anterior. Entre os sulcos lateral anterior e lateral posterior a cada lado encontra-se uma eminência oval denominada oliva, onde se encontram os núcleos do complexo olivar inferior.

A oliva continua-se inferiormente no funículo lateral. No local onde a fissura mediana anterior encontra-se com o sulco bulbo-pontino, há uma depressão conhecida como forame cego. Entre o sulco mediano posterior e o sulco intermédio posterior localiza-se o tubérculo grácil que se continua inferiormente no fascículo grácil e entre o sulco intermédio posterior e o sulco lateral posterior encontra-se o tubérculo cuneiforme que se continua inferiormente no fascículo cuneiforme.

A porção póstero-superior do bulbo abre-se de cada lado para formar a parte inferior da fossa rombóide e dá origem de cada lado ao pedúnculo cerebelar inferior, também conhecido como corpo restiforme.

O bulbo apresenta substância cinzenta, substância branca e formação reticular. Sua região posterior, juntamente com a ponte, forma o assoalho do quarto ventrículo. A substância cinzenta divide-se em núcleos de nervos cranianos e substância cinzenta própria do bulbo. Os núcleos de nervos cranianos dividem-se em núcleos motores e núcleos sensitivos. A substância cinzenta própria do bulbo possui os núcleos grácil, cuneiforme e olivar inferior. A substância branca possui fibras transversais e longitudinais, apresentando a última vias ascendentes, descendentes e de associação.

A formação reticular no bulbo possui o centro respiratório, o centro vasomotor e o centro do vômito.



FORMAÇÃO RETICULAR E NEURÔNIOS MONOAMINÉRGICOS DO TRONCO ENCEFÁLICO:



A formação reticular caracteriza-se por apresentar estrutura intermediária entre a substância branca e a cinzenta. Possui núcleos de neurônios de tamanhos diferentes e fibras nervosas. Embora seja encontrada no tronco encefálico, prolonga-se ao diencéfalo e à parte inicial da medula.

Os principais núcleos da formação reticular são os núcleos da rafe, o lócus ceruleus, a substância cinzenta periaquedutal e a área tegmentar ventral. A formação reticular apresenta funções variadas, entre as quais destacam-se o controle da atividade elétrica cortical, relacionado com o sono e a vigília, o controle eferente da sensibilidade, da motricidade somática, do sistema nervoso autônomo e neuroendócrino.

Também está relacionado com a formação reticular o centro respiratório e vasomotor. O controle da atividade elétrica cortical está intimamente ligado ao Sistema Ativador Reticular Ascendente ( SARA ), através do qual a formação reticular se liga ao córtex.

Os neurônios monoaminérgicos do tronco encefálico são caracterizados pela presença de monoaminas como neurotransmissores. As monoaminas possuem participação nos processos mentais, no metabolismo de drogas e, por consequência, são muito importantes no que se refere ao tratamento de doenças mentais e na regulação de processos metabólicos envolvendo o sistema nervoso. As principais monoaminas são a noradrenalina, a dopamina e a serotonina.



ESTRUTURA E FUNÇÕES DO CEREBELO:



O cerebelo encontra-se na fossa posterior do crânio abaixo da tenda do cerebelo, a qual separa o lobo occipital do cérebro, superiormente, do cerebelo inferiormente. É a maior das estruturas que compõem o rombencéfalo, ligando-se às demais estruturas do sistema nervoso central através dos pedúnculos cerebelares.

Estando localizado imediatamente atrás da fossa rombóide, o cerebelo delimita com esta a cavidade que constitui o quarto ventrículo. O cerebelo apresenta uma porção mediana ímpar, o vermis cerebelar, e duas porções laterais ao vermis conhecidas como hemisférios cerebelares direito e esquerdo. Entretanto, essa classificação não é a mais importante, uma vez tendo sido demonstrado através de estudos uma preponderância no que se refere aos aspectos que agrupam origens filogenéticas em comum nesse órgão. Dessa forma, temos o arquicerebelo constituído pelo lobo floculonodular, formado pelos flóculos direito e esquerdo que se unem ao nódulo, sendo responsável pelas funções de equilíbrio, o páleocerebelo formado pelo lobo anterior, pirâmide e úvula relacionado com as funções que envolvem o controle da motricidade no que se refere à medula e o neocerebelo, abrangendo as demais estruturas do órgão estando relacionado com os aspectos mais recentes de funcionamento de acordo com a escala evolutiva.

O cerebelo possui um córtex formado por substância cinzenta e um corpo medular constituído por substância branca onde se encontram os núcleos centrais. O córtex possui sulcos e fissuras que adentram em direção ao corpo medular delimitando lâminas finas conhecidas como folhas cerebelares.

A fissura prima separa o lobo anterior do lobo posterior. A fissura póstero-lateral separa o lobo posterior do lobo floculonodular. Quanto aos aspectos funcionais, o cerebelo caracteriza-se por trabalhar de modo inconsciente, estando relacionado com a manutenção do equilíbrio e da postura, controle do tônus muscular, controle dos movimentos voluntários e aprendizagem motora.

O cerebelo também costuma ser dividido em zonas longitudinais devido características fisiológicas peculiares que estas zonas apresentam. A zona medial é representada em parte pelo vermis, sendo também conhecida como vestíbulo-cerebelo. Desta zona partem as fibras eferentes do núcleo fastigial. A zona intermédia também é conhecida como espino-cerebelo e dela partem as fibras eferentes dos núcleos globoso e emboliforme.

A zona lateral, de onde partem as fibras eferentes do núcleo denteado, por sua vez, é conhecida como cerebro-cerebelo pois dela depende o perfeito funcionamento dos processos motores que são integrados ao córtex cerebral, o qual estabelece conexões com essa região do cerebelo no sentido de aplicar os movimentos veiculados a sequências temporais previamente definidas.



Citoarquitetura do córtex cerebelar: camada molecular, camada de células de Purkinje e camada granular.



Fibras que penetram no cerebelo e se dirigem ao córtex:

 Fibras Musgosas: fibras aferentes de origem vestibular, pontina e medular.

 Fibras Trepadeiras: axônios de neurônios situados no complexo olivar inferior.



Núcleos Centrais e Corpo Medular do Cerebelo:

 Núcleo Denteado

 Núcleo Emboliforme

 Núcleo Globoso

 Núcleo Fastigial

Núcleo Interpósito: núcleos globoso e emboliforme.



Conexões Extrínsecas Aferentes:



Fibras Aferentes de Origem Vestibular: fibras originadas nos núcleos vestibulares chegam ao cerebelo pelo fascículo vestíbulo-cerebelar. Essa via é importante para a manutenção do equilíbrio e da postura básica.

Fibras Aferentes de Origem Medular: chegam ao cerebelo através dos tractos espino-cerebelar anterior e espino-cerebelar posterior, localizados no funículo lateral da medula. Essa via permite ao cerebelo avaliar a tensão nas fibras musculares.

Fibras Aferentes de Origem Pontina: também chamadas de fibras ponto-cerebelares.



Conexões Eferentes:



 Zona Medial: fibras fastígio vestibulares / tracto vestíbulo-espinhal, fibras fastígio reticulares / tracto retículo-espinhal. As conexões eferentes da zona medial estão relacionadas com o controle do equilíbrio e da postura no que se refere à musculatura axial e proximal dos membros, atuando sobre os neurônios motores do grupo medial da coluna anterior da medula.

 Zona Intermédia: via interpósito-rubro-espinhal e via interpósito-tálamo-cortical. As conexões eferentes da zona intermédia estão relacionadas com o controle dos movimentos delicados relativos aos músculos distais dos membros, atuando sobre os neurônios motores do grupo lateral da coluna anterior da medula.

 Zona Lateral: via dento-tálamo-cortical. Ao passar do núcleo denteado para o tálamo e deste para o córtex, o impulso segue pelo tracto córtico-espinhal atuando sobre os músculos distais dos membros no controle dos movimentos delicados, semelhante ao que ocorre na via intermédia.



O SISTEMA VENTRICULAR E O LÍQUIDO CEFALORRAQUIDIANO:



Durante o desenvolvimento embrionário a luz do tubo neural se dilata em determinadas regiões do prosencéfalo e do rombencéfalo. Essas dilatações determinam a formação de cavidades revestidas de epêndima denominadas ventrículos que contém em seu interior o líquido cefalorraquidiano ou líquor, também encontrado no espaço subaracnóideo.

Os ventrículos laterais direito e esquerdo encontram-se no telencéfalo e possuem, além de uma parte central, os cornos anterior, posterior e inferior voltados para os pólos frontal, occipital e temporal, respectivamente.

O corno anterior estende-se adiante do forame interventricular ou de Monro e é limitado superiormente pelo corpo caloso, medialmente pelo septo pelúcido e inferiormente pela cabeça do núcleo caudado.

A parte central prolonga-se do forame interventricular às proximidades do esplênio do corpo caloso numa região denominada trígono colateral onde se bifurca para formar os cornos posterior e inferior. É limitada superiormente pelo corpo caloso, medialmente pelo septo pelúcido e inferiormente pelo fórnix, plexo corióide, tálamo e pelo corpo do núcleo caudado.

As paredes do corno posterior são quase que totalmente formadas pelo corpo caloso. O corno inferior é limitado medialmente pela cauda do núcleo caudado e pela estria terminal. Na porção final da cauda do núcleo caudado, na região anterior do corno inferior localiza-se o corpo amigdalóide, que contém o núcleo amigdalóide. No assoalho do corno inferior localiza-se a eminência colateral, formada pelo sulco colateral e o hipocampo, o qual se liga ao fórnix através da fímbria do hipocampo.

O terceiro ventrículo encontra-se no diencéfalo e comunica-se superiormente com os ventrículos laterais através dos forames interventriculares e inferiormente com o quarto ventrículo através do aqueduto cerebral ou de Sylvius. Dessa forma, o líquido céfalorraquidiano encontrado nos ventrículos laterais não passa diretamente de um ventrículo lateral ao outro mas passa ao terceiro ventrículo que por sua vez comunica-se com os dois ventrículos laterais. Assim, todos os ventrículos comunicam-se entre sí.

O assoalho do terceiro ventrículo é constituído por estruturas hipotalâmicas que são, em sentido ântero-posterior, o quiasma óptico, o infundíbulo, o túber cinéreo e os corpos mamilares.

A parede posterior do terceiro ventrículo é formada pelo epitálamo. A parede anterior é formada pela lâmina terminal. A parede lateral é formada pelo hipotálamo e pelo tálamo. O teto é formado pelo plexo corióide que se une ao plexo corióide do assoalho dos ventrículos laterais através dos forames interventriculares.

O quarto ventrículo provém de uma dilatação do rombencéfalo. Assim, é limitado anteriormente pela ponte e bulbo numa área em forma de losango denominada fossa rombóide, posteriormente pelo cerebelo e superiormente pelo mesencéfalo onde se comunica com o terceiro ventrículo pelo aqueduto cerebral. Inferiormente continua-se no canal central da medula. A luz do canal central da medula é obliterada em vários locais e não possui uma fluidez efetiva de líquido céfalorraquidiano.

O quarto ventrículo também possui comunicações com o espaço subaracnóideo pelas aberturas laterais do quarto ventrículo ou forames de Luschka e pela abertura mediana do quarto ventrículo ou forame de Magendie.

O líquido céfalorraquidiano é produzido a partir dos plexos corióides que são estruturas formadas por tecido ependimal altamente vascularizadas. Acredita-se que a reabsorção do líquido céfalorraquidiano ocorra nas granulações aracnóideas, através das quais o líquido é incorporado ao sangue e liberado no seio sagital superior.

As principais características apresentadas pelo líquido céfalorraquidiano são a aparência translúcida, o alto teor de cloretos e o baixo teor de proteínas se comparado ao sangue.



OS SEIOS DA DURA-MÁTER:



A dura máter encefálica é constituída por um folheto duplo. Estes dois folhetos sofrem um distanciamento em algumas regiões determinando os seios da dura-máter.

Os seios da dura máter realizam a drenagem de quase todo o sangue intracraniano para a veia jugular interna, que se inicia no forame jugular na linha de união entre os ossos occipital e temporal. São revestidos por endotélio e localizam-se nas proximidades das pregas da dura-máter.

O seio sagital superior localiza-se na fissura longitudinal do cérebro e liga-se inferiormente à foice do cérebro. O seio sagital inferior, assim como o superior, localiza-se no plano sagital mediano porém abaixo da foice do cérebro.

Entre o lobo occipital do cérebro e o cerebelo existe uma prega transversal que separa essas duas estruturas encefálicas, a tenda ou tentório do cerebelo. Passando pelo plano sagital mediano e inferiormente ao tentório do cerebelo está a foice do cerebelo, que divide parcialmente seus dois hemisférios.

O seio sagital superior continua-se inferiormente no seio occipital ao passar pela confluência dos seios na eminência cruciforme do osso occipital, onde também se encontra a protuberância occipital interna. O seio sagital inferior continua-se com o seio reto que acompanha o tentório do cerebelo até chegar à confluência dos seios.

Ortogonalmente a uma reta que passa pelo plano mediano e partindo lateralmente de cada lado da confluência dos seios estão os seios transversos direito e esquerdo. O seio transverso prolonga-se à parte petrosa do osso temporal onde passa a ser denominado seio sigmóide, o qual desemboca no forame jugular.

Os seios cavernosos localizam-se de cada lado da sela túrcica do esfenóide e comunicam-se entre sí através do seio intercavernoso. Os seios cavernosos recebem o sangue proveniente dos seios petroso superior e inferior e possuem uma importante relação anátomo-clínica com a artéria carótida interna que passa no interior de cada seio cavernoso em seu respectivo lado. O seio esfeno-parietal localiza-se na pequena asa do esfenóide e termina no seio cavernoso.



