Stanislav Grof conduziu pessoalmente mais de 4.000 sessões psicodélicas, e teve acesso a mais de 2.000 sessões conduzidas por colegas seus. Também supervisionou mais de 30.000 sessões holotrópicas, junto com sua esposa Christina Grof, e além disso trabalhou também com pessoas que sofriam de crises psico-espirituais espontâneas.
Diante desta vasta experiência em estados ampliados de consciência, categorizou 3 tipos de experiências disponíveis: Nível Biográfico-Rememorativo, Nível Perinatal e Nível Transpessoal.
1-Nivel biográfico-rememorativo: Inclui o inconsciente individual e acontecimentos importantes na sua história individual. É o domínio mais facilmente acessível da psique.
2-Nível Perinatal
O prefixo "peri" significa próximo ou ao redor, enquanto que "natal" quer dizer nascimento. Assim, perinatal diz respeito ao período que vai desde que o bebê se encontra no útero até a sua saída completa pelo canal de nascimento para o mundo.
O domínio perinatal do inconsciente é um intermediário entre o inconsciente individual e o inconsciente transpessoal. Isso significa que podemos entrar em contato com emoções, arquétipos, e vivências que ultrapassam o limite do individual, e abrangem toda a humanidade, e até mesmo toda a natureza.
Observa-se que esse tipo de experiência caracteriza-se por uma revivência e regressão a um estado intra-uterino, porém, não se restringe a uma simples regressão ao estado fetal.
Através do perinatal é possível acessar toda uma gama de sensações, emoções intensas, reações instintivas que não nos são compreendidas, mas nos são muito familiares. Toda essa quantidade de energia que nos permeia, e se mantém em nosso organismo, fica armazenada conosco, influenciando nossa visão de mundo, de nós mesmos e da realidade como um todo.
Como exemplo, podemos entrar em contato com o abandono, e ao mesmo tempo que nos sentimos abandonados como uma criança ou um feto indefeso, podemos nos lembrar de todas as situações em que nos sentimos assim em nossa vida, e ir mais além, podemos nos identificar com diversas situações de abandono de outros povos, de outros países, em situações específicas ou gerais. E ir mais além, nos identificar com pessoas de outras épocas, que viveram bem antes de nós, nos sentindo tão ligados a elas através dessa amálgama que é o abandono.Isso pode acontecer inúmeras vezes, com todos os outros sentimentos, como a raiva, o medo, o amor, a felicidade, e assim por diante.
Os estados ampliados de consciência, mais especificamente, os holotrópicos, tem um enorme potencial heurístico, de cura e de transformação. Assim, quando estamos sentindo e nos conectando com nossa história pessoal, com a história coletiva e transpessoal de uma e de várias emoções, existe um movimento em direção à totalidade (Holo-do grego,Holos=totalidade, e Tropico, do grego trepein=ir em direção, orientar-se à), e um movimento de cura e transformação.
O nascimento pode ser dividido, a nível didático, em 4 etapas ou "Matrizes", cada uma com características próprias, imagens, fenomenologia, sensações físicas relacionadas, e se relacionam a zonas erógenas freudianas e várias formas de psicopatologia.
Matriz Perinatal Básica I (MPB I)
Matriz Perinatal Básica II (MPB II)
Matriz Perinatal Básica III (MPB III)
Matriz Perinatal Básica IV (MPB IV)
3-Nivel Transpessoal As experiências transpessoais se caracterizam por uma ampliação dos limites usuais e comuns a que estamos acostumados a perceber a nós mesmos na vida cotidiana. Quando entramos em contato com os estados holotrópicos e com experiências transpessoais, percebemos que estamos identificados com uma pequenina parcela daquilo que realmente somos.
