Muitos são os motivos que levam uma pessoa a comprar: a necessidade, a diversão, os modismos, a importância, o status e o apelo mercadológico do comércio. Mas há quem consuma pelo simples prazer de comprar, de adquirir alguma coisa independente da sua utilidade ou significado.
O ato de comprar indiscriminadamente é uma doença chamada oneomania, que atinge as pessoas caracterizadas como compradoras compulsivas. A oneomania é um distúrbio bastante controvertido do ponto de vista psiquiátrico e psicológico.
Alguns especialistas consideram a oneomania uma doença obsessiva-compulsiva. Nesse caso, a pessoa teria outros comportamentos compulsivos característicos, além de comprar – como contar objetos sem conseguir parar, por exemplo. No caso desses sintomas estarem ausentes, a oneomania é considerada um distúrbio no controle dos impulsos.
Oneomania atinge principalmente as mulheres
Segundo o neuropsicólogo Daniel Fuentes, coordenador de Ensino e Pesquisa do Ambulatório do Jogo Patológico e Outros Transtornos do Impulso (AMJO), do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, a proporção é de quatro mulheres para cada homem com a doença.
Os especialistas ainda não sabem precisamente o porquê da oneomania ser mais comum em mulheres, mas acreditam que o motivo está diretamente relacionado a condições culturais. Os fatores que levam a doença a afetar principalmente as mulheres são objeto de estudo da equipe do AMJO.
Para Fuentes, a doença pode estar associada a transtornos do humor e de ansiedade, dependência de substâncias psicoativas (álcool, tóxicos ou medicamentos), transtornos alimentares (bulimia, anorexia) e de controles de impulsos.
A oneomania também emerge para aliviar sentimentos de grande frustração, vazio e depressão. É um desejo de possuir, de ter poder, que fica reprimido. Ao não conseguir dar vazão ao seu desejo, a pessoa sofre uma enorme pressão interna que a leva à necessidade de possuir coisas novas como única forma de prazer, explica a psicóloga Denise Gimenez Ramos, coordenadora do Programa de Pós-graduação em Psicologia Clínica da PUC-SP.
Os oneomaníacos têm o consumo como vício, assim como um alcoólatra que necessita da bebida. Enquanto está comprando, a pessoa sente alívio e prazer dos sintomas, que passado um tempo voltam rapidamente. O efeito do ato de comprar é semelhante ao de tomar uma droga.
Existe um grupo de 12 passos, nos moldes do AA, que ajuda muito as pessoas com esta compulsão: os Devedores Anônimos. O trecho abaixo foi retirado do site deles:
Nós descobrimos que é uma doença que nunca melhora, somente piora, com o passar do tempo. É uma doença progressiva em sua natureza, que não pode jamais ser curada, mas pode ser detida.
Antes de chegar ao Grupo de D.A., muitos devedores compulsivos se achavam pessoas irresponsáveis, moralmente fracas, ou as vezes, simplesmente "Más". O conceito do D.A. é o de que o devedor compulsivo é uma pessoa realmente doente que pode se recuperar caso ele ou ela siga, com toda sinceridade, um programa simples, que já provou ser um sucesso para outros homens e mulheres com um problema similar.
Como devedores compulsivos, nós nos enquadramos em padrões de gastos que não satisfazem nossas necessidades reais. Alguns de nós temos deixado de pagar cronicamente nossas contas e dividas, mesmo quando nós tínhamos o dinheiro para pagá-las. Ou nós temos feito pagamentos fielmente para 01 ou 02 credores e negligenciado os outros. Alguns de nós têm simplesmente ignorado nossas dívidas por algum tempo, na esperança de que, de alguma maneira, elas possam ser pagas milagrosamente. Alguns de nós têm sido gastadores compulsivos, comprando coisas de que não necessitamos, e nem queremos. Quando nós nos sentimos carentes, ou que, algo está faltando nós esbanjamos dinheiro em algo que não podemos pagar. Nós gastamos compulsivamente, entramos em dívidas, nos sentimos culpados, prometemos que nunca faremos isto de novo, e apenas repetimos o mesmo ciclo na próxima vez que o sentimento de "não sermos suficiente" aflore. tendo gasto além da conta, nós freqüentemente não tínhamos nada para mostrar no que gastamos, e ficamos nos perguntando para onde foi todo aquele dinheiro. Alguns gastadores compulsivos não estão realmente endividados, mas mesmo assim, são bem vindos ao D.A. O único requisito para ser membro do D.A., é o desejo de evitar fazer dívidas sem hipoteca(garantia).
Alguns de nós têm se tornado empobrecidos compulsivos, permitindo-nos ficar freqüentemente sem dinheiro, batalhando de uma crise financeira para outra. Há ainda alguns de nós que acham quase impossível gastar dinheiro consigo mesmos. A televisão estraga e fica estragada, aquele par de sapatos, pronto para ser aposentado, é obrigado a rodar mais um ano ainda, e até problemas de saúde e dentários não são cuidados.