MEDULA ESPINHAL E SEUS ENVOLTÓRIOS:



A medula espinhal não apresenta diferenciação morfológica significativa em relação à medula primitiva. Seu tamanho no adulto é de aproximadamente 45 centímetros e estende-se do forame magno, nas proximidades da membrana atlanto-occipital onde se continua superiormente no bulbo raquídeo ou medula oblonga, até a segunda vértebra lombar, L2, podendo chegar próximo de L3. Localiza-se no canal vertebral que, juntamente com o crânio que envolve o encéfalo, constitui a porção do esqueleto axial que envolve o sistema nervoso central.

Durante o período de desenvolvimento embrionário, a medula apresenta quase que o mesmo tamanho da coluna vertebral. Entretanto, no indivíduo adulto ela não ocupa inteiramente o canal vertebral. Isso se deve ao fato de que após o nascimento a coluna cresce mais rapidamente que a medula, motivo pelo qual as raízes dos nervos abaixo de L2 começam a apresentar uma angulação em relação às vertebras relativas ao segmento medular do qual essas raízes são provenientes.

Os envoltórios que revestem a medula são a dura máter ou paquimeninge, externamente, e a aracnóide e a pia máter que constituem a leptomeninge, internamente. A dura máter espinhal é formada por um único folheto, enquanto a dura máter craniana possui dois folhetos. Destes, o folheto interno é o que prevalece no revestimento da medula espinhal.

Externamente à dura máter espinhal encontra-se o espaço extra dural ou peridural, inexistente no encéfalo. Entre a dura máter e a aracnóide encontra-se o espaço subdural que possui espessura capilar e contém líquido suficiente para o deslizamento de uma membrana sobre a outra.

Entre a aracnóide e a pia máter encontra-se o espaço subaracnoideo que contém o líquido céfalorraquidiano. A aracnóide possui projeções que atravessam o espaço subaracnoideo e se fixam à pia máter, a qual está intimamente aderida ao tecido nervoso. Essas projeções ou trabéculas aracnóideas lembram uma teia de aranha e daí chamar-se a membrana de aracnóide.

A pia máter apresenta projeções que partem de cada lado da medula em um plano frontal indo em direção à aracnóide. São os ligamentos denticulados, que se dispõem em sentido longitudinal.

A medula possui uma fissura mediana anterior, um sulco mediano posterior, sulcos laterais anterior e posterior direito e esquerdo e sulco intermédio posterior direito e esquerdo.

Diferentemente do encéfalo, a medula possui substância branca externamente e substância cinzenta em seu interior. O termo córtex não deve ser utilizado para designar a substância branca da medula.

A substância cinzenta da medula possui a forma de um "H" ou de uma borboleta, em sua porção torácica. Assim, possui as colunas anterior, média e posterior, sendo que a coluna média é característica da porção tóracolombar da medula. A região central da medula caracteriza-se por apresentar um canal estreito e, muitas vezes, colabado em algumas regiões denominado canal do epêndima.

A parte anterior da medula está relacionada com a motricidade enquanto a parte posterior é sensitiva. A porção cervical apresenta posteriormente duas eminências que constituem os fascículos grácil, medialmente, e cuneiforme, lateralmente.

Entre a fissura mediana anterior e o sulco lateral anterior localiza-se o funículo anterior, entre os sulcos lateral anterior e posterior o funículo lateral e entre o sulco lateral posterior e o sulco mediano posterior o funículo posterior. O funículo posterior é parcialmente dividido pelo sulco intermédio posterior.

Os neurônios medulares classificam-se em neurônios de axônio longo ou neurônios tipo I de Golgi e neurônios de axônio curto ou tipo II de Golgi também chamados de interneurônios ou neurônios internunciais.

Os neurônios de axônio longo ou tipo I de Golgi dividem-se em radiculares e cordonais. Os neurônios radiculares são divididos em somáticos e viscerais e os cordonais são divididos em neurônios de projeção e de associação.

Os neurônios radiculares somáticos são os maiores neurônios medulares e localizam-se na coluna anterior sendo conhecidos como neurônios motores do tipo alfa e gama. Os neurônios alfa inervam as fibras dos músculos estriados esqueléticos e são responsáveis diretos pela contração muscular.

Os neurônios gama inervam as fibras intrafusais relacionadas aos receptores de tração. Os neurônios radiculares viscerais encontram-se na coluna lateral da medula correspondente à sua porção torácica no caso dos neurônios pré-ganglionares do sistema nervoso autônomo simpático ou na porção sacral da medula no caso dos neurônios pré-ganglionares do parassimpático.

Os neurônios cordonais de projeção partem da substância cinzenta seguindo pelos funículos até chegar aos centros superiores como os núcleos da base ou o córtex cerebral. Os neurônios cordonais de associação saem da substância cinzenta da medula e originam dois ramos, um ascendente e outro descendente que estabelecem ligação funcional entre diferentes níveis medulares.

Os neurônios do tipo II de Golgi ou internunciais são caracterizados por suas fibras não saírem da substância cinzenta e geralmente ligam os neurônios sensitivos da coluna posterior aos neurônios motores da coluna anterior.

O interneurônio mais conhecido é a célula de Renshaw, localizada no grupo medial da coluna anterior e que estabelece sinapses em dois pontos diferentes de um mesmo neurônio motor atuando como célula inibidora, sendo de extrema importância no mecanismo fisiológico motor. Os neurônios medulares formam núcleos na substância cinzenta através dos quais realizam função específica.

A coluna anterior divide-se em núcleos do grupo medial e lateral. Os núcleos do grupo medial são responsáveis pela motricidade dos músculos do esqueleto axial e os do grupo lateral pela motricidade dos músculos do esqueleto apendicular. Os neurônios da porção medial do grupo lateral estão relacionados com a motricidade da musculatura proximal dos membros e os da porção lateral do grupo lateral atuam sobre os músculos distais dos membros.

Na coluna posterior encontra-se o núcleo torácico ou dorsal e a substância gelatinosa ou de Rolando. A substância gelatinosa recebe aferências que envolvem o mecanismo do portão da dor.

Os núcleos da substância cinzenta da medula estão localizados em lâminas paralelas, as lâminas de Rexed, as quais são numeradas de I a X em sentido póstero-anterior. Os funículos da substância branca da medula são constituídos por tractos e fascículos que caracterizam as vias descendentes e ascendentes. As vias descendentes podem ser piramidais ou extrapiramidais.

As vias descendentes piramidais recebem esse nome devido ao fato de passarem pela decussação das pirâmides no bulbo e por partirem da camada de neurônios piramidais do córtex cerebral motor e são constituídas pelo tracto córtico-espinhal anterior e lateral.

As vias descendentes extrapiramidais são formadas pelos tractos tecto-espinhal, rubro-espinhal, vestíbulo-espinhal e retículo-espinhal. O tracto tecto-espinhal inicia-se nos colículos superiores do tecto do mesencéfalo e participa dos reflexos ligados aos fenômenos visuais. O tracto rubro-espinhal auxilia o tracto córtico-espinhal. Os tractos vestíbulo-espinhal e retículo-espinhal relacionam-se às funções de equilíbrio e controle motor.

As vias ascendentes do funículo posterior são formadas pelos fascículos grácil e cuneiforme, as do funículo lateral pelos tractos espino-cerebelar anterior e posterior e pelo tracto espino-talâmico lateral. Em pacientes com neoplasias malignas em estado metastático avançado realiza-se uma cordotomia do tracto espino-talâmico lateral, uma vez que este é responsável por aferências dolorosas.

No funículo anterior encontra-se o tracto espino-talâmico anterior. As vias ascendentes da medula levam aos centros superiores diversos tipos de sensibilidade, algumas indo pelo mesmo lado e outras cruzando para o lado oposto. Exemplo é o tato epicrítico, que ascende diretamente pelo funículo posterior e relaciona-se com a estereognosia, sendo este um tipo de tato altamente específico.

Já o tato protopático, que se caracteriza por ser um tipo de tato difuso, chega à medula pelas raízes dorsais dos nervos espinhais e cruza para o lado oposto até chegar ao tracto espino-talâmico anterior.

A importância clínica disso é que uma deficiência no tato epicrítico pode estar refletindo uma lesão na medula do mesmo lado em que aparecem os sintomas e uma disfunção do tato protopático pode estar refletindo uma lesão no lado oposto da medula em relação ao lado onde o sintoma está ocorrendo.



NERVOS ESPINHAIS:



Os nervos espinhais são aqueles que estão diretamente relacionados com a medula espinhal. Estão dispostos da seguinte forma: oito cervicais, doze torácicos, cinco lombares, cinco sacrais e um coccígeo.

São formados pela união de uma raiz ventral ou motora proveniente do sulco lateral anterior da medula com uma raiz dorsal ou sensitiva proveniente do sulco lateral posterior da medula. Essas duas raizes se unem dentro do canal vertebral. A raiz anterior é maior que a posterior. A raiz posterior forma os gânglios sensitivos que são conjuntos de corpos de neurônios encontrados no sistema nervoso periférico.

Após a união, forma-se o tronco espinhal que passa pelo forame intervertebral e novamente se divide formando dois ramos mistos, um anterior e um posterior. Os ramos dorsais inervam a região do dorso, a região posterior do pescoço e a região occipital. Os ramos ventrais inervam o tronco, os membros inferiores, os membros superiores e a cabeça.





NERVOS CRANIANOS:



Os nervos cranianos, juntamente com os nervos espinhais fazem parte do sistema nervoso periférico. São doze os pares de nervos cranianos:



I - Nervo Olfatório:



Origem aparente craniana: Lâmina crivosa do osso etmóide.

Origem aparente encefálica: Bulbo olfatório.

O nervo olfatório é formado por fibras aferentes viscerais especiais.



II - Nervo Óptico:



Origem aparente craniana: Canal óptico do osso esfenóide.

Origem aparente encefálica: Quiasma óptico. Do quiasma óptico, segue pelo tracto óptico em direção ao corpo geniculado lateral.

O nervo óptico é constituído por fibras aferentes somáticas especiais.



III - Nervo Oculomotor:



Origem aparente craniana: Fissura orbital superior.

Origem aparente encefálica: Sulco medial do pedúnculo cerebral.

O nervo oculomotor é formado por fibras eferentes somáticas que inervam os músculos extrínsecos do olho ( levantador da pálpebra superior, oblíquo inferior, reto superior e reto medial ) e por fibras eferentes viscerais especiais que inervam os músculos intrínsecos do olho ( esfíncter da pupila e ciliar ).



IV - Nervo Troclear:



Origem aparente craniana: Fissura orbital superior.

Origem aparente encefálica: Véu medular superior.

O nervo troclear inerva o músculo oblíquo superior do olho, que é um dos músculos extrínsecos do olho.



V - Nervo Trigêmeo:



Origem aparente craniana: Fissura orbital superior ( ramo oftálmico ), forame redondo ( ramo maxilar ) e forame oval ( ramo mandibular ).

Origem aparente encefálica: Entre a ponte e o pedúnculo cerebelar médio.

O nervo trigêmeo é um nervo predominantemente sensitivo. Entretanto, o ramo mandibular do trigêmeo possui fibras motoras junto com suas fibras sensitivas. O ramo mandibular do trigêmeo está relacionado com a sensibilidade geral dos dois terços anteriores da língua e com a motricidade dos músculos da mastigação ( temporal, masséter, pterigóideo lateral, pterigóideo medial, milo-hióideo e ventre anterior do digástrico ).



VI - Nervo Abducente:



Origem aparente craniana: Fissura orbital superior.

Origem aparente encefálica: Sulco bulbo-pontino.

O nervo abducente realiza a abdução do músculo reto lateral, um dos músculos extrínsecos do olho.



VII - Nervo Facial:



Origem aparente craniana: Forame estilomastóideo.

Origem aparente encefálica: Sulco bulbo-pontino.

O nervo facial divide-se em nervo facial propriamente dito e nervo intermédio. É um nervo predominantemente motor. O nervo facial está relacionado com a sensibilidade gustativa nos dois terços anteriores da língua.



VIII - Nervo Vestíbulo-Coclear:



Origem aparente craniana: Meato acústico interno.

Origem aparente encefálica: Sulco bulbo-pontino.

É um nervo exclusivamente sensitivo. A parte vestibular relaciona-se com o equilíbrio e a parte coclear com a audição.



IX - Nervo Glossofaríngeo:



Origem aparente craniana: Forame jugular.

Origem aparente encefálica: Sulco lateral posterior do bulbo.

O nervo glossofaríngeo está relacionado com a sensibilidade geral e gustativa no terço posterior da língua.



X - Nervo Vago:



Origem aparente craniana: Forame jugular.

Origem aparente encefálica: Sulco lateral posterior do bulbo.

O nervo vago inerva vísceras do tórax e abdome.



XI - Nervo Acessório:



Origem aparente craniana: Forame jugular.

Origem aparente encefálica: Sulco lateral posterior do bulbo.

O nervo acessório auxilia o nervo vago. Possui uma parte ascendente ou cranial e uma parte descendente ou medular, a qual inerva músculos como o esternocleidomastóideo e o trapézio.



XII - Nervo Hipoglosso:



Origem aparente craniana: Canal do hipoglosso.

Origem aparente encefálica: Sulco lateral anterior do bulbo.

O nervo hipoglosso realiza a inervação motora de toda a língua.



VASCULARIZAÇÃO DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL:



A vascularização do encéfalo é realizada pelos sistemas carotídeo interno e vértebro-basilar. A artéria carótida interna penetra no encéfalo pelo canal carotídeo do osso temporal, atravessa o seio cavernoso na região do esfenóide e emite dois ramos terminais e quatro ramos colaterais. Os ramos terminais são as artérias cerebral anterior e cerebral média. Os ramos colaterais são as artérias oftálmica, hipofisária, coróidea anterior e comunicante posterior.