O nosso corpo, ego, e consciência individuais são uma pequena parte da nossa identidade maior, transcendente e divina, com os quais estamos tão adaptados e restringidos. Nos sentimos separados de tudo e de todos, as barreiras e limites são bem delimitados, o tempo é linear, o espaço é tridimensional, e a nossa mente se restringe às nossas memórias, fantasias e dados da realidade consensual, tais como dentro é diferente de fora, acima não é o mesmo que abaixo, e etc. Quando entramos no dominio transpessoal, somos capazes de ir bem mais além, e nos identificarmos com toda a espécie humana, todo um povo, uma determinada cultura, não necessariamente dessa época e nem de nosso conhecimento prévio. Podemos vir a conhecer em detalhes as características, os modos de vida, de gerações inteiras. Animais, plantas, processos biológicos, minerais, moléculas, átomos, sistemas planetários, o Vazio originário, Deus, a Criação, tudo pode ser acessado e conhecido, quando se adentra no transpessoal. Pode haver ou não, a perda temporária da identidade pessoal, podemos nos sentir fundidos mas ainda conscientes da nossa própria, podemos sentir que existe uma única consciência que habita todos.
Dominio Perinatal do Inconsciente
Perinatal
O prefixo "peri" significa próximo ou ao redor, enquanto que "natal" quer dizer nascimento. Assim, perinatal diz respeito ao período que vai desde que o bebê se encontra no útero até a sua saída completa pelo canal de nascimento para o mundo. O domínio perinatal do inconsciente é um intermediário entre o inconsciente individual e o inconsciente transpessoal. Isso significa que podemos entrar em contato com emoções, arquétipos, e vivências que ultrapassam o limite do individual, e abrangem toda a humanidade, e até mesmo toda a natureza.
Observa-se que esse tipo de experiência caracteriza-se por uma revivência e regressão a um estado intra-uterino, porém, não se restringe a uma simples regressão ao estado fetal.
Através do perinatal é possível acessar toda uma gama de sensações, emoções intensas, reações instintivas que não nos são compreendidas, mas nos são muito familiares. Toda essa quantidade de energia que nos permeia, e se mantém em nosso organismo, fica armazenada conosco, influenciando nossa visão de mundo, de nós mesmos e da realidade como um todo. Como exemplo, podemos entrar em contato com o abandono, e ao mesmo tempo que nos sentimos abandonados como uma criança ou um feto indefeso, podemos nos lembrar de todas as situações em que nos sentimos assim em nossa vida, e ir mais além, podemos nos identificar com diversas situações de abandono de outros povos, de outros países, em situações específicas ou gerais. E ir mais além, nos identificar com pessoas de outras épocas, que viveram bem antes de nós, nos sentindo tão ligados a elas através dessa amálgama que é o abandono.Isso pode acontecer inúmeras vezes, com todos os outros sentimentos, como a raiva, o medo, o amor, a felicidade, e assim por diante. Os estados ampliados de consciência, mais especificamente, os holotrópicos, tem um enorme potencial heurístico, de cura e de transformação. Assim, quando estamos sentindo e nos conectando com nossa história pessoal, com a história coletiva e transpessoal de uma e de várias emoções, existe um movimento em direção à totalidade (Holo-do grego,Holos=totalidade, e Tropico, do grego trepein=ir em direção, orientar-se à), e um movimento de cura e transformação.
O nascimento pode ser dividido, a nível didático, em 4 etapas ou "matrizes", cada uma com características próprias, imagens, fenomenologia, sensações físicas relacionadas, e se relacionam a zonas erógenas freudianas e várias formas de psicopatologia.
Primeira Matriz Perinatal Básica (MBP-I) : O universo amniótico
O feto encontra-se em perfeita simbiose com a mãe. A vida no útero materno é imperturbada, as condições do feto são próximas do ideal. Os elementos do estado intra-uterino imperturbado podem ser acompanhados por experiências que compartilham a falta de limites e de obstruções. Pode se sentir no meio do oceano, se identificar com algumas espécies aquáticas, ou com o cosmos, espaço, a galáxia, ou ainda numa nave em órbita. Imagens da natureza no seu melhor aspecto, bonita, segura e incondicionalmente alimentadora (Mãe Natureza). Visões do paraíso.Caso a gravidez tenha sido de alguma maneira perturbada por doenças maternas, fumo, bebidas, drogas, desequíbrios químicos dentro do útero, a vivência não será tão positiva e alimentadora.Perigos submarinos, poluição de rios, mares ou oceanos, natureza contaminada e inóspita. Identificação com pessoas ou animais envenenados, em câmaras de gás em campos de concentração. Forças metafísicas malignas, influências astrais maléficas. Terror e paranóia.O principal elemento dessa matriz é a falta de limites, uma vez que não existe diferenciação entre o feto e a mãe. Assim, qualquer coisa boa ou ruim será vivenciada como algo amplo, indiferenciado. A paranóia também diz respeito à falta de limites e indiferenciação entre sujeito e objeto.