Esta doença afetou nossa visão de nós mesmos e do mundo à nossa volta. Ela nos levou a acreditar que não éramos "suficientes" - em casa, no trabalho, em situações sociais, em relacionamentos amorosos. Ela também nos levou a crer que não há o suficiente no mundo lá fora para nós. esta doença criou uma sensação de pobreza em tudo o que fazíamos e víamos. Em reação a isso, nós nos recolhíamos para um mundo de fantasias, ficávamos preocupados com dinheiro, e evitávamos responsabilidades.
Quando nós participamos da nossa primeira reunião de D.A., nós estávamos perdidos, por muitas perdas: perda de salário, que havia sido engolido por dívidas e por gastos compulsivos; perda de fé; perda de respeito próprio e paz de consciência; perda de amizades; e algumas vezes de saúde, emprego e família. Muitos de nós buscamos ajuda de vários indivíduos ou organizações, mas sempre acabávamos nos sentido como se ninguém entendesse nosso problema. Nossa solidão fez com que nos recolhêssemos mais e mais em nós mesmos. Nós perdemos a vitalidade e o interesse na vida. Nós não podíamos trabalhar ou cuidar de nós mesmos ou de nossos entes queridos apropriadamente. Alguns de nós achamos que estávamos ficando loucos e outros chegaram a contemplar o suicídio. Esse senso de desespero, ou "chegar ao fundo do poço", foi nosso primeiro passo em Devedores Anônimos. Nós vimos que nossas tentativas de esquematizar e manipular nossas vidas nunca funcionaram. Nós admitimos que éramos impotentes perante as dívidas. Nós estávamos prontos para pedir ajuda.
Uma outra forma de tratamento que pode trazer grande ajuda é a Terapia Biográfica, um método onde a vida é revista de uma forma panorâmica.
Essencial para o controle desta doença é a organização financeira. Saber quanto se ganha e quanto se gasta é a chave para o controle. Há um site muito bom que permite isto: o money tracking. Um programa excelente (e grátis) criado por um brasileiro, Cristiano Meira Magalhães chamado Planejamento Financeiro também é muito útil para este fim.
Postado por Marcelo Guerra às Terça-feira, Fevereiro 06, 2007
Marcadores: consumismo, devedores compulsivos, oneomania
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a arte de ouvir
A Arte de Ouvir
Conta a lenda que um discípulo de Tomás de Aquino, vendo o mestre sempre debruçado sobre sua mesa de trabalho, absorto em estudos, resolveu pregar-lhe uma peça. Aproximou-se e disse: "Mestre, há um boi voando lá fora". Imediatamente o sábio se levantou, correu e olhou pela janela. Ao voltar encontra seus fâmulos rindo e o que havia feito a troça disse: "Mestre como pôde o senhor acreditar que um boi pudesse voar?" Ao que Tomás de Aquino respondeu: "preferi acreditar que um boi voasse, a pensar que você me enganaria".
Esta atitude inusitada do grande filósofo, nos aponta para uma qualidade essencial da arte de ouvir: a atitude despreconceituosa diante do novo, a capacidade para deixar de lado os conceitos prontos do que é, e do que não é a realidade. Ser de certa forma como criança quando o outro está falando, pois ali a novidade pode acontecer. Uma criança eterna dentro de nos que cresce e aprende com tudo que ouve.
Ao ouvir, nos colocamos diante de algo que é distinto do nosso próprio ser. Precisamos nos esforçar para, mesmo que temporariamente, aceitar o outro dentro de nos. A imagem da criança neste sentido surge de forma poderosa, pois sendo ela como uma esponja, que absorve todas as impressões que a rodeiam, sem barreiras ou filtros, é muito mais apta a aprender e a ter verdadeiros encontros. Enquanto estamos ouvindo de forma genuína, estamos exercitando uma nova infância, um renascer para a realidade que surge.
O grande sabotador deste estado de ser é a dúvida. Como vimos no episódio de São Tomás, ela não se manifestou no momento em que ele escutou seu aluno. A dúvida tem pouco a ver com a natureza da criança. Ela é fruto de um processo crítico adulto, que não deve ser descartado, mas que se torna fatal quando invade o espaço da escuta.
Quando em uma conversa ela surge, nascida do diálogo interno com meus velhos conceitos, já estou muito distante do meu interlocutor e paralisado na escuta.
Ouvir, neste sentido, pode tornar-se um forte aliado para o desenvolvimento individual e coletivo do ser humano, pois baseia-se em uma sincera abertura para o novo e na confiança e amor pelo próximo.
Por: Luiz Antônio Moreira e Marcelo S. Petraglia
Conta a lenda que um discípulo de Tomás de Aquino, vendo o mestre sempre debruçado sobre sua mesa de trabalho, absorto em estudos, resolveu pregar-lhe uma peça. Aproximou-se e disse: "Mestre, há um boi voando lá fora". Imediatamente o sábio se levantou, correu e olhou pela janela. Ao voltar encontra seus fâmulos rindo e o que havia feito a troça disse: "Mestre como pôde o senhor acreditar que um boi pudesse voar?" Ao que Tomás de Aquino respondeu: "preferi acreditar que um boi voasse, a pensar que você me enganaria".