As artérias vertebrais são ramos da subclávia e ascendem pelos forames transversos das vértebras cervicais passando pela membrana atlanto-occipital e penetrando no espaço intracraniano através do forame magno. Ao atingir o espaço intracraniano as artérias vertebrais seguem pela porção anterior do bulbo e ao nível do sulco bulbo-pontino unem-se para formar a artéria basilar que percorre o sulco basilar da ponte.

Antes de formar a artéria basilar, as artérias vertebrais originam as duas artérias espinhais posteriores e a artéria espinhal anterior que irão vascularizar a medula. As artérias vertebrais originam também as artérias cerebelares inferiores posteriores. A artéria basilar emite ao longo de seu trajeto a artéria cerebelar superior, a artéria cerebelar inferior anterior e a artéria do labirinto que vasculariza estruturas da orelha interna.

A base do encéfalo possui um complexo sistema arterial anastomótico conhecido como polígono de Willys, formado pelos ramos das artérias carótida interna e vertebral. Encontra-se entre a base do encéfalo e a porção basilar do osso occipital e parte do esfenóide. Nesse polígono, as duas artérias cerebrais anteriores são interligadas pela artéria comunicante anterior.

A artéria basilar bifurca-se para formar as duas artérias cerebrais posteriores, as quais se unem à carótida interna de seu respectivo lado através das artérias comunicantes posteriores. O território de irrigação da artéria cerebral anterior compreende a face medial do cérebro e a parte superior da face súpero-lateral.

A artéria cerebral média irriga a maior parte da face súpero-lateral do cérebro seguindo pelo sulco lateral em seu trajeto inicial enquanto a artéria cerebral posterior irriga o lobo occipital. Ao contrário dos outros órgãos, no encéfalo as artérias possuem menor calibre que as veias. A túnica média de uma artéria encefálica contém poucas fibras musculares. Por outro lado, a túnica íntima possui grande quantidade de fibras elásticas, formadas por colágeno do tipo II e elastina, que atenuam os efeitos da pressão sistólica nas paredes desses vasos. As veias possuem calibre maior que as artérias e geralmente não se colabam quando seccionadas.

O sistema de drenagem sanguínea do encéfalo é composto por veias e pelos seios da dura-máter onde essas veias liberam o sangue. O sistema venoso superficial é formado pelas veias cerebrais superficiais superiores e inferiores que drenam o córtex e pequena parte da substância branca do cérebro. No sistema venoso profundo destaca-se a veia cerebral magna ou veia de Galeno que desemboca no seio reto. O sistema venoso profundo drena o diencéfalo, o corpo estriado, a cápsula interna e a maior parte do centro branco medular do cérebro.

A irrigação da medula é feita pela artéria espinhal anterior, pelas artérias espinhais posteriores e pelas artérias radiculares. A artéria espinhal anterior forma-se a partir da união de dois ramos recorrentes que saem das artérias vertebrais. Ela segue pela fissura mediana anterior da medula e vai até o cone medular.

As artérias espinhais posteriores percorrem a parte dorsal da medula, medialmente às raizes dorsais dos nervos espinhais. As artérias radiculares irrigam as raízes dos nervos espinhais.



AS BARREIRAS ENCEFÁLICAS:



As barreiras encefálicas são barreiras que impedem ou dificultam a passagem de certas substâncias para o sistema nervoso central. A barreira hemoliquórica impede ou dificulta a passagem de substâncias do sangue para o líquido céfalorraquidiano. A barreira líquor-encefálica impede ou dificulta a passagem de substâncias do líquido céfalorraquidiano para os tecidos do sistema nervoso central.

A barreira hemoencefálica impede ou dificulta a passagem de substâncias do sangue para os tecidos do sistema nervoso central. De uma maneira geral as barreiras hemoencefálica e hemoliquórica são mais eficientes que a barreira líquor-encefálica, motivo pelo qual considera-se vantajoso a aplicação de alguns medicamentos diretamente no espaço subaracnoideo. Além disso, o fenômeno de barreira varia de acordo com a barreira e a substância considerada. Dessa forma, uma substância que é barrada em uma barreira pode passar livremente em outra.

Há lugares em que a barreira hemoencefálica torna-se mais permeável, como o corpo pineal, a área postrema, os plexos corióides e a neuro-hipófise. A explicação mais aceita baseia-se no fato de que essas estruturas produzem secreção endócrina e portanto não haveria motivo para que uma barreira dificultasse a troca de substâncias entre o tecido nervoso e o sangue nessas regiões.

Acredita-se que a localização anatômica da barreira hemoencefálica possa estar no neurópilo ou nos capilares cerebrais. O neurópilo é o espaço no sistema nervoso central localizado entre os vasos e os corpos de neurônios. Esse espaço é caracterizado pela forte coesão das células e quase ausência de tecido intercelular.

O capilar cerebral possui diferenças significativas em relação aos capilares de outros órgãos. Suas células endoteliais são unidas por junções que impedem a penetração de macromoléculas, não existem fenestrações e as células não são contráteis impedindo sobremaneira a passagem de substâncias.



SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO:



O Sistema Nervoso Autônomo compreende a porção eferente visceral do sistema nervoso e é fundamental para a manutenção da homeostase interna do organismo. Devido sua característica eferente, suas fibras saem do sistema nervoso central através da região anterior da medula e do tronco encefálico. É dividido em sistema nervoso autônomo simpático e parassimpático.

O sistema nervoso eferente somático possui um único neurônio que sai do sistema nervoso central, possuindo seu corpo na coluna anterior da medula e do tronco encefálico. Sua terminação é caracterizada pela presença de uma estrutura denominada placa motora que estabelece a ligação funcional entre essa terminação e os músculos estriados esqueléticos.

Por outro lado, o sistema nervoso eferente visceral ou autônomo possui dois neurônios que ligam o sistema nervoso central às vísceras, glândulas, músculo liso e músculo estriado cardíaco. O primeiro é conhecido como neurônio pré-ganglionar e possui seu corpo celular localizado na medula. Seu axônio constitui a fibra pré-ganglionar e se une ao corpo do neurônio pós-ganglionar, situado em um gânglio.

A fibra do neurônio pós-ganglionar abandona o gânglio e se dirige à estrutura a ser inervada sendo conhecida como fibra pós-ganglionar. A fibra pré-ganglionar possui uma camada de revestimento interna denominada bainha de mielina, formada por células de Schwann e uma camada externa conhecida como bainha de neurilema.

Os corpos dos neurônios pós-ganglionares estão em contato com um tipo de células neurogliais denominadas anfícitos. A fibra pós-ganglionar possui bainha de neurilema mas a bainha de mielina está ausente. Essa fibra recebe o nome de fibra de Remak. Outra característica importante é que a fibra terminal no sistema nervoso autônomo não possui placa motora. Os corpos de neurônios apresentam diferenças quanto à localização. No caso do sistema nervoso parassimpático, localizam-se no tronco encefálico e na porção sacral da medula. Assim, diz-se que o sistema nervoso parassimpático é crânio-sacral enquanto o simpático é tóracolombar por apresentar seus corpos de neurônios na porção torácica e lombar da medula.

Os corpos de neurônios pós-ganglionares no sistema nervoso simpático localizam-se próximo à medula e agrupam-se em gânglios que se unem formando o tronco simpático, percorrendo longitudinalmente a medula de cada lado. Esses gânglios também são conhecidos como gânglios para-vertebrais.

No sistema nervoso parassimpático, os corpos de neurônios pós-ganglionares localizam-se próximo às visceras, glândulas, músculo liso e músculo estriado cardíaco. Exemplo disso são os corpos de neurônios que constituem o plexo submucoso ou de Meissner e o plexo mioentérico ou de Auerbach, localizados no tubo intestinal. Dessa forma, as fibras pré-ganglionares no sistema nervoso simpático são curtas e as pós-ganglionares são longas. Por outro lado, no sistema nervoso parassimpático as fibras pré-ganglionares são longas e as pós-ganglionares são curtas.

No sistema nervoso simpático, os corpos de neurônios pré-ganglionares se agrupam na região lateral da medula, motivo pelo qual surge a coluna lateral da medula na região torácica. Muitos dos neurônios do sistema nervoso parassimpático que se encontram no tronco encefálico contribuem para a formação de núcleos de nervos cranianos. É o caso do nervo vago.

Quando um impulso nervoso chega ao órgão efetuador, é necessária a liberação de certas substâncias que possuem a capacidade de fazer o órgão efetuador executar a ordem. Essas substâncias são conhecidas como neurotransmissores ou mediadores químicos e se encontram em todas as sinapses neuronais no caso de organismos que possuem sinapses químicas, como os seres humanos.

Os principais mediadores químicos são a noradrenalina e a acetilcolina. As fibras pré-ganglionares tanto do simpático quanto do parassimpático são colinérgicas. As fibras pós-ganglionares do simpático são adrenérgicas e as do parassimpático colinérgicas. O termo adrenérgico prevaleceu devido ao fato de que antes pensava-se ser a adrenalina o neurotransmissor mais importante. Todavia, sabe-se hoje que a noradrenalina possui relevância maior.

De uma maneira geral, os sistemas simpático e parassimpático possuem função antagônica. Entretanto, atuam de maneira a ordenar o equilíbrio interno do organismo e suas funções viscerais. Quanto ao tronco simpático, é formado pela união dos gânglios para-vertebrais e estende-se da altura do forame magno ao cóccix de cada lado da medula, sendo que os troncos simpáticos direito e esquerdo se unem em sua porção terminal no gânglio impar.

Cada gânglio para-vertebral do tronco simpático une-se aos gânglios infra e suprajacentes através dos ramos interganglionares e ao ramo ventral do nervo espinhal correspondente pelos ramos comunicante branco e comunicante cinzento. No ramo comunicante branco o impulso segue no sentido do ramo ventral do nervo espinhal para o gânglio e no ramo comunicante cinzento o impulso segue no sentido do gânglio para o ramo ventral.

Na porção cervical do tronco simpático encontram-se os gânglios cervical superior, médio e inferior. Na porção torácica encontram-se os nervos esplâncnicos maior, menor e imo que atravessam o diafragma e seguem em direção aos gânglios pré-vertebrais localizados anteriormente à medula e à aorta abdominal. Os gânglios pré-vertebrais consistem de dois gânglios celíacos, dois gânglios aórtico-renais, um gânglio mesentérico superior e um mesentérico inferior. O nervo esplâncnico maior termina no gânglio celíaco enquanto o nervo esplâncnico menor termina no gânglio aórtico-renal.

Quanto à localização do neurônio pós-ganglionar ao qual deve chegar determinado impulso, ele pode estar localizado em um gânglio para-vertebral situado em um mesmo nível que o nervo espinhal de onde vem o impulso, em um gânglio para-vertebral situado acima ou abaixo deste nível ou em um gânglio pré-vertebral. As fibras pós-ganglionares também podem seguir diferentes trajetos até chegar ao órgão a ser inervado. Isso pode ocorrer por intermédio de um nervo espinhal, de um nervo independente ou de uma artéria, ligado à sua camada adventícia.

Os neurônios pré-ganglionares do sistema parassimpático encontram-se no tronco encefálico ou na medula sacral. Os neurônios pós-ganglionares encontram-se em gânglios nas proximidades das estruturas a serem inervadas, como os gânglios ciliar, pterigopalatino, ótico e submandibular.

Na parte sacral da medula destacam-se os nervos esplâncnicos pélvicos que terminam em gânglios localizados nessa região. Os plexos viscerais são estruturas formadas por fibras do sistema simpático e parassimpático, sendo dificil de serem isoladas.

Na cavidade torácica encontram-se os plexos cardíaco, pulmonar e esofágico. Na cavidade abdominal destaca-se o plexo celíaco do qual partem inúmeras ramificações. Na cavidade pélvica localiza-se o plexo hipogástrico.



NÚCLEOS DA BASE E CENTRO BRANCO MEDULAR DO CÉREBRO:



Núcleos da base: claustrum, corpo amigdalóide, núcleo caudado, putâmen, globo pálido lateral, globo pálido medial, núcleo accumbens e núcleo basal de Meynert.



Corpo estriado: núcleo caudado, putâmen e globo pálido.



Núcleo lentiforme: putâmen e globo pálido



Conexões: circuito básico e circuito subsidiário



Circuito básico: impulso vai do córtex ao corpo estriado através das fibras córtico-estriatais, chegando primeiro ao núcleo caudado e putâmen, indo depois ao globo pálido de onde segue para o tálamo e deste novamente para as áreas motoras do córtex.



Circuitos subsidiários: nigro-estriato-nigral e pálido-subtálamo-palidal. Servem para modular o circuito básico.



Degeneração no circuito nigro-estriato-nigral causa diminuição na produção de dopamina e provoca a doença de Parkinson.



Degeneração do núcleo basal de Meynert, localizado na substância inominata, provoca doença de Alzheimer.



Centro medular branco do cérebro: fibras de projeção e de associação.



As fibras de projeção ligam o córtex aos centros subcorticais. As fibras de associação ligam áreas corticais situadas em pontos diferentes do cérebro.



Fibras de associação: intra-hemisféricas (curtas e longas) e inter-hemisféricas (comissurais).



Fibras de associação intra-hemisféricas curtas unem giros vizinhos. As longas formam os fascículos do cíngulo, longitudinal superior, longitudinal inferior e unciforme.



As fibras de associação inter-hemisféricas ou comissurais são: comissura do fórnix, comissura anterior e corpo caloso.

A cápsula interna é formada por fibras de projeção que separam o tálamo do núcleo lentiforme.