Quadro I - (tirado do livro "Além do Cérebro", de Grof)
Síndromes psicopatológicas: Psicoses esquizofrênicas (sintomatologia paranóide, sentimentos de união mística, encontros com forças maléficas metafísicas); hipocondrialgia (baseada em sensações físicas estranhas e bizarras); alucinações histéricas e devaneios confusos com a realidade.
Atividades correspondentes nas zonas erógenas freudianas:Satisfação libidinal em todas as zonas erógenas; sensações libidinais durante o banho ou balanço; aproximação parcial a esta condição após satisfação oral, anal, uretral ou genital após o parto.
Memórias associadas da vida pós natal:Situações na vida nas quais todas as necessidades importantes são satisfeitas como: momentos felizes da infância (bons cuidados maternos, brincar com outras crianças, períodos harmoniosos na família,etc.); realização no amor, romances, férias ou viagens para lugares de beleza natural; contato com criações artísticas de alto-nível, natação no oceano ou em lagos límpidos etc.
Fenomenologia da Primeira Matriz: Vida intra-uterina tranquila: lembranças realísticas de experiências do "útero agradável";tipo de êxtase "oceânico", natureza sob seu melhor aspecto (Mãe Natureza);experiências de unidade cósmica;visões de Céu e Paraíso.
Distúrbios da vida intra-uterina: lembranças realísticas do "útero desagradável" (crises fetais, doenças, revolta materna, situação do gêmeo, tentativas de aborto); ameaça universal; idealização paranóide, desagradáveis sensações físicas ("porre", arrepios e espasmos, gostos desagradáveis, desgosto, sensação de evenenamento); encontro com entidades demoníacas e outras formas metafísicas e maléficas.
Segunda Matriz Perinatal Básica (MPB II) : Antagonismo com a mãe
Contrações em um sistema uterino fechado. O inferno sem saída. Neste estágio do parto, a cérvice (o canal vaginal) ainda não está aberta, e o bebê não pode sair, enquanto enormes pressões atuam sobre ele. O conforto do estágio anterior não existe mais, a temperatura costuma estar mais fria, a pressão sobre o corpo do bebê pode estar atrapalhando a circulação e o fornecimento de sangue e de calor para ele. É uma das piores situações que se pode reviver. Paradoxalmente, a única saída é aceitar completamente e render-se à situação sem saída.
Os sentimentos relacionados são: ausência de saída, ausência de sentido da vida, estar em uma situação sem solução possível, tais como prisioneiros em campos de concentração, internos em hospícios, enterrados vivos, isolamento, solidão existencial, medo, vitimização completa, medo de enlouquecer ou de nunca mais voltar. O mito de Sísifo, condenado a levar uma pedra que cairá indefinidamente depois que ele conseguir colocá-la no topo da montanha. Identificar-se com Cristo preso à cruz perguntando por que Deus o abandonou. Danação eterna.
Quando se está sobre influência dessa matriz perinatal, a pessoa está seletivamente cega aos aspectos positivos da vida, e tudo lhe parece sem sentido, a vida parece um teatro encenado por atores que não agem com sinceridade. A inevitabilidade da morte se revela presente em todos os momentos, tornando a vida sem sentido. Se vivenciado em toda a sua profundidade, pode ser extremamente libertador e promover uma importante abertura espiritual.
BPM II: - Antagonism with Mother. (Contractions in a Closed Uterine System.) When the experiential regression reaches the memory of the onset of biological birth, we typically feel that we are being sucked into a gigantic whirlpool or swallowed by some mythical beast. We might also experience that the entire world or even cosmos is being engulfed. This can be associated with images of devouring or entangling archetypal monsters, such as leviathans, dragons, giant snakes, tarantulas, and octopuses. The sense of overwhelming vital threat can lead to intense anxiety and general mistrust bordering on paranoia. We can also experience a descent into the depths of the underworld, the realm of death, or hell. As mythologist Joseph Campbell so eloquently described, this is a universal motif in the mythologies of the hero's journey (Campbell 1968).