Esta atitude inusitada do grande filósofo, nos aponta para uma qualidade essencial da arte de ouvir: a atitude despreconceituosa diante do novo, a capacidade para deixar de lado os conceitos prontos do que é, e do que não é a realidade. Ser de certa forma como criança quando o outro está falando, pois ali a novidade pode acontecer. Uma criança eterna dentro de nos que cresce e aprende com tudo que ouve.
Ao ouvir, nos colocamos diante de algo que é distinto do nosso próprio ser. Precisamos nos esforçar para, mesmo que temporariamente, aceitar o outro dentro de nos. A imagem da criança neste sentido surge de forma poderosa, pois sendo ela como uma esponja, que absorve todas as impressões que a rodeiam, sem barreiras ou filtros, é muito mais apta a aprender e a ter verdadeiros encontros. Enquanto estamos ouvindo de forma genuína, estamos exercitando uma nova infância, um renascer para a realidade que surge.
O grande sabotador deste estado de ser é a dúvida. Como vimos no episódio de São Tomás, ela não se manifestou no momento em que ele escutou seu aluno. A dúvida tem pouco a ver com a natureza da criança. Ela é fruto de um processo crítico adulto, que não deve ser descartado, mas que se torna fatal quando invade o espaço da escuta.
Quando em uma conversa ela surge, nascida do diálogo interno com meus velhos conceitos, já estou muito distante do meu interlocutor e paralisado na escuta.
Ouvir, neste sentido, pode tornar-se um forte aliado para o desenvolvimento individual e coletivo do ser humano, pois baseia-se em uma sincera abertura para o novo e na confiança e amor pelo próximo.
Por: Luiz Antônio Moreira e Marcelo S. Petraglia
O Voo da Aguia
A águia é uma ave que chega a viver até 70 anos. Mas, para chegar a essa idade, ela tem de tomar uma séria e difícil decisão por volta dos 40 anos. Nessa idade, ela está com as unhas cumpridas e flexíveis, não conseguindo mais caçar suas presas para se alimentar; seu bico alongado e pontiagudo já está curvo; suas asas estão apontadas contra o peito, envelhecidas e pesadas em função da grossura das penas; e voar já está se tornando uma tarefa difícil!
Então, a águia só tem duas alternativas: morrer... ou enfrentar um dolorido processo de renovação que irá durar 150 dias. Esse processo consiste em voar para o alto de uma montanha e reconhecer-se em um ninho próximo a um paredão, onde ela não necessite voar. Após encontrar este lugar, a águia começa a bater o bico contra a rocha até conseguir arrancá-lo. Após arrancá-lo, espera nascer um novo bico, com o qual vai depois arrancar as unhas. Quando as novas unhas começam a nascer, ela passa a arrancar as velhas penas. E somente depois de cinco meses ela sai para seu famoso vôo de renovação. E poderá viver, então, por mais 30 anos.
Em nossa vida, muitas vezes, temos que nos resguardar por algum tempo e começar um processo de renovação. Para que continuemos a voar um vôo de vitória, devemos nos desprender de lembranças, costumes e outras tradições que nos causaram dor.
Somente quando nos livrarmos do peso do passado é que podemos aproveitar o resultado valioso que uma auto-renovação sempre traz.
(texto de parte interna da capa do CD " MEDICINA SPIRIT" MANTRAS XAMÂNICOS – DANÇA COM LOBOS).
"Cuando me siento perdido y la oscuridad rodea mi corazón, yo canto caciones de mis abuelos y mis ancestros bailan a mi alrededor. Un índio nunca está solo." (Haward Raioner)
Então, a águia só tem duas alternativas: morrer... ou enfrentar um dolorido processo de renovação que irá durar 150 dias. Esse processo consiste em voar para o alto de uma montanha e reconhecer-se em um ninho próximo a um paredão, onde ela não necessite voar. Após encontrar este lugar, a águia começa a bater o bico contra a rocha até conseguir arrancá-lo. Após arrancá-lo, espera nascer um novo bico, com o qual vai depois arrancar as unhas. Quando as novas unhas começam a nascer, ela passa a arrancar as velhas penas. E somente depois de cinco meses ela sai para seu famoso vôo de renovação. E poderá viver, então, por mais 30 anos.
Em nossa vida, muitas vezes, temos que nos resguardar por algum tempo e começar um processo de renovação. Para que continuemos a voar um vôo de vitória, devemos nos desprender de lembranças, costumes e outras tradições que nos causaram dor.
Somente quando nos livrarmos do peso do passado é que podemos aproveitar o resultado valioso que uma auto-renovação sempre traz.
(texto de parte interna da capa do CD " MEDICINA SPIRIT" MANTRAS XAMÂNICOS – DANÇA COM LOBOS).
"Cuando me siento perdido y la oscuridad rodea mi corazón, yo canto caciones de mis abuelos y mis ancestros bailan a mi alrededor. Un índio nunca está solo." (Haward Raioner)
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