CÓRTEX CEREBRAL:



O córtex cerebral, considerado por muitos a estrutura mais complexa do mundo biológico e por mim a estrutura mais complexa do universo, é formado basicamente por corpos de neurônios e fibras mielínicas, as quais estabelecem as mais inimagináveis e intrincadas conexões pelas quais segue o impulso nervoso. É dividido ultraestruturalmente em isocórtex e alocórtex.

O isocórtex constitui a grande maioria das áreas corticais, apresentando as camadas molecular, granular externa, piramidal externa, granular interna, piramidal interna e camada de células fusiformes. O alocórtex é caracterizado por não apresentar, em qualquer parte de sua extensão, as seis camadas encontradas no isocórtex de maneira distinta, estando relacionado com as funções olfativas e apresentando, evolutivamente, uma diminuição relativa ao isocórtex à medida que avançam os degraus da escala zoológica.

Os corpos de neurônios no córtex cerebral dispõem-se de forma colunar ou vertical, ao passo que as fibras mielínicas podem apresentar-se em sentido vertical formando raias ou horizontal formando estrias. Essas estrias, também conhecidas como estrias de Baillarger externa e interna, podem apresentar-se mais pronunciadas em algumas regiões. É o caso da estria de Gennari, qual seja a estria de Baillarger externa encontrada nos lábios do sulco calcarino.

Na camada molecular predominam as células horizontais de Cajal, as quais se caracterizam por apresentar dendritos e axônios horizontais. As células de Cajal são células intracorticais de associação. Nas camadas granular externa e interna encontram-se as células granulares, células sensitivas especializadas na recepção dos impulsos aferentes ao córtex.

Nas camadas piramidal externa e interna localizam-se os neurônios piramidais, células efetuadoras de diferentes tamanhos entre as quais recebem denominação especial as células de Betz, encontradas no giro pré-central e importantes na formação de tractos como o tracto córtico-espinhal ou piramidal.

Estruturalmente, o isocórtex é dividido em homotípico e heterotípico. O isocórtex heterotípico, por sua vez, é dividido em granular, sensitivo, e agranular, motor. Por consequência, o isocórtex heterotípico granular é constituído predominantemente por células granulares e o isocórtex heterotípico agranular por células piramidais.

A grande maioria das fibras de projeção aferentes do isocórtex origina-se no tálamo. Entretanto, também existem conexões aferentes diretas com a formação reticular. Exemplo disso são as fibras que compõem o Sistema Ativador Reticular Ascendente, relacionado com o mecanismo do sono e da vigília.

As fibras de projeção eferentes do córtex estabelecem conexões com vários centros subcorticais, destacando-se entre elas as fibras córtico-espinhais, córtico-nucleares, córtico-pontinas, córtico-estriadas, córtico-reticulares, córtico-rúbricas e córtico-talâmicas.

Quanto à anatomia topográfica, o córtex é classificado em lobos frontal, parietal, temporal, occipital e da ínsula. Filogeneticamente, é dividido em arquicórtex ( hipocampo ), paleocórtex ( uncus e giro para-hipocampal ) e neocórex ( as demais partes do córtex ).

Funcionalmente, o córtex é dividido em áreas primárias ou de projeção sensitiva e motora, áreas de associação secundárias unimodais sensitivas e motoras e áreas de associação terciárias supramodais.



Áreas sensitivas primárias ou de projeção:



 área somestésica ( giro pós-central ): temperatura, dor, pressão, tato e propriocepção consciente da metade oposta do corpo

 área visual ( lábios do sulco calcarino ): corpo geniculado lateral, colículo rostral e sulco calcarino.

 área auditiva ( giro temporal transverso anterior ): via auditiva não é totalmente cruzada.

 área vestibular ( lobo parietal ): equilíbrio e orientação espacial.

 área olfativa: entre o úncus e o giro para-hipocampal

 área gustativa: porção inferior do giro pós central, próximo à insula, adjacente à área correspondente à língua.



Área motora primária ( de projeção ):

Ocupa a parte posterior do giro pré-central, também conhecida como área 4 de Brodmann. Tamanho da área cortical relacionado com a habilidade do movimento ( ver homúnculo de Penfield e Rasmussen ).



Áreas de associação secundárias sensitivas:



 área somestésica secundária: atrás da área somestésica primária.

 área visual secundária: presente no lobo occipital, prolonga-se até o lobo temporal.

 área auditiva secundária: situa-se no lobo temporal, circundando a área auditiva primária.



As áreas de associação secundárias recebem aferências das áreas primárias e passam as informações às áreas supramodais.



Gnosia: interpretação da sensibilidade, envolvendo aspectos como a memória.



Áreas de associação secundária motoras:



Área motora suplementar, área pré-motora e área de Broca ( áreas 44 e 45 de Brodmann )



Área motora suplementar: relacionada com a elaboração de movimentos complexos.



Área pré-motora: relacionada com grupos musculares maiores, não muito especializada.



Área de Broca: atividade motora relacionada com a linguagem.



Áreas de associação terciárias:



Topo da hierarquia funcional no córtex. São supramodais. Realizam a elaboração das diversas estratégias comportamentais e integram as informações sensoriais recebidas.



Área pré-frontal, temporo-parietal e áreas límbicas.



Área pré-frontal: parte anterior não motora do lobo frontal. Relaciona-se com as funções psíquicas e com o comportamento emocional.



Área temporo-parietal: compreende todo o lóbulo parietal inferior, ou seja, os giros supra-marginal, área 40, e angular, área 39, estendendo-se às margens do sulco temporal superior e parte do lóbulo parietal superior. Essa área é importante para a percepção espacial.

Áreas límbicas: compreendem o giro do cíngulo, o giro para-hipocampal e o hipocampo. Essas áreas relacionam-se principalmente com a memória e o comportamento emocional.



Áreas relacionadas com a linguagem:

A área de Broca, localizada no giro frontal inferior esquerdo, constitui o centro cortical da palavra falada. A área de Wernicke, localizada na junção entre os lobos temporal e parietal, está relacionada com a percepção da linguagem. A área de Broca e a área de Wernicke são ligadas pelo fascículo longitudinal superior ou arqueado.



O SISTEMA LÍMBICO:



Alegria, tristeza, medo, prazer e raiva caracterizam fenômenos emocionais e, portanto, estão diretamente relacionados com o sistema límbico. As manifestações de caráter emocional realizam-se através do tronco encefálico. Além do tálamo e hipotálamo, a área pré-frontal também está relacionada com o comportamento emocional.

Componentes Corticais do Sistema Límbico: giro do cíngulo, istmo do giro do cíngulo, giro para-hipocampal e hipocampo.

Componentes Subcorticais do Sistema Límbico: corpo amigdalóide, área septal, núcleos mamilares, núcleos anteriores do tálamo e núcleos habenulares.

Circuito de Papez: hipocampo, fórnix, núcleos mamilares, fascículo mamilo-talâmico, núcleos anteriores do tálamo, cápsula interna, giro do cíngulo, istmo do giro do cíngulo, giro para-hipocampal e hipocampo.

Conexões Aferentes: através dessas conexões o sistema límbico recebe as informações sensitivas que irão influenciar o comportamento emocional.

Conexões Eferentes: desencadeiam o componente periférico e expressivo dos processos emocionais. Feixe prosencefálico medial ( liga a área septal ao hipotálamo e à formação reticular no tegmento do mesencéfalo), fascículo mamilo-tegmentar ( liga os núcleos mamilares ao tegmento do mesencéfalo) e estria medular ( liga a área septal aos núcleos habenulares do epitálamo, de onde o impulso cruza para o lado oposto na comissura das habênulas, chegando aos núcleos interpedunculares do mesencéfalo e à formação reticular).

Entre as principais funções do Sistema Límbico estão a regulação dos processos emocionais, do sistema nervoso autônomo e dos fatores motivacionais essenciais à sobrevivência da espécie e do indivíduo.

Corpo Amigdalóide: regula o comportamento alimentar.

Área Septal: centro do prazer no cérebro.

Giro do Cíngulo: importância clínica no tratamento da depressão e ansiedade.

Hipocampo: participação no fenômeno da memória.

Evidências indicam que existem dois tipos de memória, a recente e a remota. A memória recente é armazenada provisoriamente em circuitos envolvendo o hipocampo e o giro para-hipocampal, sendo muito mais fácil de ser perdida que a memória remota. Esta, por sua vez, é armazenada em circuitos corticais da área pré-frontal e dificilmente é perdida. A comunicação entre os circuitos relacionados com a memória recente e remota se dá através da área entorrinal localizada no giro para-hipocampal.



GRANDES VIAS AFERENTES:



Elementos: receptor, trajeto periférico, trajeto central e área de projeção cortical.

Vias inconscientes: dois neurônios.

Vias conscientes: geralmente três neurônios.

Neurônio I: localiza-se fora do SNC em um gânglio sensitivo ou na retina e mucosa olfatória, pseudo-unipolar com prolongamento periférico ligado ao receptor e prolongamento central ligado ao SNC através das raízes dorsais de nervos espinhais ou através de nervos cranianos.

Neurônio II: localiza-se na coluna posterior da medula ou em núcleos de nervos cranianos no tronco encefálico, fibras cruzam-se no plano mediano para formar tractos ou lemniscos.

Neurônio III: localiza-se no tálamo e origina axônio que chega ao córtex através de radiações talâmicas.

Vias Aferentes que Penetram no Sistema Nervoso Central por Nervos Espinhais:

Vias de dor e temperatura:

 Via Neoespino-Talâmica: constituída pelo tracto espino-talâmico lateral apresentando três neurônios.

 Via Paleoespino-Talâmica: neurônio III localiza-se na formação reticular, relaciona-se com a dor difusa.

Vias de pressão e tato protopático: corpúsculos de Meissner e Ruffini.

Vias de propriocepção consciente, tato epicrítico e sensibilidade vibratória.

Via de propriocepção inconsciente.

Vias da sensibilidade visceral.

Vias Aferentes que Penetram no Sistema Nervoso Central por Nervos Cranianos:

Vias Trigeminais: via trigeminal exteroceptiva e via trigeminal proprioceptiva.

Via Gustativa:

 Neurônios I: gânglio geniculado

 Neurônios II: núcleo do tracto solitário

Neurônios III: tálamo

Via Olfatória:

 Neurônios I: células da mucosa olfatória

 Neurônios II: ligam-se aos neurônios I e continuam no tracto olfatório, ganhando as estrias olfatórias lateral e medial, seguindo os impulsos conscientes da estria olfatória lateral à área de projeção cortical entre o úncus e o giro para-hipocampal.

Via Auditiva:

 Neurônios I: gânglio espiral da cóclea

 Neurônios II: núcleos cocleares dorsal e ventral

 Neurônios III: colículo inferior

 Neurônios IV: corpo geniculado medial

Via Óptica:

Receptores visuais e neurônios I, II e III localizam-se na retina.

Células fotossensíveis: cones e bastonetes

Das células fotossensíveis o impulso chega ao nervo óptico, de onde segue ao quiasma óptico onde ocorre entrecruzamento parcial de fibras axonais, em seguida vai para o tracto óptico, corpo geniculado lateral, colículo superior e finalmente atinge a área cortical da visão nos lábios do sulco calcarino, correspondendo à área 17 de Brodmann.

Regulação da Dor: Vias da Analgesia

De acordo com a teoria de Melzack e Wall, a penetração dos impulsos dolorosos no sistema nervoso central seria regulada por neurônios e circuitos nervosos existentes na substância gelatinosa das colunas posteriores da medula.



GRANDES VIAS EFERENTES:



Vias Eferentes Somáticas: sistema nervoso da vida de relação

Vias Eferentes Viscerais: sistema nervoso autônomo

Vias Piramidais: tracto córtico-espinhal e tracto córtico-nuclear.

Vias Extrapiramidais: tractos rubro-espinhal, tecto-espinhal, vestíbulo-espinhal e retículo-espinhal.

Principais estruturas relacionadas com a motricidade somática: cerebelo, corpo estriado e núcleos motores do tronco encefálico.



NÚCLEOS DE NERVOS CRANIANOS NO TRONCO ENCEFÁLICO:



Os núcleos de nervos cranianos localizam-se no tronco encefálico de maneira mais ou menos ordenada. O modo pelo qual estão dispostos permitiu delinear os critérios que levaram à atual classificação de seus componentes em colunas longitudinais de acordo com sua funcionalidade e especificidade. Seguindo essa classificação, serão descritas as colunas, os núcleos encontrados em cada uma e elucidadas suas principais funções.



Coluna Eferente Somática:



Núcleo do Oculomotor ( parte somática ou Núcleo de Perlia): localiza-se no mesencéfalo e origina fibras relacionadas com a motricidade dos músculos extrínsecos do olho, com exceção do oblíquo superior e do reto lateral.

Núcleo do Troclear: localiza-se no mesencéfalo, suas fibras realizam a motricidade somática correspondente ao músculo oblíquo superior do olho.

Núcleo do Abducente: localiza-se no colículo facial, na ponte e inerva o músculo reto lateral do olho.

Núcleo do Hipoglosso: localizado no trígono do hipoglosso, no bulbo, realiza a motricidade da língua.



Coluna Eferente Visceral Geral:



Núcleo de Edinger-Westphal: é a parte eferente visceral do oculomotor, localiza-se no mesencéfalo e origina fibras pré-ganglionares que vão até o gânglio ciliar, de onde partem as fibras pós-ganglionares em direção aos músculos ciliar e esfíncter da pupila.

Núcleo Lacrimal: encontrado na ponte, origina fibras pré-ganglionares que seguem pelo nervo facial ( intermédio ) até o gânglio pterigopalatino, de onde saem as fibras pós ganglionares que irão inervar a glândula lacrimal.

