RESSONÂNCIA MÓRFICA

Não é de hoje que vemos a vanguarda pensante da ciência mantendo uma estreita relação com o misticismo, podemos citar cientistas como Da Vinci, Newton e Thomas Edison, e até mesmo Einstein mantinha em sua escrivaninha um exemplar de A Doutrina Secreta, de Helena Blavatsky. Depois da publicação de O Tao da Física, de Fritjof Capra, uma nova tendência onde a ciência se aliava à sabedoria oculta se popularizou.

Capra cita Carlos Castañeda em seu primeiro livro e indica a ligação entre cérebro e coração:

"Olhe cada caminho com cuidado e atenção. Experimente-o quantas vezes julgar necessárias... Depois faça a si mesmo uma pergunta: este caminho possui coração? Em caso afirmativo, o caminho é bom. Caso contrário, este caminho não possui importância alguma."

Cada vez mais aquela verve tradicional da ciência, que vê o universo como um aglomerado de coisas separadas, com relações puramente mecânicas (ao invés de uma visão integradora das coisas), está caindo.

Dentro dessa linha, uma inovadora teoria traz luz àquelas perguntas sem respostas sobre coincidências intrigantes, ligações que não podemos explicar e até mesmo, telepatia. Seria mesmo simples coincidência que você ligue para alguém no exato momento que a pessoa pensou em você, ou aquela pessoa que parece sempre saber o que você está pensando ?

Tudo isso se encaixa quando entendemos a teoria da Ressonância Mórfica, elaborada pelo biólogo Rupert Sheldrake, que publicou seu primeiro livro chamado A New Science of Life (Uma Nova Ciência da Vida ) em 1981; além de causar muita polêmica, sua obra foi recebida de maneira ambivalente , enquanto alguns encontravam respostas incríveis, outros a achavam uma grande besteira.

Ele sabia que suas idéias não seriam aceitas facilmente pela comunidade científica, pois mesmo durante a universidade quando lhe ocorreu pela primeira vez a hipótese dos campos mórficos, teve uma boa recepção por parte dos filósofos de mente aberta, mas virou motivo de gozação entre seus colegas biólogos.

Cada vez que dizia alguma coisa do tipo "eu preciso telefonar", eles retrucavam com um "telefonar para quê? comunique-se por ressonância mórfica". Apesar de ser uma brincadeira, refletia bem a insegurança tradicionalista diante de algo diferente da visão de mundo da maioria.

Visão essa que reduzia a atividade dos organismos vivos à mera interação físico-química entre moléculas e fazia do DNA uma resposta para todos os mistérios da vida.

A teoria de Sheldrake

De acordo com o cientista, cada corpo presente no universo teria seu próprio campo mórfico, eles atuam como campos magnéticos mas atravessam tempo/espaço e por isso não perdem intensidade com o aumento da distância.

Esses campos moldam a forma e o comportamento de todos os sistemas do mundo material, mais que isso, é ele que faz com que um sistema seja um sistema e não um amontoado de partes. Outra semelhança com campos magnéticos seria o fato de não podermos percebê-lo diretamente, mas somente através de seus efeitos.

Presentes em tudo, de átomos a galáxias, esses campos se distribuem através do tempo/espaço conectando todos os sistemas individuais que tenham associações entre si.

Origem dos Campos Mórficos

O conceito de campos morfogenéticos foi criado nos anos 20, para explicar como células iguais crescem e se transformam em partes diferentes de um organismo, como orelhas, mãos, etc, omissão que permanece na ciência reducionista.

Segundo este conceito, o DNA não contém uma memória genética ou um mapa de crescimento para essas células e sim a capacidade de sintonizar campos mórficos já existentes, onde estão registradas nossas impressões de acontecimentos passados. Ele conecta os campos mórficos da sua espécie e, assim, tem à sua disposição a memória coletiva de todo o grupo, onde colhe informações para seu desenvolvimento.

No século 19, Helena Blavatsky já descrevia sob o nome de akasha ou luz astral, a idéia de uma essência espiritual do mundo físico que carregava modelos pré-definidos das espécies. Ao elaborar sua teoria, Sheldrake apenas ampliou o campo de atuação dessa funcionalidade para todas as áreas da natureza.



Rupert Sheldrake

Ressonância Mórfica

Para que esses campos individuais se fundam num todo, é necessário que haja uma interação entre eles. A Ressonância Mórfica cumpre o papel de comunicador, transmitindo informação, conhecimento, vivências e sugere como organizar a energia. Através dessa conexão torna-se possível que o conhecimento adquirido por um grupo seja agregado e compartilhado à consciência coletiva de toda a espécie, mesmo que não haja uma comunicação pelos meios convencionais entre eles. Segue um exemplo fictício:

"Em duas ilhas tropicais, habitadas pela mesma espécie de macaco, mas sem qualquer contato perceptível entre si. Depois de várias tentativas e erros, um esperto símio da ilha "A" descobre uma maneira engenhosa de quebrar cocos, que lhe permite aproveitar melhor a água e a polpa. Ninguém jamais havia quebrado cocos dessa forma.

Por imitação, o procedimento rapidamente se difunde entre os seus companheiros e logo uma população crítica de 99 macacos domina a nova metodologia. Quando o centésimo símio da ilha "A" aprende a técnica recém-descoberta, os macacos da ilha "B" começam espontaneamente a quebrar cocos da mesma maneira. Não houve nenhuma comunicação convencional entre as duas populações: o conhecimento simplesmente se incorporou aos hábitos da espécie. "

A ressonância entre os campos mórficos dos macacos acima, fez com que a nova técnica chegasse ao outro grupo, sem que qualquer meio usual de transmissão de informações fosse utilizado.