Reliving the fully developed first stage of biological birth when the uterus is contracting, but the cervix is not yet open (BPM II.), is one of the worst experiences a human being can have. We feel caught in a monstrous claustrophobic nightmare, are suffering agonizing emotional and physical pain, and have a sense of utter helplessness and hopelessness. Our feelings of loneliness, guilt, absurdity of life, and existential despair can reach metaphysical proportions. We lose connection with linear time and are convinced that this situation will never end and that there is absolutely no way out. There is no doubt in our mind that what is happening to us is what the religions refer to as Hell - unbearable emotional and physical torment without any hope for redemption. This can actually be accompanied by archetypal images of devils and infernal landscapes from different cultures.
When we are facing the dismal situation of no exit in the clutches of uterine contractions, we can experientially connect with sequences from the collective unconscious that involve people, animals, and even mythological beings who are in a similar painful and hopeless predicament. We identify with prisoners in dungeons, inmates of concentration camps or insane asylums, and with animals caught in traps. We might experience the intolerable tortures of sinners in hell or of Sisyphus rolling his boulder up the mountain in the deepest pit of Hades.
Our pain can become the agony of Christ asking God why He has abandoned him. It seems to us that we are facing the prospect of eternal damnation. This state of darkness and abysmal despair is known from the spiritual literature as the Dark Night of the Soul. From a broader perspective, in spite of the feelings of utter hopelessness that it entails, this state is an important stage of spiritual opening. If it is experienced to its full depth, it can have an immensely purging and liberating effect on those who experience it.
(...from "Birth Trauma and Its Relation to Mental Illsness, Suicide and Ecstasy)
The phenomenology of BPM II in LSD sessions as well as clinical symptomatolgy in the post-session intervals dominated by this matrix shows most of the essential features of depression: general motor inhibition, agonizing mental pain and suffering, anxiety, overwhelming feelings of guilt and inadequacy, absolute lack of zest, selectively negative perception of the world and one's own life, black and white perception of the world without colors, and feelings of an unbearable and inescapable life situation with no hope of any solution.
Also the physical manifestations of depression are in agreement with this concept: feelings of oppression and constriction, loss of appetite and rejection of food, retention of urine and feces, inhibition of libido, headaches, cardiac distress, subjective breathing difficulties and various physical complaints interpreted occasionally in a hypochondriacal way. The suicidal ideation of this condition has typically the form of a wish not to exist, to fall into a deep sleep, forget everything, and not to awake the next day.
The COEX systems related to BPM II, and mediating its connection with the ego involve in basic agreement with the Freudian model episodes of early oral frustration in infancy, emotional deprivation in infancy and childhood, and various traumatic events in which the subject played the role of passive victim.
Family situations which are oppressive for the individual, and do not allow him any type of rebellion also belong to this category. A very typical and consistent part of these COEX systems are also experiences involving threat to survival and body integrity. It seems that the psychotraumatic aspects of serious diseases, injuries, operations and episodes of near drowning have been grossly underestimated in dynamic psychiatry as possible pathogenic factors in depression.
Terceira Matriz Perinatal Básica (MPB III)
Luta de morte-renascimento
Inferno com saída. Nesse estágio do parto ainda existem pressões sobre o bebê, porém o canal de parto encontra-se com alguma abertura. Costumamos dizer "Uma luz no fim do túnel." O papel de vítima não é o único presente, mas também o de agressor, assim como o de um terceiro observador que se identifica com os dois outros papéis. Os três papéis são vividos ao mesmo tempo. O bebê não é uma mera vítima, presa em um ambiente sem saída como antes, mas agora também se esforça para sobreviver e sair do canal de parto. Envolve pressões mecânicas esmagadorasm dores e muitas vezes um alto grau de anoxia e asfixia. Intensa ansiedade é um elemento concomitante natural de tal situação.