Núcleo Salivatório Superior: situado na ponte, origina fibras pré-ganglionares que seguem pelo nervo intermédio ao gânglio submandibular, de onde saem as fibras pós-ganglionares para as glândulas submandibular e sublingual.

Núcleo Salivatório Inferior: localizado no bulbo, suas fibras pós-ganglionares seguem pelo nervo hipoglosso ao gânglio ótico, do qual partem as fibras pós-ganglionares que inervam a glândula parótida.

Núcleo Dorsal do Vago: encontrado no trígono do vago, no bulbo, origina fibras pré-ganglionares que irão fazer sinapse em vários gânglios nas vísceras torácicas e abdominais.



Coluna Eferente Visceral Especial:



Núcleo Motor do Trigêmeo: localizado na ponte, suas fibras seguem pela raiz motora do trigêmeo e inervam os músculos da mastigação.

Núcleos do Facial: situado na ponte, suas fibras seguem pelo nervo facial e inervam a musculatura da mímica e o ventre posterior do digástrico.

Núcleo Ambíguo: localizado no bulbo, suas fibras seguem pelo glossofaríngeo, vago e raiz craniana do acessório, inervando os músculos da faringe e laringe, o trapézio e o esternocleidomastóideo são inervados pela raiz espinhal do acessório e considera-se sua origem como sendo pelo menos em parte branquiomérica.



Coluna Aferente Somática Geral:



Núcleo do Tracto Mesencefálico do Trigêmeo: encontrado no mesencéfalo e porção caudal da ponte, recebe impulsos proprioceptivos dos músculos da mastigação, músculos extrínsecos do bulbo ocular e de receptores localizados nos dentes e no periodonto.

Núcleo Sensitivo Principal: localizado na ponte, recebe fibras sensitivas do trigêmeo e continua-se no núcleo do tracto espinhal.

Núcleo do Tracto Espinhal do Trigêmeo: estende-se da ponte à medula, admitindo-se que as fibras que chegam exclusivamente ao núcleo sensitivo principal estejam relacionadas com o tato epicrítico, as que chegam exclusivamente no núcleo do tracto espinhal, com a dor e temperatura e aquelas que se bifurcam e terminam nos dois núcleos com a pressão e o tato protopático.



Coluna Aferente Somática Especial



Encontram-se nesta coluna os núcleos cocleares ventral e dorsal, além dos núcleos vestibulares superior, inferior, medial e lateral, ocupando toda a área vestibular do quarto ventrículo.



Coluna Aferente Visceral



Esta coluna apresenta o núcleo do tracto solitário, relacionado com a sensibilidade visceral, geral e especial.



Para que os impulsos que chegam aos núcleos sensitivos de nervos cranianos se tornem conscientes, é necessário estabelecer comunicação com o córtex cerebral, passando antes pelo tálamo. A natureza desenvolveu um sistema de conexões que fazem esta ligação, sendo os principais o lemnisco trigeminal, que liga os impulsos do trigêmeo ao tálamo; o lemnisco lateral, levando os impulsos auditivos dos núcleos cocleares ao colículo inferior e ao corpo geniculado lateral; as fibras vestíbulo-talâmicas ligando ao tálamo os núcleos vestibulares e as fibras solitário-talâmicas que ligam o núcleo do tracto solitário ao tálamo.

Com relação à parte motora, o tracto córtico-nuclear realiza conexão com os núcleos motores de nervos cranianos de maneira análoga ao tracto córtico-espinhal, que liga áreas do córtex à medula.

Estão associados aos nervos cranianos e seus respectivos núcleos diversos reflexos como o reflexo mandibular, corneano, lacrimal, reflexo de piscar, reflexo de movimentação dos olhos, fotomotor direto e indireto, reflexo consensual e reflexo do vômito.

O reflexo fotomotor direto ocorre quando a pupila é submetida à luz direta, o que leva o impulso do nervo óptico ao núcleo pré-tectal e, em seguida, ao núcleo de Edinger-Westphal. Deste, as fibras pré-ganglionares do parassimpático craniano vão ao gânglio ciliar, de onde saem as fibras pós-ganglionares que inervam os músculos intrínsecos do olho, ciliar e esfíncter da pupila, realizando a miose ou diminuição do diâmetro pupilar.

O reflexo fotomotor indireto compreende a miose em uma pupila enquanto a luz incide sobre a outra pupila. O reflexo consensual é caracterizado pela miose pupilar devido à aproximação de um objeto com a finalidade de melhorar a acuidade visual.

Obs: o conceito admitido por mim sobre os reflexos fotomotor direto, indireto e consensual difere daquele sugerido pelo autor Ângelo Machado. A princípio, achei conveniente seguir a opinião de especialistas na área de oftalmologia, a respeito da neurofisiologia da visão.



































Bibliografia:



Neuroanatomia Funcional - Ângelo Machado

Neuranatomia - Eros Abrantes Erhart

Neuroanatomy - William DeMyer (The National Medical Series for Independent Study )

The Human Nervous System - Basic Principles Of Neurobiology - Charles R. Noback, Robert J. Demarest

Tratado de Fisiologia Médica - Guyton & Hall



Bainha de mielina
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Nos axônios de maior diâmetro, a célula envoltória forma dobras múltiplas e em espiral em torno do axônio. Ao conjunto dessas dobras múltiplas denomina-se bainha de mielina e as fibras são chamadas de fibras nervosas mielínicas.Sua função é acelerar a velocidade da condução do impulso nervoso. A bainha de mielinha não é contínua, pois ela apresenta intervalos reguladores, formando os nódulos de Ranvier. A bainha de mielina está presente somente nos vertebrados.

As bainhas de mielina que envolvem axônios no SNC säo feitas e mantidas por oligodendrócitos. Estas células gliais formam um número variável de segmentos de mielina (internódulos): entre 1 e 200, de modo que quando uma célula é lesada junto com ela podem ser destruídos numerosos internódulos, constituindo um processo desmielinizante. Como conseqüência da destruiçäo da célula-bainha e internódulos relacionados há uma resposta celular rápida e abundante. Esta resposta é feita por fagócitos residentes (microglia) e hematógenos. Ambas as células fagocitam os detritos celulares e de mielina, deixando os axônios desmielinizados. Estes axônios podem permanecer desprovidos de suas bainhas e aglutinados, podem ser separados por processos de astrócitos ou podem ser remielinizados. A ocorrência do processo de remielinizaçäo depende da intensidade e tempo de exposiçäo ao agente desmielinizante. A remielinizaçäo, com total restabelecimento da conduçäo pode ser realizada por oligodendrócito ou por célula de Schwann que invade o SNC sempre que os astrócitos säo destruídos

Célula de Schwann
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Célula de Schwann é um tipo de célula glial que produz a mielina que envolve os axónios dos neurónios no sistema nervoso periférico, isolando electricamente os nervos e assim permitindo a propagação rápida de potenciais de acção. Desempenham a mesma função na periferia que os oligodendrócitos desempenham no sistema nervoso central (incluindo cérebro).

Isto tem uma direta ligação com a neurofibromatose.

Cada célula de Schwann envolve um segmento de um axónio, enrolando-se em volta deste e de si própria, até cem vezes. A sua membrana celular contém lipídeos e glicoproteinas produzidas na célula com propriedades especificas para as necessidades de isolamento dos neurónios. Ao enrolar-se em volta do axónio, as camadas de membrana bifosfolipidica ficam praticamente em contacto uma com a outra, em forma de "fatia de cebola" com o axónio no centro. O corpo celular, onde se localiza o núcleo e os organelos produtores dos componentes da membrana (a mielina) fica limitado à periferia. O resquicio de citoplasma que fica a comunicar cada uma das fatias da 'cebola' é reconhecida histologicamente como a incisura de Scmidt-Lantermann.

Cada célula cobre cerca de um milimetro do axónio, mas como estes em geral no sistema nervoso periférico são muito mais longos, podendo chegar a metros de comprimento, muitas centenas delas são necessárias em cada axónio de cada neurónio. A região do axónio entre duas células de Schwann que não está envolvido por nenhuma dela é o Nódulo de Ranvier e é aí que se verificam as trocas iónicas do axónio com o meio extracelular, na sua grande maioria. Este mecanismo permite a condução saltatória do potencial de acção, o que leva a grandes ganhos de velocidade e de energia. As regiões de citoplasma que Além disso a célula também produz factores de crescimento e permito a nutrição eficaz do segmento do axónio que isola.

A neoplasia da célula de Schwann é o Schwannoma ou Neurofibroma.


A célula de Schwann foi identificada pelo fisiologista alemão Theodor Schwann (1810-1882).

Sinapse (neurônio)
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Esquema de uma sinapse.
A- neurônio transmissor B- neurônio receptor 1. Mitocôndria 2. Péptido 3. Junção comunicante 4. Sinal eléctrico 5. Canal de Cálcio 6. Conexinas

Sinapses nervosas são os pontos onde as extremidades de neurônios vizinhos se encontram e o estímulo passa de um neurônio para o seguinte por meio de mediadores químicos, os neurotransmissores.

As sinapses ocorrem no contato das terminações nervosas (axônios) com os dendritos. O contato físico não existe realmente, pois as estruturas estão próximas, mas há um espaço entre elas (fenda sináptica). Dos axônios são libertadas substâncias (neurotransmissores), que atravessam a fenda e estimulam receptores nos dendritos e assim transmitem o impulso nervoso de um neurônio para o outro.

Sinapse excitatória

Sinapse excitatórias são aquelas onde a membrana pós-sináptica é despolarizada, como por exemplo as sinapses entre neurônios motores e músculos esqueléticos.

Sinapse inibitórias

Sinapses inibitórias causam a hiperpolarização da membrana pós-sináptica. Os neurotransmissores mais comuns em sinapses inibitórias de vertebrados são o ácido gama-aminobutírico(GABA) e glicina. As células pós-sinápticas das sinapses inibitórias apresentam canais de cloro ligante dependentes. Quando esses canais são ativados por um neurotransmissor, eles podem hiperpolarizar a membrana pós-sináptica. Assim há uma probabilidade menor de lançamento de um potêncial de ação.

Neurotransmissor
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Neurotransmissores são substâncias químicas produzidas pelos neurônios, as células nervosas. Por meio delas, podem enviar informações à outras células. Podem também estimular a continuidade de um impulso ou efetuar a reação final no órgão ou músculo alvo.








Sistema endócrino
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Principais glândulas endócrinas. (Masculinas na esquerda, femininas na direita.) 1. Glândula pineal 2. Glândula pituitária 3. Glândula tireóide 4. Timo 5. Glândula supra-renal 6. Pâncreas 7. Ovário 8. Testículo 9. tecido adiposo

Sistema endócrino é formado pelo conjunto de glândulas que apresentam como atividade característica a produção de secreções denominadas hormônios.

Freqüentemente o sistema endócrino interage com o sistema nervoso, formando mecanismos reguladores bastante precisos. O sistema nervoso pode fornecer ao sistema endócrino informações sobre o meio externo, enquanto que o sistema endócrino regula a resposta interna do organismo a esta informação. Dessa forma, o sistema endócrino em conjunto com o sistema nervoso atua na coordenação e regulação das funções corporais.

Alguns dos principais órgãos que constituem o sistema endócrino são: a hipófise, o hipotálamo, a tiróide, as supra-renais, o pâncreas, as gônadas (os ovários e os testículos) o tecido adiposo.

·

Dopamina (DA)
Glândula pineal produz
Dimetiltriptamina
Melatonina
Glândula pituitária (hipófise) produz
Pituitária anterior (adenohipófise)
Hormônio do crescimento (GH)
Prolactina (PRL)
Hormônio adrenocorticotrófico (ACTH, corticotrofina)
Hormônio estimulante da tireóide (TSH, tirotrofina)
Hormônio folículo-estimulante (FSH, uma gonadotrofina)
Hormônio luteinizante (LH, uma gonadotrofina)
Pituitária posterior (neurohipófise)
Oxitocina (ocitocina)
Arginina vasopressina (AVP; também ADH, hormônio antidiurético)
Lipotropina
Glândula tireóide produz
Triiodotironina (T3), uma forma potente de hormônio da tireóide
Tiroxina (T4), uma forma menos ativa de hormônio da tireóide
Calcitonina
Glândula paratireóide produz
Hormônio da paratireóide (PTH)
Timo produz
Peptídeo natriurético atrial (ANP)
Estômago e intestinos produzem
Colecistoquinina (CCK)
Gastrina
Grelina
Neuropeptídeo Y (NPY)
Secretina
Somatostatina
Fígado produz
Fator de crescimento semelhante à insulina (IGF)
Angiotensinogênio
Trombopoietina
Ilhotas de Langerhans no pâncreas produzem
Insulina
Glucagon
Somatostatina
Glândulas adrenais produzem
Córtex adrenal
Glicocorticóides (principalmente cortisol)
Mineralocorticóides (principalmente aldosterona)
Andrógenos (incluindo DHEA e testosterona)
Medula adrenal
Adrenalina (epinefrina)
Noradrenalina (norepinefrina)
Testosterona
Rim produz
Renina
Eritropoietina (EPO)
Calcitriol (a forma ativa da vitamina D3)
Pele produz
Vitamina D3 (calciferol)
Tecido adiposo
Leptina
Estrógenos (principalmente estrona)
tecido adiposo
adipocitocinas)
Em maiores concentrações em indivíduos do sexo masculino