A diferença entre esse meio e a telepatia é que esta é uma atividade intencional, focada entre dois ou mais indivíduos, enquanto a ressonância mórfica é um processo de disseminação.

Mais um exemplo impressionante

"Quando uma nova substância química é sintetizada em laboratório, não existe nenhum precedente que determine a maneira exata de como ela deverá cristalizar-se. Dependendo das características da molécula, várias formas de cristalização são possíveis.

Por acaso ou pela intervenção de fatores puramente circunstanciais, uma dessas possibilidades se efetiva e a substância segue um padrão determinado de cristalização. Uma vez que isso ocorra, porém, um novo campo mórfico passa a existir.

A partir de então, a ressonância mórfica gerada pelos primeiros cristais faz com que a ocorrência do mesmo padrão de cristalização se torne mais provável em qualquer laboratório do mundo. E quanto mais vezes ele se efetivar, maior será a probabilidade de que aconteça novamente em experimentos futuros".

Outro experimento interessante feito pelo próprio cientista mostrou que uma figura oculta numa ilustração torna-se mais fácil de perceber depois de ter sido percebida por várias pessoas. Em duas ocasiões, os pesquisadores mostraram duas ilustrações a pessoas que não conheciam suas respectivas "soluções".

Entre uma enquete e outra, a figura 2 e sua "resposta" foram transmitidas pela TV. Verificou-se que o índice de acerto na segunda mostra subiu 76% para a ilustração 2, contra apenas 9% para a 1.

Para participar de experimentos como esse, acesse :
http://www.mercurialis.com/ciencia/sheldrake/introduccion.html

"Experimentos em psicologia mostram que é mais fácil aprender o que outras pessoas já aprenderam", informa Sheldrake.

Caso seja comprovada a transmissão dos conteúdos mentais de pessoa a pessoa, teremos grandes progressos no campo da educação.

Segundo Sheldrake, métodos educacionais que realcem o processo de ressonância mórfica podem levar a uma notável aceleração do aprendizado.

Também na psicologia, teorias que enfatizam a coletividade e dimensões transpessoais receberiam um notável reforço, em contraposição ao modelo reducionista de Sigmund Freud.



"A ressonância mórfica tende a reforçar qualquer padrão repetitivo, seja ele bom ou mal, por isso, cada um de nós é mais responsável do que imagina. Pois nossas ações podem influenciar os outros e serem repetidas", avisa Rupert.

Aqui, Sheldrake reafirma o conceito no qual, segundo a tradição esotérica, o reino animal evolui em almas coletivas, onde ficam registradas as experiências de cada indivíduo. Nos humanos cada um processa suas próprias experiências, e apesar de haver um inconsciente coletivo, as almas estão tão individualizadas que quase não sentimos mais a presença dos campos, sensibilidade que permanece ainda muito forte nos animais, como podemos comprovar nos experimentos relatados em seu livro "Cães Sabem Quando Seus Donos Estão Chegando", da Ed. Objetiva.

A boa notícia é que assim que houver um número suficiente de pessoas sintonizadas com a energia da Nova Era, educadas nas novas formas de viver e trabalhar, e principalmente, sensíveis ao que está registrado nos campos mórficos a respeito do nosso processo civilizador e das experiências acumuladas, a mudança deve ser repentina, assim como após o centésimo macaco toda uma espécie de macacos mudou, um relâmpago cultural global deverá assolar a humanidade no momento da conscientização do último humano dentro da quantidade considerada suficiente. Estaremos colhendo os resultados das vivências que plantamos na memória coletiva, perpetuando o ciclo cármico.

Os meios de comunicação convencionais devem contribuir para a estruturação da nova ordem apenas numa segunda fase, pois o princípio está se dando através desse meio oculto de propagação de informação chamado Ressonância Mórfica

Site Oficial : www.sheldrake.org

Livros em português:

O Renascimento da Natureza: o Reflorescimento da Ciência e de Deus, de Rupert Sheldrake, Ed. Cultrix.

Caos, Criatividade e o Retorno do Sagrado: Triálogos nas Fronteiras do Ocidente, de Ralph Abraham, Terence McKenna e Rupert Sheldrake, Ed. Cultrix/Pensamento.

Sete Experimentos que Podem Mudar o Mundo: Um Guia Faça-Você-Mesmo da Ciência Revolucionária, de Rupert Sheldrake.

Cães Sabem Quando Seus Donos Estão Chegando : Rupert Sheldrake, Ed. Objetiva.

A Presenca do Pasado: Os hábitos da Natureza, Instituto Piaget, Lisboa, 1995.

Livros em inglês:

A New Science of Life: the Hipothesis of Morphic Resonance, de Rupert Sheldrake.

The Presence of the Past: Morphic Resonance and the Habits of Nature, de Rupert Sheldrake.

Natural Grace: Dialogues on Creation, Darkness and the Soul in Spirituality and Science, de Matthew Fox e Rupert Sheldrake.

The Physics of Angels: Exploring the Realm where Science and Spirit Meet, de Matthew Fox e Rupert Sheldrake.

Fonte : Eletronic Brasil (www.eletronicbrasil.com.br).








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