Pode haver interrupção da circulação sanguínea em função das contrações uterinas e da compressão das artérias uterinas. Pode haver enrolamento do cordão embilical em torno do pescoço ou o cordão pode estar esmagado. A placenta pode se soltar e bloquear a passagem (placenta prévia). Em alguns casos o feto pode inalar vários tipos de materiais biológicos. Pode haver a necessidade de intervenção mecânica, como o uso de fórceps ou mesmo cesariana.
Sentimentos de separação tipo "eu e os outros". Elementos sadomasoquistas (inflingir e receber sofrimento) , escatológicos (tanto fezes e excrementos quanto imagens do fim-do-mundo), comportamento sexual anormal, depressão agitada, desvios sexuais (sadomasoquismo, beber urina e comer fezes). Fogo purificador e consumidor dos aspectos negativos da psique.
Aspecto titânico - face à enormidade de forças mecânicas envolvidas no estágio final do nascimento. É comum experimentarmos correntes de energia, de intensidade avassaladora, precorrendo todo o corpo. Podemos nos identificar com forças da natureza: vulcões, tempestades elétricas, terremotos, ondas gigantes e furacões. Ou também vivenciarmos elementos da tecnologia que envolvam muita energia, tais como tanques, foguetes, bombas atômicas e reatores termonucleares. Batalhas de proporções gigantescas e arquetípicas, entre o Bem e o Mal, Luz e Trevas, anjos e demônios, deuses e os Titâs.
Aspecto agressivo e sadomasoquista - Reflexos da fúria biológica do organismo cuja sobrevivência é ameaçada pela asfixia e pelas contrações uterinas podem ser: crueldades avassaladoras, assassinatos e suicídios violentos (morrer debaixo das rodas de veículos ou com armas de fogo), mutilações e auto-mutilações, massacres variados, tortura, execução, sacrifício, rituais, auto-sacrifício, combates sangrentos homem-a-homem, e prática sadomasoquista. Excitação sexual e extase sexual, em função de um mecanismo fisiológico que converte sofrimento biológico em prazer e excitação. Experiências sexuais no contexto dessa Matriz caracterizam-se por uma enorme intensidade do impulso sexual, qualidade mecânica não seletiva, natureza exploradora, pornográfica e desviada.
Cenas de bordéis, submundo sexual, práticas sexuais extravagantes, sequências sadomasoquistas, incesto, abuso sexual ou estupro. Algumas poucas vezes podem aparecer crimes sexuais, como desmembramento, canibalismo e necrofilia.
Esse nível da psique é uma base natural para disfunções, variações, desvios e perversões sexuais, em função da combinação de excitação sexual exacerbada conectada e elementos problemáticos, de ameaça à vida, perigo extremo, ansiedade, agressividade, impulsos auto-destrutivos, dor fisica e materiais biológicos.
Aspecto demoníaco - Quando aparece esse aspecto, costuma ser encarado com relutância tanto pelos terapeutas quanto por quem o experimenta. Temas comuns são Sabá das Feiticeiras, orgias satânicas, rituais de Missa Negra, e a tentação por forças malévolas. O encontro com o lado obscuro da nossa personalidade, a Sombra, pode ser encarada como demoníaco ou malévolo. Quando se consegue integrar adequadamente esse aspecto sombrio, o resultado costuma ser muito bom, mas pode ser difícil de se alcançar, dependendo da formação e das crenças de quem encara tais aspectos.
Aspecto escatológico - Tem sua base biológica porque durante o parto o bebê pode entrar em contato com sangue, secreções vaginais, urina e até fezes. Porém a experiência costuma exceder em muito o que o feto realmente experienciou durante o nascimento. Cenas de arrastar-se no lixo, em esgotos, chafurdar em pilhas de escremento, beber sangue ou urina, imagens repulsivas de putrefação.
Próximo do término, a experiência fica menos violenta e perturbadora. Imagens de conquistas de novos territórios, caças de animais selvagens, esportes perigosos e aventuras em parques de diversão, ondas de adrenalina, corridas de carro, saltos de pára-quedas ou com elástico, performances perigosas de circo ou mergulhos acrobáticos.