Testículos
Andrógenos (principalmente testosterona)
[editar] Em mulheres somente
Folículo ovariano
Estrógenos (principalmente estradiol)
Corpo lúteo
Progesterona
Estrógenos (principalmente estradiol)
Placenta (quando grávida)
Progesterona
Estrógenos (principalmente estriol)
Gonadotrofina coriônica humana (HCG)
Lactogênio placentário humano (HPL)
SISTEMA ENDÓCRINO Dá-se o nome de sistema endócrino ao conjunto de órgãos que apresentam como atividade característica a produção de secreções denominadas hormônios, que são lançados na corrente sangüínea e irão atuar em outra parte do organismo, controlando ou auxiliando o controle de sua função. Os órgãos que têm sua função controlada e/ou regulada pelos hormônios são denominados órgãos-alvo. Constituição dos órgãos do sistema endócrino Os tecidos epiteliais de secreção ou epitélios glandulares formam as glândulas, que podem ser uni ou pluricelulares. As glândulas pluricelulares não são apenas aglomerados de células que desempenham as mesmas funções básicas e têm a mesma morfologia geral e origem embrionária - o que caracteriza um tecido. São na verdade órgãos definidos com arquitetura ordenada. Elas estão envolvidas por uma cápsula conjuntiva que emite septos, dividindo-as em lobos. Vasos sangüíneos e nervos penetram nas glândulas, fornecendo alimento e estímulo nervoso para as suas funções. Os hormônios influenciam praticamente todas as funções dos demais sistemas corporais. Freqüentemente o sistema endócrino interage com o sistema nervoso, formando mecanismos reguladores bastante precisos. O sistema nervoso pode fornecer ao endócrino a informação sobre o meio externo, ao passo que o sistema endócrino regula a resposta interna do organismo a esta informação. Dessa forma, o sistema endócrino, juntamente com o sistema nervoso, atuam na coordenação e regulação das funções corporais. Alguns dos principais órgãos produtores de hormônios Alguns dos principais órgãos produtores de hormônios no homem são a hipófise, o hipotálamo, a tireóide, as paratireóides, as supra-renais, o pâncreas e as gônadas. Hipófise ou pituitária Situa-se na base do encéfalo, em uma cavidade do osso esfenóide chamada tela túrcica. Nos seres humanos tem o tamanho aproximado de um grão de ervilha e possui duas partes: o lobo anterior (ou adenohipófise) e o lobo posterior (ou neuro-hipófise). Imagem: AVANCINI & FAVARETTO. Biologia – Uma abordagem evolutiva e ecológica. Vol. 2. São Paulo, Ed. Moderna, 1997. Além de exercerem efeitos sobre órgãos nãoendócrinos, alguns hormônios, produzidos pela hipófise são denominados trópicos (ou tróficos) porque atuam sobre outras glândulas endócrinas, comandando a secreção de outros hormônios. São eles: · Tireotrópicos: atuam sobre a glândula endócrina tireóide. · Adrenocorticotrópicos: atuam sobre o córtex da glândula endócrina adrenal (supra-renal) · Gonadotrópicos: atuam sobre as gônadas masculinas e femininas. · Somatotrófico: atua no crescimento, promovendo o alongamento dos ossos e estimulando a síntese de proteínas e o desenvolvimento da massa muscular. Também aumenta a utilização de gorduras e inibe a captação de glicose plasmática pelas células, aumentando a concentração de glicose no sangue (inibe a produção de insulina pelo pâncreas, predispondo ao diabetes). Imagem: CÉSAR & CEZAR. Biologia 2. São Paulo, Ed Saraiva, 2002 Hipotálamo Localizado no cérebro diretamente acima da hipófise, é conhecido por exercer controle sobre ela por meios de conexões neurais e substâncias semelhantes a hormônios chamados fatores desencadeadores (ou de liberação), o meio pelo qual o sistema nervoso controla o comportamento sexual via sistema endócrino. O hipotálamo estimula a glândula hipófise a liberar os hormônios gonadotróficos (FSH e LH), que atuam sobre as gônadas, estimulando a liberação de hormônios gonadais na corrente sanguínea. Na mulher a glândula-alvo do hormônio gonadotrófico é o ovário; no homem, são os testículos. Os hormônios gonadais são detectados pela pituitária e pelo hipotálamo, inibindo a liberação de mais hormônio pituitário, por feed-back. Como a hipófise secreta hormônios que controlam outras glândulas e está subordinada, por sua vez, ao sistema nervoso, pode-se dizer que o sistema endócrino é subordinado ao nervoso e que o hipotálamo é o mediador entre esses dois sistemas. O hipotálamo também produz outros fatores de liberação que atuam sobre a adenohipófise, estimulando ou inibindo suas secreções. Produz também os hormônios ocitocina e ADH (antidiurético), armazenados e secretados pela neurohipófise. Tireóide Localizase no pescoço, estando apoiada sobre as cartilagens da laringe e da traquéia. Seus dois hormônios, triiodotironina (T3) e tiroxina (T4), aumentam a velocidade dos processos de oxidação e de liberação de energia nas células do corpo, elevando a taxa metabólica e a geração de calor. Estimulam ainda a produção de RNA e a síntese de proteínas, estando relacionados ao crescimento, maturação e desenvolvimento. A calcitonina, outro hormônio secretado pela tireóide, participa do controle da concentração sangüínea de cálcio, inibindo a remoção do cálcio dos ossos e a saída dele para o plasma sangüíneo, estimulando sua incorporação pelos ossos. Paratireóides São pequenas glândulas, geralmente em número de quatro, localizadas na região posterior da tireóide. Secretam o paratormônio, que estimula a remoção de cálcio da matriz óssea (o qual passa para o plasma sangüíneo), a absorção de cálcio dos alimentos pelo intestino e a reabsorção de cálcio pelos túbulos renais, aumentando a concentração de cálcio no sangue. Neste contexto, o cálcio é importante na contração muscular, na coagulação sangüínea e na excitabilidade das células nervosas. As glândulas endócrinas e o cálcio Adrenais ou suprarenais São duas glândulas localizadas sobre os rins, divididas em duas partes independentes – medula e córtex secretoras de hormônios diferentes, comportandose como duas glândulas. O córtex secreta três tipos de hormônios: os glicocorticóides, os mineralocorticóides e os androgênicos. Pâncreas É uma glândula mista ou anfícrina – apresenta determinadas regiões endócrinas e determinadas regiões exócrinas (da porção secretora partem dutos que lançam as secreções para o interior da cavidade intestinal) ao mesmo tempo. As chamadas ilhotas de Langerhans são a porção endócrina, onde estão as células que secretam os dois hormônios: insulina e glucagon, que atuam no metabolismo da glicose. Que doenças a endocrinologia trata? Os endocrinologistas são médicos especialmente treinados para reconhecer e tratar problemas hormonais, ajudando a restabelecer o equilíbrio natural dos hormônios no seu corpo. Alguns endocrinologistas também trabalham com pesquisa básica, para desvendar os segredos do funcionamento das glândulas, e desenvolvem novas medicações e tratamentos para os distúrbios hormonais. A pesquisa é importante para ajudá-los a aprender as melhores maneiras de tratar seus pacientes. O campo de atuação do endocrinologista é extremamente vasto, visto que os hormônios regulam praticamente todas as funções orgânicas, e portanto as alterações hormonais podem provocar doenças as mais variadas, envolvendo o organismo como um todo. Interessante notar que as descobertas científicas mais recentes mostram que praticamente todos os órgãos do corpo secretam algum tipo de hormônio. Até mesmo aqueles órgãos que se acreditava ter uma função única bem definida, tais como o coração, o estômago.


Testosterona
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Testosterona
Aviso médico

Nome IUPAC (sistemática)

17b-hidróxi-4-androsten-3-um

Identificadores

CAS
58-22-0

ATC
G03BA03

PubChem
6013

Informação química

Fórmula molecular
C19H28O2

Massa molar
288.43

Dados físicos

Ponto de ebulição
155-156 °C

Rotação específica
+110,2°

Entalpia Comb.
−11080 kJ/mol

Farmacocinética

Biodisponibilidade
?

Metabolismo
Fígado, Testículo e Próstata

Meia-vida
1-12 dias

Excreção
Urina

Considerações terapêuticas

Administração
Injeção intramuscular, transdérmica (creme, gel ou patch), oral, sub-'Q' pellet

Testosterona é um hormônio esteróide produzido, tanto nos Homens quanto nas Mulheres.Nos homens pelos testículos (os quais também produzem espermatozóides e uma série de outros hormônios que controlam o desenvolvimento normal e funcionamento), nos indivíduos do sexo feminino, pelos ovários, e, em pequena quantidade em ambos, também pelas glândulas supra-renais. Vale ressaltar que a síntese da testosterona é estimulada pela ação do LH (hormônio luteinizante), que por sua vez é produzido pela pituitária anterior (adenohipófise ou simplesmente hipófise).

A testosterona é responsável pelo desenvolvimento e manutenção das características masculinas normais, sendo também importante para a função sexual normal e o desempenho sexual. Apesar de ser encontrada em ambos os sexos, em média, o organismo de um adulto do sexo masculino produz cerca de vinte a trinta vezes mais a quantidade de testosterona que o organismo de um adulto do sexo feminino,[1] tendo assim um papel determinante na diferenciação dos sexos na espécie humana.

Testosterona: libido e agressividade
Altas taxas de testosterona tendem a aumentar o comportamento agressivo. Além disso, estudos feitos por Richard Udry com adolescentes mostraram que um alto nível do hormônio aumenta a predisposição a ter relações sexuais. O mesmo acontece com adultos. Só que entre esses, o maior nível de testosterona costuma acarretar problemas no casamento. James Dabbs e Alan Booth analisaram as relações amorosas de 4.462 militares entre 30 e 40 anos e perceberam que os homens com testosterona alta eram menos propensos a se casar e se divorciavam mais facilmente. Além disso, os campeões da testosterona tinham o dobro de chances de ter relações extraconjugais do que os que apresentavam níveis mais baixos. Risco e agressividade podem não combinar com a vida conjugal.

Já num estudo da Faculdade de Medicina de Yale, cientistas observaram que altos níveis testosterona, ainda que por períodos curtos de seis a doze horas, causaram morte em culturas de neurônios.[2]

[
Tiroide
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Tireóide



Tireóide e paratireóide

Latim
glandula thyroidea

Gray's
assunto #272 1269

Vascularização
artéria tireóidea superior, artéria tireóidea inferior,

Drenagem venosa
veia tireóidea superior, veia tireóidea média, veia tireóidea inferior, thyreoidea ima

Inervação
gânglio cervical médio, gânglio cervical inferior

Precursor
4th Branchial pouch

MeSH
Thyroid+Gland

Dorlands/Elsevier
g_06/12392768


Nota: Se procura tireóide no sentido de cartilagem , consulte cartilagem tireóide.





Glândula Tiróide

A tiróide (português europeu) ou tireóide (português brasileiro) (termo derivado da palavra grega "escudo", devido ao seu formato) é uma das maiores glândulas endócrinas do corpo. Ela é uma estrutura de dois lobos localizada no pescoço (em frente à traquéia) e produz hormônios, principalmente tiroxina (T4) e triiodotironina (T3), que regulam a taxa do metabolismo e afetam o aumento e a taxa funcional de muitos outros sistemas do corpo. O iodo é um componente essencial tanto do T3 quanto do T4. A tireóide também produz o hormônio calcitonina, que possui um papel muito importante na homeostase do cálcio. O hipertireoidismo (tireóide muito ativa) e hipotireoidismo (tireóide pouco ativa) são os problemas mais comuns da glândula tireóide.

Índice
[esconder]

1 Anatomia
2 Histologia
3 Fisiologia
4 Embriologia
5 Doenças
6 História
7 Bibliografia


[editar] Anatomia
A tireóide é uma glândula, com 15-30 gramas, localizada no pescoço anterior ao nível das vértebras C5 até T1, em frente à traquéia, e é imediatamente inferior à laringe (e à maçã de Adão). Ela está recoberta por músculos do pescoço e pelas suas fascias.

Tem forma de H e é constituída por dois lobos unidos por um istmo. Tem cor escura vermelha. Está envolvida por uma cápsula de tecido conjuntivo.

A tireóide é um orgão muito vascularizado, rica em capilares sanguíneos e linfáticos. O seu suprimento sanguíneo é das artérias tireóideas superiores (ramos das artérias carótidas externas) e artérias tireóideias inferiores (ramo das artérias subclávias).

[editar] Histologia
A glândula tireóide é constituída por um grande número de folículos (espécie de cistos microscópicos com cerca de meio milímetro de diâmetro) formados por epitélio simples de células tireóideas foliculares, produtoras de hormônios tireoideanos (T3 e T4). Entre os folículos, no interstício, estão células C (claras) ou parafoliculares, produtoras de calcitonina. Existe também tecido conjuntivo intersticial que se vai tornando mais volumoso do interior para a periferia da glândula, até se fundir com a cápsula.

Os folículos são delimitados por um epitélio cúbico simples de células foliculares. Estes secretam no interior do folículo os hormônios e outras substâncias que formam o colóide gelatinoso que se encontra no seu interior. Este colóide armazena o hormônio tireoideano, que é absorvido de novo pelas células foliculares e libertada no sangue de acordo com as necessidades do organismo. Julga-se que a arquitetura em folículos armazenadores deve-se à falta de regularidade de consumo de fontes de iodo de que sofriam os nossos antepassados.

[editar] Fisiologia
A principal função da glândula tiróide é a produção e armazenamento de hormônios tiroidianos, T3 (tri-iodotironina) e T4 (tiroxina). A produção destes hormônios é feita após estimulação das células pelo hormônio da hipófise TSH (thyroid stimulating hormone) no receptor membranar do TSH, existente em cada célula folicular. As células intersticiais, células c, produzem calcitonina, um hormônio que leva à diminuição da concentração de cálcio no sangue (estimulando a formação óssea).

