1. Principais conceitos e problemas devem ser compreendidos da filosofia nietzscheana, fontes: Nietzsche como psicólogo e o filme Contos proibidos de Marques de Sade:
1) Grande psicologia e novo psicólogo
2) Crítica à psicologia racional
3) A aquisição da consciência e a valorização da razão como o motivo do homem ter se perdido a oportunidade de se superar
4) A crítica à moral e especialmente a moral cristã
5) A noção de homem, super-homem.
6) Os conceitos de vontade e de ressentimento
2. A (re)interpretação do sujeito na filosofia contemporânea
Os mestres da suspeita: Nietzsche, Freud e Marx
• Descartes afirma que a vontade deve se submeter à razão para que o erro seja evitado: cristianismo travestido de filosofia.
• A noção de razão que se aproxima da noção de consciência moral e leva o homem que erra ao remorso, a penosa convicção de ter agido mal (p.104) constrói um sujeito ressentido, que se anula e isso acarretará em sérias conseqüências. [Nietzsche]
• Tanto Nietzsche, quanto Freud vão se preocupar com a gênese da consciência moral, ambos buscam reconduzir formações culturais complexas (instâncias psíquicas, práticas e instituições sociais, sistemas orgânicos) e às condições (pré) históricas de surgimento, transformação e desenvolvimento dessa consciência.
• Ambas as interpretações apresentam-se como gênese da reflexão sobre o surgimento da consciência moral, e esta busca é importante pois, entende-se dessa forma o processo de formação do próprio homem, o processo de hominização.
• A história da consciência moral identifica-se com a história da repressão, mas também com o processo de sublimação da barbárie por meio da culpa: “todos os instintos que não se descarregam para fora voltam-se para dentro” (p.116)
• Os mestres da suspeita avaliam o homem moderno como produto da cultura Ocidental e tudo o que chamamos essência humana, alma humana, vontade humana, liberdade humana estariam diretamente condicionados (ou determinados) pela cultura.
• Marx, como mais um dos mestres da suspeita, fundamenta mais profundamente esse condicionamento, o homem é produto de uma cultura e, portanto, sua consciência é produto de uma cultura, mas quem determina a cultura é a economia, ou seja, o modo que os homens usam para produzir e reproduzir sua vida material.
• Para Marx a cultura é superestrutura da economia, esta constitui a estrutura (o alicerce) da sociedade. A cultura, a religião, a moral seriam apenas reflexos da economia, do modo de produção econômico.
• Se tomarmos por base o sistema de produção capitalista, responsável direto pela essência do que chamamos de modernidade, teremos um homem que se forma a partir das relações capitalistas e, portanto, é fruto direto dele. Esse homem que traz em si caracterísiticas desse modo de produção cria valores morais e normas legais condizentes com a proteção da propriedade privada, sem saber, pois vive alienado da realidade, isolado no individualismo. Sem perceber a gênese da formação da consciência entende o não “trair o esposo ou a esposa”, “o não ser promíscuo sexualmente”, o “não roubar”, enfim nossas principais normas morais, como normas naturais ou divinas e ignora que essas normas, são formas burguesas ou germes delas, típicas de uma sociedade que valoriza a posse material de bens e pessoas.
• O homem, segundo Marx, conjunto de suas relações sociais que forma sua consciência através dessas relações sociais, ou mais bem dito econômicas, é no sistema em que vivemos um membro de uma massa de alienados, dependentes de uma fantasia, conhecedores da superfície do que os determina; é um ser que confunde meios com fins e que transformou sua vida numa busca desenfreada por coisas, por bens, como se esses fossem preencher o vazio causado por não ter sido o que poderia, por não ter se emancipado. A moral, os sentimentos, os valores que esse homem respeita foram inventados pelo próprio homem para a proteção de sistemas econômicos. Seduzidos pelo fetiche de ter ele deixou de ser, enquanto não se superar essa forma burguesa de dominação, não conseguiremos começar a história dos homens, até aqui todas as formas produtivas constituem a pré-história da humanidade.
• Todos os três mestres podem ser considerados como “médicos sintomatologistas da cultura” (ressalva a especificidade de Marx). Algumas relações:
Os três viam uma tensão entre o homem e o seu meio, um conflito, mas ao mesmo tempo uma co-ependência;
Nem sempre é a razão que governa nossas ações;
As necessidades podem vir à tona disfarçadas e tão modificadas que não seríamos capazes de reconhecer sua origem;
Assim disfarçadas, elas governariam nossas ações, sem que tivéssemos consciência disso (vários níveis de reflexão);
Marx, anterior a Freud, vai afirmar que no sistema capitalista de produção, as necessidades secundárias foram confundidas com as básicas e a partir de um longo processo histórico as pessoas desenvolveram uma espécie de “tara”, de fetiche pelas coisas, pelas mercadorias a tal ponto que o homem se tornou coisa, se desumanizando, isso o transformou em outro tipo de ser.
Os três, cada um à sua maneira, realizam uma arqueologia da alma (materialista).
Prof Suzi