Encontro com o fogo - Logo antes do renascimento espiritual podemos encontrar o elemento fogo, tanto em suua forma comum diária, como em forma arquetípica do fogo do purgatório. Sensações que estamos com o corpo pegando fogo, visões de cidades e florestas em chamas, identificação com vítimas de imolação. O fogo parece queimar tudo o que há de impuro e corrompido em nós, e preparar-nos para o renascimento espiritual. Símbolo clássico é a Fênix, pássaro lendário que morre no fogo e renasce das cinzas.
Desordens emocionais e psicossomáticas relacionadas:
Agorafobia - medo de lugares abertos ou da transição de um para o outro. No nível perinatal está relacionada ao final da Matriz III, quando a liberação repentina, após muitas horas de confinamento extremo, é acompanhada do medo de perder todas as fronteiras, de explodir e de deixar de existir.
Bacilofobia e misofobia - medo patológico de materiais biológicos, odores corporais e sujeira. Medo não apenas de ser contaminado, mas de contaminar os outros também, e isso está estritamente relacionado com a agressividade orientada tanto para dentro quanto para fora, o que é exatamente a situação característica dos últimos estágios do nascimento. Os determinantes biográficos costumam envolver memórias da época do treinamento dos esfíncteres, mas suas raízes vão mais fundo e alcançam os aspectos escatológicos da Matriz III, na conexão que existe entre morte, agressividade, excitação sexual e material biológico.
Medo de viajar de trem ou metrô, medo de avião ou de viajar de carro - A falta de controle parece ser um elemento de grande importância nas fobias que envolvem movimento. A excessiva necessidade de estarem no controle da situação é típica dos indivíduos que estão sob forte influência da Matriz III e sistemas COEX relacionados, enquanto a capacidade de se render ao fluxo dos eventos demonstra forte conexão com as Matrizes I e IV.
A sensação de estar preso e a experiência de forças e energias enormes em movimento, sem ter qualquer controle sobre o processo, são elementos em comum dessas fobias, e tais elementos tem fortes conexões com o nascimento. Passar em túneis e passagens subterrêneas também apresentam similaridades com o processo de nascimento experimentado durante a Matriz III. Para que tais situações desencadeiem a fobia, as memórias perinatais têm de estar facilmente disponíveis à consciência.
Acrofobia ou medo de alturas, quereunofobia ou medo patológico de tempestades, pirofobia ou medo do fogo
Histeria de conversão - transformação simbólica de conflitos inconscientes e de impulsos instintivos em sintomas físicos
Neurose Obsessivo-Compulsiva
Depressão Agitada
Quarta Matriz Perinatal Básica (MPB IV)
Experiência de morte-renascimento
Essa última matriz está relacionada com os momentos que se sucedem à saída do canal de parto, e aos cuidados imediatamente recebidos pela mãe, por médicos e enfermeiras. Como em todas as matrizes, como existem fortes sentimentos envolvidos, sempre podemos experienciar arquétipos e experiências coletivas concomitantes ao nascimento biológico. Se o parto real foi sem problemas, sem muita anestesia e os cuidados foram os ideais, então as memórias e experiências arquetípicas associadas são as melhores possíveis: bem-aventurança, sentir-se vitorioso e merecedor da vida, sentir-se amado e querido, sentir-se amado incondicionalmente, sentir-se livre após um grande esforço, sensação de ter deixado tudo o que passou para trás e novo em folha.
Muitas vezes o parto é feito com uma dose alta de anestesia, ou então, o parto é controlado a tal ponto de postergar ao máximo a saída do bebê até que o médico possa realizar o trabalho, ou ainda o parto é programado e a cesárea é o tipo de parto que se realiza. Muitas variáveis podem interferir. Pode ser necessário o uso de fórceps, o cordão pode estar enrolado no pescoço, a criança pode ter nascido quase-morta, sem conseguir respirar, ou na melhor das hipóteses, muito dopada pela anestesia e desorientada.
Postado por Hercules Pioli Junior às 19:12 0 comentários
Terça-feira, 1 de Abril de 2008
O encontro com o sagrado
"