A tiróide é a única glândula endócrina que armazena o seu produto de excreção. As células foliculares sintetizam a partir de aminoácidos e Iodo (este é convertido a partir do íon iodeto presente no sangue que armazenam activamente até grandes concentrações graças a um transportador membranar específico) a proteína de alto peso molecular tiroglobulina que secretam dentro dos foliculos numa solução aquosa viscosa, o colóide. De acordo com as necessidades (e níveis de TSH), as células foliculares captam por pinocitose líquido colóide. A tiroglobulina aí presente é digerida nos lisossomas, e transformada em t3 e t4 que são libertadas no exterior do folículo para a corrente sanguínea.

A atividade das células foliculares é dependente dos níveis sanguíneos de TSH (hormona hipofisária tirotrófica). A TSH determina a taxa de secreção de t3 e t4 e estimula o crescimento e divisão das células foliculares. Esta é secretada na glândula pituitária ou hipófise. A secreção de TSH depende de muitos factores, um dos quais é o feedback negativo pelas hormonas tiroideias (grandes quantidades de t3 ou t4 são sentidas pela hipófise a a secreção de TSH é diminuída, e vice-versa).

Os hormônios tiroidianos T3 e T4 (a T3 é mais potente e grande parte da T4 é convertida em T3 nos tecidos periféricos) estimulam o metabolismo celular (são hormonas anabólicas) através de estimulação das mitocôndrias. Efeitos sistêmicos importantes são maior força de contracção cardíaca, maior atenção e ansiedade e outros devido maior velocidade do metabolismo dos tecidos. A sua carência traduz-se em déficit mental e outros distúrbios.

Regulação na secreção de T3 e T4

Tanto o estresse quanto o frio estimulam a liberação de TSH-RF (RF: Releasing Factor ou Fator de Libereção) pelo HIPOTÁLAMO, que estimulam a liberação de TSH pela ADENO-HIPOFISE, que por sua vez, estimula a TIREÓIDE a liberar T3 e T4 que aumenta a taxa do metabolismo basal.

[editar] Embriologia
A glândula tiróide origina-se de uma bolsa endodérmica na faringe que surge ao 24º dia do desenvolvimento, conhecido por primórdio tiróideo. Em alguns indivíduos permanece uma ligação entre a tiróide e a língua (que se origina na mesma região), da qual ela desceu durante o desenvolvimento embrionário, que se denomina canal tiroglosso.

[editar] Doenças
Hipertiroidismo (tireotoxicose) - níveis excessivos de hormônio tiroidiano.
Doença de Graves - tireotoxicose autoimune
Hipotiroidismo - níveis insuficientes de hormônio tiroidiano.
Cretinismo - hipotiroidismo na criança.
Mixedema - hipotiroidismo no adulto.
Tiroidite de Hashimoto - hipotiroidismo autoimune.
Bócio - massa no pescoço devido a tiróide hipertrofiada por insuficiência de iodo na dieta.
Tumores da tiróide - neoplasias e cancros da Tiróide.
A tireóide pode ser acometida de enfermidades correlacionadas com o meio ambiente. O consumo excessivo de fluoretos, a deficiência de iodo, vitaminas e desnutrição, contribuem para o aparecimento do Hipotiroidismo. Se você tem, ou suspeita ter, essa enfermidade comum, evite os fatores de risco e converse com seu médico sobre o tratamento.

[editar] História
A Tiróide foi identificada enquanto órgão pelo anatomista Thomas Wharton em 1656. A tiroxina (T4) foi isolada no século XIX.

[editar] Bibliografia
MOORE, Keith L. Fundamentos de anatomia clínica (2a. ed.). Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004. p. 501.
JUNQUEIRA, Luiz C.; CARNEIRO, José. Histologia básica (10a. ed.). Rio de JaneiInsulina
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Regulação da glicemia pelos hormônios glucagon e insulina

Insulina é o hormônio responsável pela redução da glicemia (taxa de glicose no sangue), ao promover o ingresso de glicose nas células. Ela também é essencial no consumo de carboidratos, na síntese de proteínas e no armazenamento de lipídios (gorduras).

É produzida nas ilhotas de Langerhans, células do pâncreas endócrino. Ela age em uma grande parte das células do organismo, como as células presentes em músculos e no tecido adiposo, apesar de não agir em células particulares como as células nervosas.

Quando a produção de insulina é deficiente, a glicose se acumula no sangue e na urina, matando as células de fome: é a diabetes mellitus. Para pacientes nessa condição, a insulina é provida através de injeções, ou bombas de insulina. Recentemente foi aprovado o uso de insulina inalada. Porém, ainda há controvérsias acerca do uso do produto comercializado pela Pfizer. A agencia de saude britanica nao recomenda seu uso.

A insulina é um polipeptídeo de estrutura química plenamente conhecida, e pode ser sintetizada a partir de diversos animais. Mais recentemente, surgiram os medicamentos análogos de insulina, que não são propriamente a insulina em si, mas moléculas de insulina modificadas em laboratório.

O controle na produção de insulina pelo corpo é um exemplo de sistema de feedback.

Ficheiro:Insulin structure.JPG

Estrutura básica da insulina: seqüência de aminoácidos

Índice
[esconder]

1 Descoberta e caracterização
2 Estrutura e produção
3 Ação em nível celular e metabólico
4 Ação sobre o nível de glicemia
5 Ver também
6 Ligações externas


Descoberta e caracterização
Em 1869, Paul Langerhans, um estudante de medicina em Berlin, estava estudando a estrutura do pâncreas através de um microscópio quando percebeu células antes desconhecidas espalhadas pelo tecido exócrino. A função da "pequena porção de células", mais tarde denominada como ilhotas de Langerhans, era desconhecida, mas Edouard Laguesse posteriormente sugeriu que tais células poderiam produzir algum tipo de secreção que participasse no processo de digestão.

Em 1889, o médico teuto-polonês Oscar Minkowski em colaboração com Joseph von Mehring removeu o pâncreas de um cão saudável para demonstrar o papel do órgão na digestão de alimentos. Vários dias após a remoção do pâncreas, o guarda do cão percebeu muitas moscas alimentando-se da urina do animal. Verificou-se com o teste da urina do cão que havia açúcar nela, o que demonstrou pela primeira vez a relação entre o pâncreas e a diabetes. Em 1901, outro passo importante foi alcançado por Eugene Opie, quando ele estebeleceu claramente a ligação entre as ilhotas de Langerhans e a diabetes: "Diabetes mellitus... é causada pela destruição das ilhotas de Langerhans e ocorre apenas quando tais células são em parte ou totalmente destruídas".

Durante as duas décadas seguintes foram feitas várias tentativas de isolamento da secreção das ilhotas como um tratamento potencial de diabetes. Em 1906, Georg Ludwig Zuelzer foi parciamente feliz no tratamento de cães com extrato pancreático, mas teve que interromper seus trabalhos. Entre 1911 e 1912, E. L. Scott da Universidade de Chicago usou extratos pancreáticos aquosos e notou uma leve diminuição da glicosúria, mas não conseguiu convencer o diretor da instituição dos resultados, e a pesquisa teve de ser encerrada. Israel Kleiner demonstrou efeitos similares na Rockfeller University em 1919, mas seu trabalho foi interrompido pela Primeira Guerra Mundial. Nicolae Paulescu, um professor de fisiologia da Escola Romena de Medicina, publicou um trabalho parecido em 1921 realizado na França e patenteado na Romênia, e discute-se desde então se Paulescu não tenha sido o verdadeiro descobridor da insulina.

Entretanto, o comitê do Prêmio Nobel em 1923 creditou a extração prática da insulina a uma equipe da Universidade de Toronto. Em outubro de 1920, Frederick Banting lia um dos artigos de Minkowski e concluiu que Minkowski estava mesmo é estudando secreções digestivas originalmente, e por isso não se conseguia extrair a insulina com sucesso. Ele redigiu uma nota para si mesmo: "Ligar duto pancreático do cão. Manter cães vivos até que acinos se degenerem, sobrando ilhotas. Tentar isolar secreção interna delas e aliviar glicosúria".

Ele viajou a Toronto para encontrar-se com J. J. R. Macleod, que não se impressionou plenamente com a idéia. De qualquer forma, Macleod deixou à disposição de Banting um laboratório da universidade, e um assistente, Charles Best, e dez cães enquanto saía de férias no verão de 1921. O método de Banting e Best era amarrar uma ligadura ao redor do duto pancreático dos cães e, várias semanas depois, examinar que as células digestivas pancreáticas tinham morrido e sido absorvidas pelo sistema imunológico, deixando milhares de ilhotas. Isolava-se a proteína dessas ilhotas para produzir o que vinham chamando de isletina. Banting e Best mantiveram um cão pancreatectomizado vivo durante todo o verão.

Macleod viu o valor da pesquisa na sua volta da Europa, mas pediu uma contraprova para saber se o método realmente funcionava. Várias semanas depois ficou claro que o segundo ensaio tinha sido um sucesso, e assim Macleod ajudou na publicação dos resultados em novembro daquele ano. Porém, precisavam de seis semanas para extrair a isletina, o que tornava o ensaio dramaticamente moroso. Banting sugeriu que tentassem usar pâncreas de feto de bezerro, que ainda não teria desenvolvido glândulas digestivas, e ficou alivado pelo sucesso da empreitada.

Com a solução para a fonte de isletina, faltava agora purificar a proteína. Em dezembro de 1921, Macleod convidou o brilhante bioquímico James Collip para ajudar na tarefa, e em um mês aprontaram-se para um teste.

Em 11 de janeiro de 1922, Leonard Thompson, um diabético de quatorze anos, recebeu a primeira injeção de insulina. Infelizmente, o extrato estava tão impuro que ele acabou sofrendo uma reação alérgica severa, e injeções adicionais foram canceladas. Durante os doze dias seguintes, Collip trabalhou dia e noite para melhorar o extrato, e uma segunda dose foi injetada no dia 23. Desta vez foi um sucesso, não apenas em não apresentar efeitos colaterais, mas também por eliminar completamente os sintomas de diabetes. Entretanto, Banting e Best não se davam bem com Collip, porque aparentemente viam nele um intruso, e então Collip logo os deixou.

Durante a primavera de 1922, Best conseguiu melhorar as técnicas de preparo a ponto de poder extrair grandes quantidades de insulina, embora o extrato ainda permanecesse impuro. Contudo, eles receberam uma oferta de ajuda da Eli Lilly logo depois de suas publicações em 1921, e aceitaram-na em abril. Em novembro, a Lilly conseguiu a façanha de produzir grandes quantidades de insulina bastante pura. Depois disso, a insulina logo foi lançada no mercado.

Por esta descoberta marcante, Macleod e Banting foram agraciados com o Prêmio Nobel em Fisiologia em 1923. Banting, aparentemente insultado porque Best não fora mencionado, dividiu seu prêmio com ele, e Macleod imediatamente dividiu o seu com Collip. A patente da insulina foi vendida à Universidade de Toronto por um dólar.

A seqüência exata de aminoácidos contida na molécula de insulina, a chamada estrutura primária, foi determinada pelo biólogo britânico Frederick Sanger. Foi a primeira vez que a estrutura de uma proteína fora completamente determinada. Por isso, ele recebeu o Prêmio Nobel de Química em 1958. Em 1967, após décadas de trabalho, Dorothy Crowfoot Hodgkin determinou a conformação espacial da molécula mediante estudos de difração de raios X. Ela também recebeu um Prêmio Nobel.

[editar] Estrutura e produção
A insulina é sintetizada nos humanos e em outros mamíferos dentro das células-beta das ilhotas de Langerhans, no pâncreas. Um a três milhões de ilhotas de Langerhans formam a parte endócrina do pâncreas, que é principalmente uma glândula exócrina. A parte endócrina totaliza apenas 2% da massa total do órgão. Dentro das ilhotas de Langerhans, as células-beta constituem 60-80% do todo.



1. Preproinsulina (Líder, cadeia B, cadeia C, cadeia A); a proinsulina consiste em BCA, sem L
2. Dobra espontânea
3. As cadeias A e B ligadas por enxofre
4. As cadeias L and C são cortadas
5. Molécula de insulina final

A insulina é sintetizada a partir da molécula precursora proinsulina pela ação de enzimas proteolíticas conhecidas como prohormônio convertases (PC1 e PC2). A insulina ativa tem 51 aminoácidos e é uma das menores proteínas conhecidas. A insulina bovina difere da humana em três resíduos de aminoácidos enquanto que a suína, em um resíduo. A insulina de peixes também é muito próxima à humana. Em humanos, a insulina tem um peso molecular de 5808. Ela é formada por duas cadeias de polipeptídeos ligadas por duas pontes dissulfídicas (veja a figura), com uma ligação dissulfídica adicional na cadeia A (não mostrada). A cadeia A consiste de 21, e a cadeia B, de 30 aminoácidos. A insulina é produzida como uma molécula de prohormônio - proinsulina - que é mais tarde transformada, por ação proteolítica, em hormônio ativo.

A parte restante da molécula de proinsulina é chamada de peptídeo C. Este polipeptídeo é liberado no sangue em quantidades iguais à da insulina. Como insulinas exógenas não contêm peptídeo C, o nível em plasma desse peptídeo é um bom indicador de produção endógena de insulina. Recentemente, descobriu-se que esse peptídeo C também possui atividade biológica, que está aparentemente restrita a um efeito na camada muscular das artérias.

[editar] Ação em nível celular e metabólico
As ações da insulina no metabolismo humano como um todo incluem:

Controle da quantidade de certas substâncias que entra nas células, principalmente glicose nos tecidos muscular e adiposo (que são aproximadamente 2/3 das células do organismo);
Aumento da replicação de DNA e de síntese de proteínas via o controle de fornecimento de aminoácidos;
Modificação da atividade de inúmeras enzimas (controle alostérico)
As ações nas células incluem:

Aumento da síntese de glicogênio: a insulina induz à armazenagem de glicose nas células do fígado (e dos músculos) na forma de glicogênio; a diminuição dos níveis de insulina ocasiona a conversão do glicogênio de volta a glicose pelas células do fígado e a excreção da substância no sangue. É a ação clínica da insulina que reduz os níveis altos de glicemia diagnosticados na diabetes.
Aumento da síntese de ácidos graxos: a insulina induz à transformação de glicose em triglicerídeos pela células adiposas; a falta de insulina reverte o processo.
Aumento da esterificação de ácidos graxos: estimula o tecido adiposo a compor triglicerídeos a partir de ésteres de ácidos graxos; a falta de insulina reverte o processo.
Redução da proteinólise: estimula a diminuição da degradação protéica; a falta de insulina aumenta a proteinólise.
Redução da lipólise: estimula a diminuição da conversão de suprimento de lipídeos contido nas células adiposas em ácidos graxos sangüíneos; a falta de insulina reverte o processo.
Redução da gliconeogênese: reduz a produção de glicose em vários substratos do fígado; a falta de insulina induz à produção de glicose no fígado e em outros locais do corpo.
Aumento do consumo de aminoácidos: induz células a absorver aminoácidos circulantes; a falta de insulina inibe a absorção;
Aumento do consumo de potássio: induz células a absorver potássio plasmático; a falta de insulina inibe a absorção;
Tônus dos músculos arteriais: induz a musculatura das paredes arteriais ao relaxamento, o que aumenta o fluxo sangüíneo especialmente em microartérias; a falta de insulina reduz o fluxo por permitir a contração desses músculos.A insulina apesar de ser um redutor existe dois tipos de liberação a liberação aguda e a liberação sob secreção.


Ação sobre o nível de glicemia

Ver o artigo regulagem da glicemia



Ver também

Glucagon
Hipoglicemia
Resistência à insulina
Diabetes
Ligações externas
Sociedade Brasileira de Diabetes (em português)
Obtido em "http://pt.wikipedia.org/wiki/Insulina"

Glucagon
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Regulação da glicemia pelos hormônios glucagon e insulina

O Glucagon (português brasileiro) ou Glucagina (português europeu) é um hormônio polipeptídeo produzido nas células alfa das ilhotas de Langerhans do pâncreas e também em células espalhadas pelo trato gastrointestinal. São conhecidas inúmeras formas de glucagon, sendo que a forma biologicamente ativa tem 29 aminoácidos.

É um hormônio muito importante no metabolismo dos carboidratos. Sua ação mais conhecida é aumentar a glicemia (nível de glicose no sangue), contrapondo-se aos efeitos da insulina. O glucagon age na conversão do ATP (trifosfato de adenosina) a AMP-cíclico, composto importante na iniciação da glicogenólise, com imediata produção e liberação de glicose pelo fígado.

A palavra glucagon deriva de gluco, glucose (glicose) e agon, agonista, ou agonista para a glicose.

Índice
1 Fisiologia
1.1 Produção
1.2 Mecanismo regulatório
1.3 Função
2 Patologia
3 Usos


Fisiologia
Produção
O hormônio é sintetizado e secretado a partir das células alfa (células-α) das ilhotas de Langerhans, que estão localizadas na porção endócrina do pâncreas. As células alfa estão localizadas na porção externa das ilhotas.

Mecanismo regulatório
A secreção aumentada de glucagon é causada por (pelo):

Glicose plasmática diminuída
Catecolaminas aumentadas - norepinefrina e epinefrina
Aminoácidos plasmáticos aumentados (para proteger da hipoglicemia se uma refeição muito protéica for consumida).
Sistema nervoso simpático
Acetilcolina
Colecistoquinina
A secreção diminuida de glucagon (inibição) é causada por (pela):

Somatostatina
Insulina
Função
O glucagon ajuda a manter os níveis de glicose no sangue ao se ligar aos receptores do glucagon nos hepatócitos (células do fígado), fazendo com que o fígado libere glicose - armazenada na forma de glicogênio - através de um processo chamado glicogenólise. Assim que estas reservas acabam, o glucagon faz com que o fígado sintetize glicose adicional através da gliconeogênese. Esta glicose é então lançada na corrente sanguínea. Estes dois mecanismos levam à liberação de glicose pelo fígado, prevenindo o desenvolvimento de uma hipoglicemia.

Ácidos graxos livres e cetoácidos em níveis aumentados no sangue
Produção de uréia aumentada
Estímulo à proteólise
Estímulo à lipólise
Em condições normais, a ingestão de glicose suprime a secreção de glucagon. Há aumento dos níveis séricos de glucagon durante o jejum.

Patologia
Níveis muito elevados (anormais) de glucagon podem ser causados por tumores pancreáticos como o glucagonoma, cujos sintomas incluem eritema migratório necrolítico (EMN ou NME), níveis elevados de aminoácidos e hiperglicemia.

Usos
Uma forma injetável de glucagon é um pronto-socorro essencial em diversos casos de hipoglicemia severa, geralmente em uma dose de 1 mg. O glucagon é administrado através de uma injeção intramuscular e rapidamente aumenta os níveis de glicose no sangue (glicemia).

Obtido em "http://pt.wikipedia.org/wiki/Glucagon"

Fisiologia da Reprodução

Estrógeno, Progesterona, Prolactina, LH e FSH



Fisiologia

1. HUEC – O precursor biossintético para os hormônios esteróides é: colesterol.

2. SC – Seqüência na formação dos hormônios sexuais: colesterol => progestágenos => estrógenos => andrógenos.

3. Os precursores dos hormônios esteróides produzidos pela supra-renal, ovário e testículos são o acetato e o colesterol. Na esteroidogênese, o 1° esteróide sintetizado a partir do colesterol é: pregnenolona.

4. Na esteroidogênese ovariana, a parte do folículo onde ocorre a aromatização dos androgênios é: camada granulosa (esta transformação é induzida pelo FSH).

5. As células da teca interna são as principais fontes dos estrógenos circulantes.



Adolescência

1. O início da puberdade é marcado, sob aspecto hormonal, por: secreção pulsátil, mais intensa durante o sono, de LH e FSH.

2. Condição que caracteriza o início do desenvolvimento puberal: picos noturnos de LH.

3. A liberação de gonadotrofinas pela hipófise durante o ciclo menstrual da mulher é devida a: descarga intermitente (pulsos) do hormônio liberador de gonadotrofinas (LHRH) no sistema porta-hipofisário.

4. TEP - Nos meninos e meninas, os andrógenos estimulam o crescimento estatural (O FSH estimula a espermatogênese; o LH estimula a produção de testosterona; a progesterona, nas meninas, estimula o desenvolvimento alveolar).



LH

1. Na fisiologia menstrual, a teoria das 2 células inclui: o estímulo da teca pelo LH para produção de androstenediona.

2. UERJ – Dentre os hormônios, aquele cujo Ý ocorre 24-48h antes da liberação do óvulo e, por isso, possibilita a detecção da ovulação é: luteinizante (LH).

3. O LH é o hormônio responsável pela ovulação (O FSH é o responsável pelo crescimento do folículo).



Progesterona

1. Progesterona em pequenas quantidades: provoca retrocontrole (+) sobre LH e FSH.

2. FESP – O efeito termogênico do corpo lúteo pode ser usado clinicamente na avaliação da ovulação através da curva de temperatura basal, por apresentar: efeitos hipotalâmicos da progesterona.

3. SC – Paciente com esterilidade vem anotando a temperatura basal. Ela subiu no 16° dia e no 24° dia ainda se mantém Ý . Isto significa que: nada se pode concluir relativo a gravidez (os níveis de progesterona ß a parti do 24° dia do ciclo com a falência do corpo lúteo).

4. Principal hormônio da 2o fase do ciclo menstrual: progesterona.

5. O ciclo menstrual normal é dependente das variações da progesterona e não do estrógeno.

6. SC – FSH e Progesterona devem ser colhidos na: fase proliferativa e fase lútea média.



Estrógeno

1. Os estrogênios são formados a partir de andrógenos. Eles também são formados pela aromatização da androstenediona na circulação (feita pela aromatase).

2. O estradiol (E2) é o principal estrogênio e biologicamente o mais ativo. O estradiol (E2) de origem ovariana constitui 90% do estradiol circulante. A estrona (E1) é um estrogênio ovariano débil, que também pode ser sintetizado em sítios extra-ovarianos pela conversão periférica a partir da: androstenediona.

3. Estrogênios ß secreção de FSH e podem Ý ou ß a secreção de LH. Um nível constante de estrógenos circulantes exerce um feedback (-) na secreção de LH; um Ý abrupto de estrógenos exerce um feedback (+) e estimula a secreção de LH (este é o mecanismo da Sd. ovários policísticos).

4. TEGO - Em relação aos esteróides sexuais: a conversão periférica da androstenediona produzida pela supra-renal em estrona está Ý em mulheres obesas; os estrógenos circulantes constituem a soma da secreção ovariana direta de estradiol e estrona, mais a conversão periférica de precursores C-19; o estriol é o metabólito periférico da estrona e estradiol, não sendo produzido diretamente pelo ovário.

5. O estrógeno produz um endométrio proliferativo (e a progesterona, um secretor).



Ovulação

1. Fases da ovulação: crescimento folicular, postura ovular e formação do corpo lúteo.

2. No sangramento no meio do ciclo (mittelschmerz), a conduta é: observar ciclos posteriores.



Muco Cervical

1. O muco cervical forma cristais com aspecto de folhas de samambaia devido ao Ý de mucina e NaCl; esta alteração é melhor observada no período pré-ovulatório (estrogênico).

2. Muco cervical: a presença de grumos ocorre na fase progestínica (o muco tornar-se espesso com restos celulares).

3. Diante de uma curva de temperatura basal bifásica, como se deve comportar: mucocervical: não cristaliza; dosagem de pregnandiol: 4mg/24h; biópsia de endométrio: secretor; citologia hormonal no 24º dia do ciclo: 0/70/30.



Formação do Estrógenos

· A teca interna tem receptores para LH, quando estes são estimulados ocorre a conversão do colesterol em androstenediona.

· Estrógenos são formados a partir de andrógenos (androstenediona) nos ovários ou a partir da aromatização da androstenediona no tecido periférico.

· Estrógenos são secretados pela teca interna e granulosa do folículo ovariano.

· Potência: Estradiol Ý Ý Ý , estrona Ý Ý , estriol Ý .

· colesterol è pregnenolona è dehidroepiandrosterona è androstenediona aromatase estradiol (ovário) ou estrona (periférico).

Síndrome dos Ovários Policísticos





Sistema genital masculino e feminino



O sistema reprodutor humano, também chamado de sistema genital, é formado por órgãos que constituem o aparelho genital masculino e feminino, caracterizados conforme abaixo:

Sistema Genital Masculino

- Pênis: órgão reprodutor e excretor do organismo masculino, contendo em seu interior um ducto (a uretra) responsável pela eliminação da urina (excreta nitrogenada / uréia) e também condução do sêmen que contêm os espermatozóides. Esse órgão é formado por tecido cavernoso e esponjoso, que se intumesce devido à grande vascularização, de acordo com a libido do indivíduo em ocasião à reprodução, proporcionando a ereção deste órgão.

- Bolsa escrotal: cavidade que aloja e protege os testículos, sendo responsável pela manutenção da temperatura adequada à fisiologia dos mesmos;

- Testículos: são glândulas que além de produzirem os gametas masculinos (espermatogênese) no interior dos túbulos seminíferos a partir de células germinativas primordiais, também possuem células intersticiais (células de Leydig) que sintetizam a testosterona, hormônio sexual masculino;

- Epidídimo: ducto formado por um canal emaranhado que coleta, armazena e conduz os espermatozóides. Neste local os gametas atingem a maturidade e mobilidade, tornando-os aptos à fecundação;

- Canal deferente: canal que transporta os espermatozóides do epidídimo até um complexo de glândulas anexas;

- Glândulas anexas: conjunto formado pela próstata, vesículas seminais e glândulas bulbo uretrais, produzindo a secreção que compõem o sêmen, fluido que nutri e proporciona meio de sobrevivência aos espermatozóides, por exemplo, neutralizando o pH levemente ácido da uretra.


Estrutura do aparelho reprodutor masculino.

Sistema Genital Feminino

- Vulva ou pudendo: conjunto de estruturas que formam o aparelho reprodutor feminino externo (lábios vaginais, orifício da uretra, abertura da vagina e clitóris).

- Lábios vaginais (Grandes e pequenos lábios): são dobras da pele formadas por tecido adiposo, sendo responsáveis pela proteção do aparelho reprodutor feminino.

- Clitóris: órgão sensível e prazeroso do organismo feminino;

- Vagina: canal que recebe o pênis durante o ato sexual, servindo também como conduto para eliminação do fluxo menstrual e concepção no momento do parto normal (canal que por ação hormonal se dilata para o nascimento de um bebê);

- Útero: órgão que recepciona o ovo / zigoto, proporcionando o seu desenvolvimento durante o período gestacional. Além de proteger o embrião contra choques mecânicos, também impede a transposição de impurezas e contaminação contra microorganismos patogênicos, bem como auxilia a manutenção da nutrição (formação da placenta e cordão umbilical);

- Tubas uterinas ou tropas de falópio: são ovidutos que possuem numerosos cílios em sua superfície interna, desempenhando a função de transportar o “óvulo” (ovócito secundário) do ovário até o útero. Normalmente é nas trompas que ocorre a fecundação, ou seja, o encontro do espermatozóide com o “óvulo”.

- Ovários: são glândulas responsáveis pela ovulação periódica dos “óvulos”, de acordo com o ciclo menstrual feminino iniciado na puberdade, produzindo também os hormônios sexuais: estrógeno e progesterona.